segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Em quem não vou votar no dia 27 de Setembro - Parte 2 (A economia)

Não votarei em quem criou o estatuto de "desempregado profissional", atribuindo a torto e a direito rendimentos mínimos, que na sua maioria privilegiam quem não quer trabalhar.

Não votarei em quem transformou a população activa do nosso país em "coleccionadores de cursos de formação profissional", cujos conhecimentos nunca vão ser utilizados em trabalhos efectivos.

Não votarei em quem investiu recursos necessários ao desenvolvimento do país num autêntico "Ministério da Formação Profissional", que não beneficia ninguém: os formandos limitam-se a saltar de curso em curso; os formadores têm a ilusão de um emprego sustentado a recibos verdes; as estatísticas de desemprego são iludidas pela ocupação temporária e inútil destas pessoas.

Não votarei em quem escolheu desproteger e desamparar as pequenas e médias empresas, que poderiam criar milhares de postos de trabalho (tornando desnecessária a atribuição de rendimentos sociais) e desenvolver a economia nacional.

Não votarei em quem sobrecarrega estas mesmas empresas com pesadíssimas taxas fiscais, sufocando-as e tornando impossível a sua sobrevivência.

Não votarei em quem persegue os pequenos contribuintes (incluindo estas pequenas empresas) com programas ferozes de cobrança fiscal, enquanto deixa escapar airosamente os "José Veiga" deste país, com dívidas de milhões de euros.

Não votarei em quem privilegia os bancos e fecha os olhos perante a ineficácia do Banco de Portugal.

Não votarei em que promove aumentos astronómicos aos gestores nas empresas estatais e deixa aos restantes 99% dos portugueses a honrosa tarefa de "aguentar a crise".

Não votarei em quem invoca em vão a palavra "solidariedade".

Em quem não vou votar no dia 27 de Setembro - Parte 1 (O respeito pelos portugueses)

No próximo dia 27 decorrerão as eleições legislativas, pelas quais serão eleitos os deputados à Assembleia da República e consequentemente, o próximo Governo.

Nunca faltei a um acto eleitoral. Considero a abstenção um acto de cobardia e desinteresse pela nossa vida, pelo nosso futuro.

Infelizmente, nem sempre é fácil votar, e muitas vezes já votei em branco, proque não considero nenhuma das propostas apresentadas como a ideal. Nestas eleições ainda estou indecisa, mas já sei em quem não vou votar de certeza absoluta.

Não votarei na arrogância e na prepotência. Não votarei em quem fala aos seus iguais com desdém e desprezo.

Não votarei em pessoas que se consideram donos absolutos da verdade, que se julgam mais inteligentes e capazes que o comum dos mortais.

Não votarei em quem ignora a opinião dos cidadãos, expressa em manifestos, protestos, crónicas e artigos de jornais.

Não votarei em quem utiliza os meios do Estado para fazer propaganda política.

Não votarei em quem impõe limites à informação, à liberdade de expressão, ao direito à diferença.

Não votarei na intolerância.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Associação de Trabalhadores

A Associação Cultural e Social dos Trabalhadores da Câmara Municipal de Moura, de cujos órgãos faço parte, tem vindo a desenvolver um trabalho de apoio aos seus associados, quer a nível financeiro, comparticipando as despesas de saúde e despesas escolares, quer a nível sócio-cultural.

Exemplo deste último é a o passeio que organizamos anualmente para os funcionários e seus familiares. Este ano, por solicitação e sugestão dos associados, será ao parque de diversões do Zoomarine, no dia 26 de Setembro. As inscrições já estão abertas.




Para desenvolver estas actividades, e sobretudo para fazer face ao apoio financeiro aos nossos associados, é necessário criar iniciativas que possam trazer alguma receita à Associação. É por isso que vamos estar presentes numa tasquinha da Feira de Setembro. Estão todos convidados a visitá-la e consumir!

Quanto aos sócios, continuamos a contar com a vossa colaboração e ajuda. Podem inscrever-se nos turnos da tasquinha ou preparar um prato (petisco ou doce) para venda no local. Só com a vossa ajuda poderemos continuar a ajudar.

