sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Comer na escola

O alargamento do período lectivo, tornando a escola numa ocupação para o dia inteiro, e a crise económica que se tem sentido levam a que cada vez um maior número de famílias procure integrar os seus filhos na alimentação escolar.

Muitos meninos de ensino pré-escolar e de primeiro ciclo passaram a "almoçar na cantina", aliviando assim os encargos dos pais com a alimentação, mas sobrecarregando inevitavelmente as autarquias, responsáveis por assegurar a prestação deste serviço.

Segundo o JN, o número de crianças que beneficiam deste programa quadriplicou nos últimos 5 anos. Se para muitas crianças este apoio representa, infelizmente, a única refeição completa que recebem durante o dia(*), para a grande maioria representa sobretudo menos uma oportunidade de convívio em família. A verdade é que a sociedade está a atingir um ponto em que as crianças, que deveriam ser desejadas, acarinhadas e cuidadas pelos adultos responsáveis pela sua existência, começam a assumir cada vez mais o papel de "problema para resolver". É preciso entregá-las de manhã bem cedo na escola, onde alguém se encarregará de lhes ensinar aquilo que precisam de saber e depois, lá para o final da tarde, princípio da noite, é preciso recolhê-las num ATL qualquer onde já fizeram os trabalhos de casa e desabafaram as angústias com alguém completamente estranho, sobrando apenas tempo para lhes dar um banho e mandá-las para a cama.


Esta não é uma realidade apenas dos grandes centros urbanos. Em Moura, a autarquia assumiu também esta competência e garante o fornecimento de refeições às crianças do pré-escolar e 1º ciclo em quatro espaços na cidade de Moura - EB1 do Sete e Meio e EB1 dos Bombeiros, Escola Secundária de Moura, Creche e Jardim de Infância Nossa Senhora do Carmo - e na freguesia de Amareleja.

São beneficiadas com este programa, no corrente ano lectivo, 370 crianças, num investimento que ultrapassa os 150 000 euros, dos quais apenas 24 000 são comparticipados pela Direcção Regional de Educação. Os próprios alunos, consoante o escalão de apoio, pagam uma pequena parcela do preço da refeição, que no final do ano lectivo totaliza a verba de 26 000 euros (donde se conclui que a comparticipação do Estado é inferior à do próprio aluno, embora a medida seja apresentada como um triunfo do Governo). O resto - mais de cem mil euros - sai dos cofres da autarquia.

(*) Leia-se a este propósito a reportagem da revista Sábado desta semana.
             

3 comentários:

  1. Não chega para comprar o BMW do presidente da câmara, para não falar no parque automóvel dos administradores das diversas empresas municipais (falo sem conhecer a realidade de Moura)... generalizo. Gosto de o fazer.

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  2. Pois, não chega, e este investimento nunca é demasiado. Referi-o apenas porque a maioria das pessoas pensa que é a administração central quem suporta os custos desta iniciativa.
    Já agora, e para os mais curiosos (sei que não é o caso) confirmo a existência do BMW, mas já vai sendo velhote, e informo que a administração das empresas municipais existentes não tem direito, actualmente, a viatura automóvel.

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  3. Por acaso o nosso Presidente não é nada exigente com ele próprio, veja-se o BM já um pouco decrépito, o próprio gabinete de trabalho dele, é o mais velho dos serviços da autarquia. É um homem simples.

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