segunda-feira, 4 de maio de 2020

BIBLIOTECAS: ESTAMOS DISPONÍVEIS




https://cartaabertabibliotecas.wordpress.com/

No dia em que as bibliotecas de todo o país podem voltar a reabrir ao público, mais de 100 mais de 400 personalidades de vários sectores da sociedade subscrevem a Carta Aberta "Bibliotecas: estamos disponíveis", que propõe mais atenção e maior articulação nas políticas públicas para a área das bibliotecas em Portugal, que constituem uma das maiores redes existentes em todo o território nacional.

Sou uma das subscritoras desta Carta, em conjunto com o Bruno Duarte Eiras, o João Guerreiro, a Manuela Barreto Nunes, o Miguel Mimoso Correia e o Nuno Marçal. Entendo-a útil e necessária. Embora reivindicativa, procurámos redigi-la num tom positivo e de proactividade, evitando cair na tentação fácil de pedir financiamentos ou atribuição de verbas. Elencámos medidas concretas, mas sobretudo reafirmámos a existência de uma rede de equipamentos de serviço público, que cobre todo o território e que pode e deve ser integrada nas políticas de desenvolvimento cultural, social e económico, especialmente no quadro de situações de crise como a que vivemos.

Em nome deste grupo, convido-vos a ler a carta aberta e, caso ela mereça a vossa aprovação, a subscrevê-la.

https://cartaabertabibliotecas.wordpress.com/

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Aos 50

De que é feita a felicidade? De instantes ou de memórias?

Queremos desesperadamente ser felizes, perseguimos os momentos especiais, as ocasiões perfeitas, as pessoas ideais. Quase sempre nos desiludimos, porque o problema está nas expectativas elevadíssimas com que procuramos a felicidade.

E depois, vêm as lembranças,  o que guardámos de momentos em que nada esperávamos e que nos deram tudo: alegria e gargalhadas, ansiedade e emoção,  tristeza, dificuldades e a superação. 

Faço hoje 50 anos. Apesar de manter a garra, a vontade de prosseguir e de lutar, reduzi muitíssimo as minhas expectativas... na expectativa de ser mais feliz. É contraditório,  claro, como o é quase tudo na vida. Já fui muito feliz, tanto quanto é possível ser. No top estão, indiscutivelmente, os dias em que cada um dos meus filhos nasceu; o dia em que, depois de milhares de visitas à Biblioteca Municipal de Moura como leitora, subi pela primeira vez aquelas escadas como Bibliotecária; e quando, a 2 de Janeiro de 2014 pus o pé no degrau de entrada da Biblioteca Pública de Évora como Bibliotecária da melhor Biblioteca do mundo.

Também tive momentos terríveis, em que me vi perdida e desorientada, sem chão,  sem rumo, sem esperança. É mais ou menos assim que me sinto de há uns tempos para cá. Depois de um ano horrível que me fez questionar seriamente a minha forma de agir e de estar na vida, despojada da minha âncora que é a Biblioteca a funcionar, o golpe final foi o desaparecimento do meu pai. O nosso relacionamento nem sempre foi fácil, mesmo sendo ele o homem que mais admirei em toda a vida, e essa combinação fez dele a pessoa que mais me moldou. Mas ficaram coisas por dizer e agora... já não há hipótese nenhuma.

Sei que a esta tristeza se segue a superação e que não estou e jamais estarei sozinha. Alguma coisa devo ter feito extraordinariamente bem para ter estes filhos que a vida me deu. Aqui estão, comigo, todos. Mesmo que agora seja difícil de ver, sei que no futuro me lembrarei deste dia e que aqui encontrarei a felicidade. 

Vamos embora, que ainda há tanto para fazer, tanto para viver!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Nós e os outros

Ele, o irmão,  quase não fala. Abre a boca apenas para dizer dizer que não consegue dormir. Ela, a irmã, fala ao mesmo tempo. "Não dorme nada. Ouço-o levantar e mesmo que ele ponha o som da televisão baixinho, eu ouço. Anda aborrecido" e chega enfim ao assunto sobre o qual quer falar "Não vê a filha, como é que há-de andar?". Desfia o rosário. A menina já anda na escola e ele só esteve com ela uma vez. Vê-a pela janela quando ela vai a casa da bisavó,  que é lá perto. Sabe que disseram à filha que ele está em França,  emigrado. Ouviu falar, no programa da Júlia, de uma associação que ajuda pais assim, nesta situação. 

