quarta-feira, 9 de março de 2016

Alentejo cumprido


Manifestei-me logo no início desta polémica e depois calei-me. Volto a ela hoje para a arrumar definitivamente.

Reafirmo o que disse. Este senhor é um imbecil. Vive de polémicas, sem elas passaria incógnito. Faz afirmações verídicas - mas não verdadeiras - e espera que os visados se manifestem e lhe dêem a notoriedade que nunca conseguiu alcançar com mérito. Desse ponto de vista, é inteligente, concedo-o, mas do ponto de vista da formulação de ideais, construção de teorias, observação crítica do mundo é apenas e só, um imbecil.

Muita gente (eu incluída) embarcou na estratégia dele, ajudou a dar fama à mediocridade que escreve. Confesso que na altura de partilhar pensei isso mesmo, mas ainda assim, a imensa indignação que senti pela quantidade de (sai um alentejanismo) alarvidades que o senhor enunciou falou mais alto.

Chegada a hora, o Alentejo respondeu como sempre: com dignidade. Com a tranquilidade de quem já resistiu a tudo e continua aqui, de pé, como os sobreiros que nos dão a sombra e evitam a desertificação destas terras.

O Alentejo foi a Lisboa e cantou. Contra o desprezo da administração central que lhe retira todos os meios de subsistência, o Alentejo responde a cantar e diz "Estamos aqui". Contra as políticas económicas e de suposto desenvolvimento que vão deixando as povoações isoladas e abandonadas, o Alentejo canta e diz "Estamos aqui". Contra os que, sem nada saberem do que é ser Alentejano, ridicularizam o nosso modo de vida em mil anedotas e escrevem livros com os quais esperam atingir a fama efémera, o Alentejo canta e diz "Continuamos aqui".

Sonhamos o Alentejo todos os dias. Trabalhamos para cumprir o Alentejo todos os dias. Somos Alentejo, sempre!

Alentejo, Alentejo
Terra sagrada do pão
Eu hei-de ir ao Alentejo
Mesmo que seja no Verão
Ver o doirado do trigo
Na imensa solidão
Alentejo Alentejo
Terra sagrada do pão

Nota: Este texto foi escrito ao abrigo do meu direito à liberdade de expressão.



1 comentário:

  1. Bravo pelo texto! sempre assertiva, não podia estar mais de acordo.

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