Orgulhosa

#4

Evite pensar pelas outras pessoas. O cérebro delas encolhe, e o seu corre o risco de explodir.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Côragem

Não, não é erro. É assim que o nosso primeiro diz.
O dr. Moita Flores tem côragem. E vontade de ser ministro.

Retirado daqui.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Educação gratuita para todos

Fiquei emocionada com a promessa do nosso Primeiro de atribuir aos recém-nascidos, a partir do próximo mandato de maioria absoluta, uma conta bancária no valor de 200 €, a qual só poderá ser movimentada quando o bebé for um adolescente de 18 anos.

Vamos por partes:

1. Uma conta bancária no valor de 200 euros que só pode ser movimentada após 18 anos, acumulará quanto?
Como? Não percebi bem.
Sessenta euros?
Quer dizer que daqui a 18 anos, os jovens felizardos terão 260 € que lhes podem servir para ir para a Universidade, ou para criar um pequeno negócio.
Inflação? Ah, pois é, não me lembrava. Bem, pode ser que dê para beber um café.

2. Se os pais não podem utilizar o dinheiro para comprar fraldas, pagar consultas de pediatria e vacinas, cadernos e livros escolares, quem vai beneficiar deste dinheiro?
Ah, sim, compreendo. São os bancos, que terão a oportunidade de angariar milhares de novos clientes, sem mexerem uma palha. E claro, não devemos esquecer a questão das comissões bancárias, porque os bancos têm de tomar conta do dinheiro e isso tem custos muito elevados.

3. E os pais que já tiveram a coragem de ter filhos, que género de apoio recebem? Nada?
Pois, quem é que os mandou meterem-se em aventuras? Agora desenrasquem-se.

É interessante, não é? Mas se calhar, eu estou um bocadinho traumatizada, porque acabei de gastar 728 euros em livros e material escolar para que os meus filhos possam frequentar a escola sem levarem com faltas de material consecutivas.

É verdade que os manuais escolares são escolhidos para períodos de 5 a 6 anos.

É verdade que os livros indicados para a minha filha Inês, acabarão por ser os mesmos para a Mariana e para o Pedro.

É falso que possam utilizar os mesmos livros, porque as editoras souberam dar a volta à legislação e criaram uma coisa nova que se chama “Bloco Pedagógico”. Este bloco é constituído pelo Manual da disciplina (que pode ser em vários volumes), pelo Caderno de Actividades e às vezes, por um terceiro elemento a que chamam Caderno do Aluno. Parece que a intenção é de evitar que os alunos escrevam no Manual, permitindo que este venha a ser utilizado por outras pessoas nos anos seguintes.

Mas… isso implicava que os cadernos do aluno pudessem ser vendidos separadamente. E podem? Em 95% dos casos, não. Então em que ficamos?

Os pais na minha situação acabam por ter de comprar novos “blocos pedagógicos” completos para os seus filhos. Tem piada, não tem?

E não se iludam, não há volta a dar. No ano passado, tentei aproveitar livros usados. Digitalizei o caderno de actividades, imprimi e encadernei. Expliquei a situação à professora. Fiquei a saber que, até Outubro, a senhora autorizava aquela situação, mas a partir daí, ou a minha filha levava o livro e não uma cópia, ou teria falta de material todos os dias.

E que dizer das intermináveis listas de material para as diversas disciplinas?

Lápis da marca XYZ e não de outra qualquer. Lápis de cor, marcadores, lápis de cera, guaches e pincéis, aguarelas, tesoura, compasso, régua de 15 cm, régua de 20 cm, régua de 30 cm, régua de 50 cm. Esferográficas azuis e lapiseira, porque os professores não querem os meninos de pé a afiar os lápis. E corrector (a borracha já passou de moda, era muito barata), fita-cola e cola da marca ABCD. Cartolinas de dimensões e espessura diferentes, uma resma de papel, blocos de papel cavalinho para desenhar.

Para a disciplina A, caderno de argolas, para a disciplina B, caderno sem argolas. Para as disciplinas C e D, dossier com pelo menos 3 cm de lombada. Portfólio independente para as disciplinas A, C, D e E. Nas áreas curriculares não-disciplinares (é assim que se chamam aquelas coisas para passar o tempo do Apoio ao Estudo, Área Projecto e Formação Cívica) convém também levar um caderninho, pode ser preciso escrever qualquer coisa.

