sábado, 23 de maio de 2015

Sim. Podemos.

Só hoje vi o filme "O mordomo".  É verdade, só hoje. Senti,  nos últimos minutos,  a mesma esperança que naquela madrugada de 2008 em que ouvi Barack Obama discursar em Chicago.

Há quem diga que a sua passagem pela Casa Branca ficou aquém do esperado, que não cumpriu o que prometeu. Talvez. A História faz-se no longo prazo e este filme relembra como foi possível mudar o mundo em apenas 30 anos. Em tempo histórico é menos que um piscar de olhos.

Para mim, Obama cumpriu o seu papel. Demonstrou a possibilidade de tornar verdadeiros e palpáveis os sonhos que nem nos atrevemos a sonhar.  A sua existência e a sua eleição fizeram mais pelo combate contra a intolerância do que muitas intervenções mais ou menos armadas, incluindo as que o seu próprio país insiste em levar a cabo.

Acredito honestamente que foi esta escolha que fiz para a minha vida e que não conseguiria vivr de outra forma. Ousar sonhar mas, mais do que isso, ousar acreditar que é possível. Acreditar que vale a pena lutar sempre, todos os dias, contra o imobilismo e o conformismo.  Sim. Podemos.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Sem limites

Quando pensamos que a Humanidade já não nos pode desiludir, aparece o caso infeliz daqueles seis neurónios que vivem isolados nos cérebros de seis seres com aspecto humano que acham piada humilhar outro ser humano.

E depois disto, quando lamentamos a nossa incapacidade para educar a geração que se segue, quando percebemos a forma como, por acção ou inacção, contribuímos para uma cultura de violência e desprezo pelo próximo, de valorização da aparência em vez da essência, da supremacia dos esquemas e da desonestidade em detrimento do mérito e do trabalho, surge isto. Eu, que tenho dificuldade em calar-me, fico sem palavras para descrever até que ponto a natureza humana é capaz de descer. "Presença no Pingo Doce"????


terça-feira, 12 de maio de 2015

Alentejo, Alentejo



Eu nasci em Aldeia Nova de S. Bento, vivi em Moura e agora vivo em Évora. Sair do Alentejo não é opção. Não quero que o Alentejo perca a sua identidade, mas quero lutar todos os dias para um Alentejo melhor, em que o cante não seja um tónico para a fome e a dor, mas sim uma forma orgulhosa de dizer Alentejo. Tenho um pesado sotaque alentejano que não quero perder e que leva o Alentejo comigo, onde quer que eu vá.

Sim, o Alentejo foi sempre espoliado, económica e politicamente. Os alentejanos aguentam, por isso, a sangria continua, até que os mais teimosos desistam de fazer nascer aqui os seus filhos, desistam de os levar à escola aqui, desistam de voltar para cá quando terminam os estudos, desistam de aqui trabalhar, desistam de voltar a ser terra, quando morrerem.

Mas não quero que me deixem em paz. Quero que olhem para o Alentejo. Quero que olhem para os Alentejanos e que aprendam com eles a resistir a tudo.

Isto vem a propósito disto. E já agora, o "baixo alentejo" (assim, com minúsculas e tudo) é um concelho desde quando? E também não é canto que se chama. É cante. Cante alentejano. Irra!

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Ui! Que medo!

Quero começar e nem sei por onde... Ok, vai por onde me dói mais:

1. "há bibliotecas com livros antigos"....? Mas então o que querem que lhes faça? Que os deite fora? Sobreviveram às chamas da Inquisição, ao terror das invasões francesas, à escuridão do Estado Novo que afinal era tão velho e agora eram apagados em nome do AO90? Será que esta gente tem noção do que escreve?

2. Ai termina o prazo de transição? Olha, multem-me!


domingo, 3 de maio de 2015

Conversas de mãe

É-se mãe porque eles nascem. Num instante passam da não existência para o projecto mais importante das nossas vidas. Os longos nove meses de espera não nos preparam para nada, porque nada nem ninguém está preparado para o enorme e extraordinário milagre da vida.

Quando o dia chega percebemos como somos insignificantes perante o sábio labor da mãe natureza. E sobretudo, percebemos que, sem aviso prévio passamos a ser personagens secundárias na nossa própria vida. Tudo o que fazemos é por eles e para eles. Mesmo quando julgamos andar a cuidar da nossa vidinha, na verdade estamos a agir com a consciência de que as nossas acções são modelo para os futuros comportamentos deles e sim, é verdade, para que eles se orgulhem de nós. 

Quanto temos mais do que um filho, o mistério é ainda maior. Ao milagre de termos conseguido gerar uma vida completa, junta-se o milagre de ver aquele sentimento que não nos cabe no peito multiplicar-se e ainda assim arranjar espaço. 

Nem tudo é fácil.  No longo percurso que é criar um filho, é preciso dizer não.  É preciso contrariar, conter, orientar. De uma forma quase masoquista damos por nós a confrontá-los com as contrariedades das quais os queremos proteger. Sabemos que eles vão acabar por enfrentá-las,  mais vale que seja debaixo da nossa asa, em ambiente controlado, onde mais tarde podemos fazer-lhe a sobremesa preferida.

Todos os dias nos perguntamos se estamos no caminho certo. Todos os dias desejamos que haja um modelo de actuação que os prepare para a vida sem lhes retirar o optimismo, que os forme como adultos responsáveis e coerentes sem lhes retirar a alegria e irresponsabilidade da infância. 

No meu caso, estes dilemas têm sido vividos no singular e sem espaço para reflexão. Sem receitas de sucesso à mão e sem manual de instruções,  resta-me confiar num outro milagre que nem sabia que existia: o instinto maternal.