quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Foi assim que aconteceu

Perguntaram-me o que queria no Natal, disse que queria livros. Devia ter aí uns 7 anos, estava na segunda classe. Fui à livraria da D. Purita. Escolhi, escolhi, escolhi. Cabeça inclinada para o lado, num posição à qual me haveria de habituar ao longo da vida.

Acabei por me decidir por este "Porquê?" e mais um ou dois livros de histórias, creio que da Anita. Passei horas a folhear este livro, observava os desenhos tentando tirar deles os pormenores que o texto, necessariamente breve, insistia em omitir. Quando me perguntam como comecei a ler, vejo-me em frente à estante, na loja da D. Purita, a escolher este livro e mais do que isso, a assumir a minha escolha, quando havia tantas "histórias mais bonitas".


Chegou-me agora às mãos uma 16ª edição, de 1990, que andava perdida entre o exército de livros que espera catalogação. Olho para ele, olho para a minha vida, eternamente insatisfeita com as respostas estabelecidas, eternamente à procura do porquê das coisas, eternamente a fugir do "é assim porque sempre foi assim e porque é assim que toda a gente faz".

Não podia ter feito outra escolha, pois não?


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