E… e… e…

É verdade, estou emocionada com a generosidade das promessas eleitorais do nosso Primeiro. Só não disse qual era a emoção. Mas dá para adivinhar, não dá?

Bibliotecas digitais


Tradução:
Encontrei informação neste livro para o meu trabalho escolar. Agora faço "click" para imprimir?

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Açúcar Amarelo

Primeiro, era a viagem de carro. Curvas e mais curvas no carocha amarelo que o meu pai comprou em 1976. Ao princípio, apenas eu e a minha irmã Marta no banco de trás, depois com a Sara e a Patrícia aninhadas entre nós as duas.

Quando chegávamos a Brinches, íamos logo ter a casa da minha avó. Ficava na rua da entrada, perto da Escola onde a minha irmã ainda frequentou a tele-escola naqueles meses inseguros de 1974, e de uma igreja.

Entrávamos sempre pelo quintal, que fazia uma espécie de corredor ao longo da casa e terminava num pátio, aconchegado pela sombra de uma parreira. Lembro-me de passar aí muitas horas, a conversar e sobretudo, a ouvir as conversas dos “grandes”. O meu avô gostava de fazer aí a barba, com uma bacia e um espelho rectangular pendurado no tronco da parreira.

Entrávamos em casa pela cozinha. Ele aí está, o cheiro da casa da minha avó. Cheira a nós, à nossa vida. Cheira a barro cheio de água fresca e a comida a acabar de cozinhar no fogão. Cheira a taipa e a cal.

Da cozinha passávamos para a casa de jantar, que era também a entrada de casa pela porta principal, e daí para os dois quartos. Na cozinha estava também a porta para a despensa, a minha divisão preferida da casa. Como me parecia enorme aquela despensa… Sempre na penumbra, era ali que se guardava tudo. O cântaro do azeite e a conserva das azeitonas, o queijo de cabra sequinho, as mercearias, os chocolates que a minha avó escondia apenas para que levasse algum tempo a encontrá-los e comê-los às escondidas. E era ali que guardava os pacotes de papel pardo com açúcar amarelo. Às vezes, havia dois pacotes. Era sinal que um deles era para nós trazermos para Moura.

Quando o açúcar se acabava, ia com a minha avó à rua que ia dar ao vale, à loja do vizinho Lico. Outra vez o cheiro. Cheirava a linguiça e a queijo, ao feijão e grão ensacados, a café, a farinha, a cera vendida a peso, a tudo o que a minha imaginação alcançava.

Do lado direito da porta, encostada à parede, estava a saca do açúcar amarelo, com a colher de latão, para encher os pacotes de ¼ e ½ quilo que as mulheres iam comprar. Eu ia sempre ver quando o vizinho Lico enchia o pacote, na esperança de que viessem muitos torrões, que eu adorava comer à socapa.

Às vezes, na volta, e quando a minha avó estava bem-disposta, passávamos pela casa de uma vizinha, ao lado do posto da GNR, para comprar pirolitos. Eram chupa-chupas caseiros feitos com água, açúcar e mel, com a forma de um cone muito esguio. Havia de vários tamanhos e eu levava sempre muito tempo a decidir quais os que queria. Os grandes eram tão bons, mas só podia comprar um ou dois. Dos pequenos podia comprar mais, mas acabavam-se num instante…

Basta-me fechar os olhos. Saborear o açúcar amarelo a desfazer-se numa chávena de café ou a envolver uma fatia dourada. Tudo volta: O carocha amarelo, a luz do dia no quintal da minha avó, a voz do meu avô, a sombra da parreira, o cheiro da despensa. Nós ainda somos pequeninas, a vida está à nossa frente e tudo, absolutamente tudo, é possível.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Um dia de cada vez

When the day is long
And the night
The night is yours alone
When you're sure you've had enough of this life
Hang on

Don't let yourself go
'cause everybody cries
and everybody hurts, sometimes

Sometimes everything is wrong.
Now it's time to sing along
When your day is night alone
(hold on, hold on)
If you feel like letting go, (hold on)
When you think you've had too much of this life
Well, hang on

'Cause everybody hurts.
Take comfort in your friends
Everybody hurts.
Don't throw your hand. Oh, no.
Don't throw your hand
If you feel like you're alone
No, no, no, you are not alone

If you're on your own in this life
The days and nights are long
When you think you've had too much of this life to hang on

Well, everybody hurts sometimes,
Everybody cries.
And everybody hurts sometimes
And everybody hurts sometimes.
So, hold on, hold on
Hold on, hold on, hold on,
Hold on, hold on, hold on

Everybody hurts.