Entretanto perguntam-lhe pelo outro sobrinho. "Está lindo. E esperto! No outro dia a outra avó (mãe do pai) apareceu lá na escola, que o queria ver, aquilo era com intenção de o levar e fugir com ele... mas ele estava avisado, disse logo que aquela mulher não podia  falar com ele e que era melhor chamarem a Polícia".

Levanta o queixo orgulhosa e eu olho à volta a pensar se terei sido a única a reparar que o comportamento que descreve para o sobrinho é exatamente o mesmo de que se queixa relativamente à sobrinha. Dois pesos, duas medidas: a nossa e a dos outros.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

A intenção era boa, mas o caminho não é por aí



 Querida Esquerda

Estou muito desiludida. Andámos uns anos na direcção certa, a forçar a durabilidade dos manuais escolares durante um determinado período de tempo, permitindo que irmãos de uma mesma família,  por exemplo, pudessem utilizar os mesmos exemplares em anos diferentes. As editoras foram rápidas a contornar a situação. Criaram os livros de fichas, alegadamente para evitar que os alunos escrevessem nos seus manuais, mas obrigando à compra de novos livros de fichas anualmente. Só que... os livros de fichas só eram vendidos nos chamados packs, ou seja, era preciso comprar novamente os manuais. Mas agora, assim embrulhados, em pacote, duplicavam de preço.

Apoiei a entrega de manuais escolares gratuitos. Além da óbvia garantia de acesso à educação para todos, o Estado assumia-se como O Comprador, ganhava poder negocial para enfrentar as estratégias puramente lucrativas das editoras. Adoptava igualmente uma postura pedagógica de reutilização, respeito por materiais comuns, pagos pelo erário público.

Mas eis que começam os protestos. Não da opinião pública, porque se esses tivessem peso, as condições das escolas seriam muito diferentes: temperatura confortável nas salas de aula, refeições decentes, pessoal auxiliar em número suficiente,  etc., etc. Os protestos que se fizeram ouvir foram outros: as editoras.

Portanto, aqui estamos: livros novos todos os anos, agora sim, oferecidos a todas as famílias.  Lucro garantido. E tudo isto na era digital, onde todos os procedimentos se desmaterializam e onde era tão fácil, pura e simplesmente,  eliminar os manuais escolares. Todos os materiais absolutamente necessários poderiam ser impressos nas escolas, à medida do professor e dos seus alunos. Isso sim, seria redução de papel e não a imposição ridícula ao número de folhas de papel que um serviço público  (escolas incluídas) podem gastar por ano.




quinta-feira, 11 de abril de 2019

Da estupidez humana

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Em Barcelona, uma escola decidiu retirar o Capuchinho Vermelho e a Bela Adormecida do catálogo de obras infantis, por serem "sexistas".

É triste que a intolerância do politicamente correcto arrase tudo e ignore a evolução das mentalidades,  dos costumes,  do que têm sido o Bem e o Mal ao longo dos tempos. Para que a evolução aconteça, é preciso que haja consciência do que está mal, do que precisa ser corrigido. Corrigido,  não apagado. Apagar o que nos incomoda é o primeiro passo para que tudo se repita outra vez.

Na Biblioteca Pública de Évora continua a estar disponível. Temos várias versões e exemplares. A liberdade de expressão e de pensamento são valores fundamentais e demasiado preciosos para serem postos em causa desta forma. Ninguém obriga ninguém a ler estas obras, mas, no que depender de mim,  jamais permitirei que a sua leitura seja proibida.

 

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Alfaces do LIDL

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Quem terá tido a brilhante ideia de colocar headphones com ligação interna nas operadoras de caixa do LIDL? Sugiro a esse génio da gestão que vá fazer compras a uma loja qualquer, não identificado, e fique ali, a ouvir a coscuvilhice do quotidiano do supermercado, enquanto é atendido como se fosse transparente.

É muito desconfortável estar em frente a uma pessoa que não pára de falar enquanto está a olhar para nós. Melhor: enquanto está a olhar através de nós, como se fossemos "coisas" que é preciso despachar. E quando mete risinhos e comentários irónicos, então... dá nervos. Se nos abstraímos da conversa, que é o que eu tento fazer, corremos o risco de fazer figura de parvos quando nos dirigem efectivamente a palavra, entalada entre dois comentários sobre o funcionamento interno do supermercado.