You are not alone

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Bibliotecária, graças a Deus

No princípio Deus criou o bibliotecário.

Disse Deus:

- Funda bibliotecas por todo o mundo, selecciona os documentos de melhor qualidade, organiza a informação, presta serviços de excelência e vela pelo interesse dos utilizadores.

- Mantém actualizado o catálogo e confortável a sala de leitura.

- Porém, presta atenção, não escutes a Voz da Ignorância porque, se o fizeres, confundir-te-ás e desaparecerás profissionalmente.

O bibliotecário fez tudo quanto Deus lhe pediu.

Ergueu bibliotecas em belos edifícios e nelas colocou todo tipo de documento criado pelo homem para registar a informação: tabuinhas de argila, rolos de papiro, códices de pergaminho ou papel, livros, revistas, diários e boletins impressos e toda a gama de documentos iconográficos, audiovisuais, tridimensionais e legíveis por computador, incluindo os disponíveis na Internet.

Inventou e reinventou o catálogo (e com ele a recuperação da informação), que evoluiu desde as antigas bibliotecas sumérias até as bibliotecas no ciberespaço.

O mesmo sucedeu com múltiplas ferramentas e métodos de trabalho: regras de catalogação, sistemas de classificação, vocabulários controlados, análise por facetas e indexação pré e pós-coordenada, o serviço de referência e o de circulação, incluindo o empréstimo inter-bibliotecas e a comutação bibliográfica.

Instruiu as pessoas em tudo o que é necessário para aceder à informação.

Adoptou normas de qualidade e definiu indicadores de desempenho específicos para as bibliotecas, com o fim de avaliar e melhorar seus processos, produtos e serviços.

Para tudo isto, utilizou a tecnologia de ponta disponível em cada época e em cada lugar, desde a punção requerida para a escrita cuneiforme até o computador e as telecomunicações do século XXI.

Ergueu sua voz contra a censura e em defesa do direito de todos à informação.

Elevou a sua carreira aos mais altos graus universitários, convertendo-a numa profissão útil, nobre, digna e respeitada.

Entretanto, numa manhã, enquanto o bibliotecário realizava suas tarefas habituais, ouviu uma voz rouca e tenebrosa que o chamava:

- Vem, aproxima-te.

O bibliotecário voltou a cabeça e percebeu, entre incrédulo e surpreendido, a visão de uma árvore seca e retorcida, de tronco negro e negros ramos.

A voz insistiu:

- Vem, aproxima-te.

Temeroso mas cheio de curiosidade, o bibliotecário aproximou-se com precaução. Uma sensação sobrenatural apoderou-se dele e o negro manto da noite cobriu o local, em pleno dia.

- Vem, aproxima-te, não tenhas medo - voltou a escutar.

- É a Voz da Ignorância? - perguntou o bibliotecário com ingenuidade. - Deus recomendou-me que não te escute.

- Não digas disparates! Dialoguemos e verás que esta conversa te interessa - disse a Voz.

O bibliotecário aproximou-se da estranha planta, o suficiente para ver as víboras que, arrastando-se pelo solo, começavam a enroscar-se no tronco.

- Quem é? - perguntou intrigada a Víbora Primeira, mostrando sua venenosa língua de duas pontas.

- Sou o bibliotecário - respondeu este com segurança.

- Ha, ha, ha!... Pobre... Em que mundo vives? Não sabes que agora te chamas documentalista?

- Que estás a dizer? - interveio a Víbora Segunda - O correcto é "especialista da informação" ou "cientista da informação".

- "Gestor de informação", querida, os outros termos já eram! - interrompeu a Víbora Terceira.

- Eu prefiro em inglês, information manager - opinou a Víbora Quarta – e, se for chefe, chief information officer ou "CIO".

- Pois eu prefiro gestor do conhecimento, knowledge manager ou chief knowledge officer - ajuntou a Víbora Quinta, com ar de quem sabe tudo.

- Mas - balbuciou confuso o bibliotecário - com esses títulos ninguém vai saber quem eu sou e o que faço.

- Precisamente, é disso que se trata - informou a Víbora Sexta – todo o mundo vai perguntar o que faz essa pessoa e, como ninguém gosta de passar por ignorante, limitar-se-ão a dizer "Ahhh... que interessante...".

- Bibliotecário! - troçou com desprezo a Víbora Sétima - Não existes! Desapareceste com o meteoro que extinguiu os dinossauros!

Ressoavam ainda na sua mente as gargalhadas de zombaria dos répteis, quando o bibliotecário se deu conta de que, repentinamente, a visão havia desaparecido. Invadido pelo temor, ocultou-se entre as estantes do depósito. Dali escutou a voz de Deus que o chamava:

- Bibliotecário, onde estás? Que fazes aí? Por que te escondes?

- Porque sinto vergonha que me vejam nesta profissão de idiota que tenho - respondeu o bibliotecário, sem se atrever a levantar a cabeça do chão.

- Quem te fez pensar que é uma profissão de idiota? Acaso prestaste atenção à Voz da Ignorância?" - perguntou Deus.

- As víboras chamaram-me com insistência e não pude evitar... - murmurou cobardemente.

Então, Deus enfureceu-se com o bibliotecário e pronunciou o seu severo castigo:

- Por teres escutado a Voz da Ignorância viverás para sempre na confusão e falta de identidade.

- Tirar-te-ão a direcção da Biblioteca que será ocupada por outros, de outras profissões, ainda que não saibam nada de bibliotecas.

- Ocupar-te-ás apenas das tarefas técnicas e todos te farão sentir que só serves para fazer fichas.

- Quando solicitares um ajudante catalogador, enviar-te-ão alguém sem qualificação ou em tratamento psiquiátrico e nunca te comprarão um thesaurus actualizado.

- Apesar de teres mais habilitações do que a maioria dos teus colegas, ganharás o mesmo (se não menos) do que eles e nunca conseguirás um estatuto profissional que te proteja.

- Qualquer um virá e te dirá "não se diz utilizador e sim, cliente" e tu repetirás como um papagaio, ainda que tenhas dedicado a vida a satisfazer o utilizador. Ou então dir-te-ão "o paradigma da biblioteca não é a conservação mas o acesso" e tu impressionar-te-ás com a frase, embora tenhas passado séculos a facilitar o acesso.

- O teu lugar de trabalho será chamado "centro de documentação", "centro de materiais didácticos", "centro de informação" ou "centro de gestão do conhecimento" e, quando a confusão entre todas estas organizações, - que, afinal, fazem a mesma coisa - for incontrolável, chamar-lhes-ás "unidades de informação" ou UI. É claro que a sociedade não será capaz de diferenciá-las e continuará a chamá-las bibliotecas.

- Todos te dirão como deves fazer o teu trabalho e acharão que o fazem melhor do que tu.

- Víboras-informáticas e víboras-gestoras nacionais e estrangeiras proporão cursos inúteis nos quais aprenderás apenas que catalogação se chama agora "representação descritiva" ou "descrição bibliográfica" e que a classificação passou a ser "organização do conhecimento"; termos novos para coisas que tu mesmo inventaste.

- Pagarás estes cursos a preço de ouro, terás formadores que sabem menos do que tu e sairás deles sabendo o mesmo que sabias antes de te inscreveres.

- Porei inimizade entre os bibliotecários universitários e os das bibliotecas públicas.

- Farei proliferar pseudo-licenciaturas de três anos em "tecnologias da informação", "ciência da informação", "gestão de informação", "bibliotecas disto e daquilo", as quais conduzirão aos mesmos cargos e salários que o teu, apesar de tu teres estudado seis ou sete anos na universidade; deste modo, permanecerão eternamente divididos e frustrados.

- Por causa desta disparidade na formação, virão víboras-políticas que considerarão que a tua profissão não tem qualquer saber específico que a distinga de outras e a tua carreira será extinta. Então, qualquer um poderá exercer a tua profissão em pé de igualdade contigo, apesar de a ti ter sido exigida formação pós-graduada e de tu teres necessitado de concorrer ao lugar que ocupas em paridade com outros tão habilitados como tu.