Um dia destes, fui ao LIDL de outra localidade. A senhora da caixa estava tão entusiasmada a falar sobre um episódio que tinha ocorrido na véspera no supermercado, que parava de passar produtos para gesticular de acordo com a sua indignação. E a fila ali, a crescer a olhos vistos à sua frente. Como não vivo lá, tudo aquilo ficou no patamar do abstracto. Se lá vivesse e conhecesse as pessoas que foram enxovalhadas perante uma audiência sempre crescente, seria bastante constrangedor quando as encontrasse na rua. Vergonha alheia, sabem o que é?

A sério, acharam mesmo que isto era boa ideia? Não é. Já nem me apetece lá ir e tenho pena, porque gosto muito dos produtos. E dos preços.

terça-feira, 2 de abril de 2019

Pedro, 21

Eu continuo a achar que ele precisa que eu tome conta dele, que ele me devia informar quando vai sair, onde vai e a que horas chega, se já comeu e se tem roupa lavada, mas eis que dou por ele a ser o Mister a quem o Sporting e os Pais confiam os seus atletas e filhos.

Muito orgulhosa de ti. Parabéns Filho!

(Mas continua a avisar aquelas coisas que combinámos, 'tá?)



segunda-feira, 1 de abril de 2019

Feira do Livro de Moura

Quando ela vem ter contigo, onde quer que estejas.

Obs: Gostava  mais dos sacos de papel, alem de serem muuuuito melhores para o ambiente. 

sábado, 30 de março de 2019

Agridoce

Foram  cinco anos de luta, persistência e determinação inabalável,  sobretudo da Directora  da Biblioteca Nacional de Portugal, que se empenhou pessoalmente na realização do projecto e na difícil obtenção das verbas necessárias para que a carta finalmente chegasse a Garcia.
Após o arranjo exterior,  a Biblioteca Pública de Évora fechou hoje as portas e vai manter-se em serviços mínimos para a reabilitação do interior do edifício que a alberga desde a sua fundação,  há 214 anos.
Sei que deveria estar feliz, mas há esta angústia que me assola. Fechar serviços,  ainda que temporariamente e por uma boa causa, é muito difícil. Mas venho de coração derretido com esta oferta de uma leitora, para atenuar a minha tristeza. É ou não é a melhor Biblioteca do mundo?

quinta-feira, 28 de março de 2019

Balanço


De modo que as polémicas da semana são:

a)      Uma rapariga que eu nem sabia que existia e que, pelos vistos, é vegana e foi apanhada a comer peixe.
b)      A nova colecção da Zippy, com peças iguais para rapazes e raparigas, extremamente útil para quem tem vários filhos e quer aproveitar as peças de uns para os outros. Mas as famílias “tementes a Deus” resolveram boicotar e insultar a Zippy, porque a marca não segue os preceitos do Senhor. Ora, eu não sei o que é que eles andam a ler, mas nas Bíblias que há aqui na Biblioteca, não vem nada sobre roupa igual para rapazes e raparigas. O que se vê muito é uma mensagem de tolerância, amor ao próximo, respeito pela diferença e perdão. Depreendo que ainda não tiveram tempo de ler esta parte, mas quando lá chegarem, vão ficar tão arrependidinhos por terem sido tão maus, que certamente vão comprar toda a loja como penitência.
c)       A Mandonna ficou muito ofendida porque não a deixaram levar um cavalo para dentro de um palácio e agora diz que se quer ir embora. Infelizmente, ainda não há confirmação da saída.

d)      As cheias destruíram a zona da Beira, em Moçambique, mas a malta apanhou o vírus Ana Leal e só fala em Pedrogão Grande. Eu só penso naquele velho ditado acerca da confusão da beira da estrada com a estrada da Beira.

e)      Parece que também há uma confusão qualquer com o Banco de Portugal, os jornais continuam a falar de impostos e da Caixa e não se calam com o Brexit, mas não deve ser importante, porque não aparece nada no meu feed.

Em face do exposto, agravado pela quantidade de gente que não sabe escrever português, desisti da minha página de facebook enquanto ainda tenho alguma sanidade mental. Se quiserem manter-se por perto, basta passarem por aqui.
 


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

49

A idade não me custa, nem me pesa. Não desperdicei um dia destes 49. Vivi e vivo com intensidade.

O que me preocupa é que ainda tenho tanto para fazer, e já gastei 49 anos. Não há tempo a perder. Vamos!




sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Maria José Moura

Duas alentejanas, teimosas, sem papas na língua e com a mania de lutarem por aquilo em que acreditam não pode dar bom resultado. Por isso os nossos últimos tempos foram difíceis.