- Chegará, então, o dia em que avaliarás seriamente tua profissão, avaliar-te-ás a ti mesmo e aos numerosos bibliotecários que têm oferecido a sua criativa contribuição para que, durante milénios, os seres humanos tenham podido aceder à informação.

- Tu e os outros verdadeiros bibliotecários unir-se-ão em defesa da dignidade e qualidade técnica e científica da tua profissão.

- Então, se assim o fizeres e compreenderes, eu te perdoarei.


Retirado daqui.
                      

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Google

No sábado, a RTP 2 exibiu um documentário sobre a Google. Não me enganei, é A Google, a empresa gigantesca criada a partir do motor de busca.

Fiquei a saber que muitas empresas contratam especialistas que se dedicam a estudar e promover estratégias para que que as suas páginas na internet figurem entre os primeiros resultados numa dada pesquisa.

De facto, como são ordenadas as respostas que a Google dá às nossas pesquisas?

Teoricamente, as primeiras referências listadas corresponderiam aos sites mais consultados, cuja informação estaria mais correcta e actualizada. Mas afinal, não é bem assim.

A Google reserva-se o direito de retirar, sumariamente, qualquer página ou referência, simplesmente porque sim. E a ordem pela qual as referências aparecem também é decidida pela Google. Os responsáveis pela empresa alegam que essa ordem é meramente o produto de cálculos algorítmicos, em que se conjugam factores como o número de pesquisas, o número de consultas, a data da última actualização e outros factores determinantes para a validade das páginas em questão.

O problema é que o tal documentário expôs situações de arbitrariedade que roçam a censura.
O dono de uma página na internet de jogos para crianças, que recebia 18 milhões de visitas por dia, viu o seu tráfego reduzido a menos de um terço, de um dia para o outro. Acabou por se aperceber que, sem qualquer razão aparente, a Google havia retirado TODAS as referências à sua empresa do motor de pesquisa. O processo corre agora em tribunal.

Uma pesquisa sobre a Praça Tiananmen, feita a partir de qualquer país, excepto a China, dará como primeiros resultados as fotografias do tristemente célebre dia 4 de Junho de 1989. Mas se a pesquisa for feita no Google chinês, nem vestígios da manifestação, apenas imagens pitorescas da grande praça.

Além disso, a Google está a armazenar dados sobre a utilização que cada um de nós faz da internet. Bancos de dados gigantescos contêm dados sobre as páginas que pesquisámos, alegadamente com o objectivo de recolher informação sobre os nossos interesses, para depois nos enviarem informações (leia-se publicidade directa e indirecta) sobre esses temas.

Muito generosamente, a Google ofereceu uma cobertura de rede wireless para toda a cidade de S. Francisco, na Califórnia. Agora, propõe "detectar" a posição dos seus utilizadores, para lhes facilitar a vida (tão amorosos) enviando informação e sugestões sobre as lojas mais próximas, os cinemas e restaurantes, etc. E até se oferecem para memorizar os números de identificação e cartões de crédito dos cibernautas.

Não sei porquê, mas desde sábado que a expressão Big Brother (na versão de George Orwell, nada a ver com a TVI) não me sai da cabeça. A vocês também?


Nota: Esta imagem é do filme 1984, mas o livro homónimo que lhe deu origem está disponível para empréstimo na Biblioteca.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

O meu pai

Segundo o Google e a Wikipédia (autoridades máximas no reino do copy/paste), no dia de hoje assinala-se o nascimento de Hans Christian Ørsted, ou Oersted, que foi um físico e químico, conhecido sobretudo por ter descoberto que as correntes eléctricas podem criar campos magnéticos que são parte importante do Electromagnetismo. Foi também o primeiro pensador moderno a descrever explicitamente e denominar a experiência mental.

Hoje também se assinalam 624 anos sobre a célebre Batalha de Aljubarrota, decisiva para a nossa independência e identidade, mas também não é por isso que este dia é importante.

Hoje é um dia importante porque o meu pai faz anos.

O meu pai é o melhor homem que eu conheço. É o mais correcto, o mais íntegro, o mais solidário, o mais trabalhador, o melhor pai, o melhor avô.

Quando a minha vida deu uma cambalhota e os problemas pareceram ser maiores do que eu, o meu pai esteve sempre lá, incondicionalmente, ao meu lado.

Os meus pais sempre fizeram tudo o que podiam pelas filhas. Deram-nos tecto e comida, mas sobretudo, educaram-nos. Transmitiram-nos valores que me esforço por conseguir honrar ao longo da minha vida.

Parabéns, pai. E obrigada por tudo.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Leonor

Hoje, às 3h25, no Hospital de Beja, nasceu a Leonor, filha da Inês e do Zé Francisco. Pesou 3,325 kg, e pelo seu desempenho nas primeiras horas, parece ser muito bem comportada.

As pessoas nascidas a 12 de Agosto são do signo Leão. São protegidos pela principal divindade egípcia, Rá.

Destacam-se, de entre os demais, pela sua personalidade extrovertida. Enérgicos e trabalhadores, enfrentam as situações mais difíceis sem medo algum. Nunca recuam perante os obstáculos e orgulham-se da sua força.

Também neste dia nasceram Miguel Torga, escritor português (1907), William Goldman, escritor americano (1931) e Mark Knopfler, dos Dire Straits (1949).

A Assembleia-Geral das Nações Unidas, em 17 de Dezembro de 1999, na sua resolução n.º 54/120, declarou o dia 12 de Agosto como o Dia Internacional da Juventude.

Aos pais, de quem gosto muito, e a toda a família, os meus parabéns pela chegada da sua princesa.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Só me vêem a mim?

Carta aberta a todos os que se têm mostrado tão, tão preocupados com a minha saúde e bem-estar físico nos últimos meses:

Durante 32 anos, tive anemia. Na verdade, ainda a tenho, só que está controlada. Trata-se de um tipo de anemia genética, muito comum na zona do Alentejo, e que segundo me explicaram os médicos, se trata de um legado da presença árabe na nossa região.

Entre os 18 e os 32 anos, a anemia agravou-se, o que me obrigou a tomar comprimidos de ácido fólico (a principal carência, contrariamente à anemia normal, causada por falta de ferro) initerruptamente. Cada caixa custava na altura a módica quantia de 4200$00, e dava para vinte dias. Mesmo assim, tinha frequentemente crises mais graves, que me obrigavam a tratamentos intensivos.

Quem se lembra de mim e de como "eu era tão magrinha" deve lembrar-se que tinha sempre um aspecto de doente, uma cor amarelada e umas olheiras que ficaram para a posteridade. Na altura, dirigiam-me frases muito simpáticas e reconfortantes, tais como:
- Estás doente, não estás? Estás tão mal encarada!
- Vai-te meter em casa rapariga, pareces a morte em andamento...

Estas crises de anemia tinham uma causa adicional, que tive a oportunidade de resolver através de uma intervenção cirúrgica aos 32 anos.

Desde aí, felizmente, sinto-me muito bem. Deixei de ter que parar a meio das escadas da Biblioteca para descansar. Deixei de ter que parar a meio da rua da minha mãe (Av. do Carmo) para retomar as forças. Os meus colegas nunca mais precisaram de ir a correr comprar-me qualquer coisa doce porque eu perdia as cores e ficava sem forças. Nunca mais tomei comprimidos (excepto os da dor de cabeça). Tal como previam os médicos na altura, tenho uma qualidade de vida que não imaginava quando estava doente. E claro, ganhei alguns quilos a mais, com os quais me sinto muitíssimo confortável.

Podia emagrecer. Bastava ter algum cuidado com a alimentação. Mas não estou interessada. Prefiro os quilos extra a voltar a ter anemia.

Esclarecidos?

Óptimo. Agora, agradeço que parem de me chatear a cabeça com essa ditadura da magreza, porque eu não alinho em ditaduras, não estou minimamente preocupada com isso e estou farta de ouvir comentários desagradáveis de quem, pelos vistos, não tem espelho em casa.

Tirando este assunto, podem e devem fazer-me uma visitinha para dois dedos de conversa, que eu gosto muito. Tenho aqui bolachas e rebuçados. Fico à espera.