Deste lado, uma "rapariga incontrolável ", como ela me chamava. Do outro, a "mãe das bibliotecas públicas ", como todos lhe chamávamos. Dos dois lados, uma admiração profunda. Bom, mais do meu lado, porque tinha muito, tanto, tanto trabalho feito por ela para admirar, enquanto ela só reconhecia em mim a mesma vontade inabalável, o mesmo "pêlo na venta" (desculpem, é  um post sobre duas alentejanas), a mesma paixão pelas bibliotecas.

Enfim, as circunstâncias afastaram-nos. Dirigiu-me palavras que não consegui  perdooar naquela altura. Que tonta! Não consegui ver que, nela, era um sinal de consideração. Podia ter-me simplesmente ignorado, como fazia a tantos com quem nem perdia o seu tempo. Mas gastava tempo comigo, e eu com ela.

Maria José Moura deixou-nos hoje, depois de meses de doença e sofrimento. A tristeza é imensa. Com ela desaparece também uma espécie de confiança em que tudo se resolverá. É,  inegavelmente,  o fim de uma era. Agora, como dizia hoje a Ana Paula Gordo, é connosco. Está nas nossas mãos.

Por coincidência reli hoje um texto que circula pela internet: as boas mães são as que se tornam dispensáveis com o tempo, porque dão aos filhos os instrumentos e os valores para seguirem com as suas vidas. Não sei se todos estamos conscientes do que o grupo coordenado pela Maria José Moura nos deu: uma missão,  uma profissão, o trabalho que nos sustenta. Nada seríamos sem a Rede Nacional de Bibliotecas Públicas. Nem sequer existiríamos. Todos aqueles que hoje ou amanhã estão demasiado ocupados com o trabalho da Biblioteca para a acompanhar,  precisam de se lembrar que, sem o seu trabalho - a par com o de outros que já fomos perdendo ou nos preparamos para perder em silêncio e indiferença  - o deles não existiria.

Por isso, façamos o nosso trabalho, tão bem quanto as nossas forças nos permitirem. Elevemos as nossas bibliotecas. Essa é a melhor forma de honrar o legado que recebemos.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Desordem e retrocesso



O Brasil escapou por um triz e tem agora uma bolsa de oxigénio para três semanas antes da decisão final, que é tão simples como isto: liberdade ou ditadura.

Bem sei que há imensos casos de corrupção que envolvem o PT, mas, infelizmente, não é só o PT a estar envolvido, bem pelo contrário. Nem vou entrar aqui em detalhes sobre a forma vergonhosa como a Dilma foi afastada do cargo para o qual foi eleita, ou sobre as muitas dúvidas que a acusação contra Lula levanta a quem se quiser dignar a prestar cinco minutos de atenção, em vez de só ler as gordas. Porque o que está em causa no Brasil hoje, e até dia 28, é a escolha entre liberdade ou ditadura.

É só isto. As posições extremaram-se de tal forma que neste momento, só resta isto. Branco ou preto. Todos os cinzentos desapareceram. O que começou por ser uma escolha entre o que era menos mau transformou-se agora numa decisão simples. Ser ou não ser livre.

A decisão parece óbvia, especialmente num país onde tantos habitantes são descendentes de minorias subjugadas durante séculos, de escravos, de indígenas que viram os seus territórios ocupados. Quem não quer ser livre, ainda por cima quando há um passado destes para honrar? E no entanto, o dilema aí está. Liberdade ou ditadura. E a ditadura está a 3 semanas de ganhar. É um longo e muito escuro inverno que se aproxima.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Olhar para cima



Um recado para todos os recados que vejo insistentemente nas redes sociais e que tantas vezes me fazem deixar de seguir pessoas com quem até simpatizo.

Há uma vida para viver. Levantem os olhos do chão, elevem-se, deixem de olhar para baixo e perder tempo com quem não merece a vossa atenção. A vida e o tempo encarregam-se de esclarecer tudo e conduzir tudo ao seu devido lugar.

Desculpem o desabafo, mas às vezes, quando percorro o mural do facebook, só me falta ouvir o silvo das setas envenenadas. Nada de bom pode vir daí. Como é que dizia o Gandhi? "Sejam a mudança que querem ver no mundo". E agora, chega de sermão. Bom fim-de-semana!

#freejubas



O novo lema da FPF deve ser alguma coisa do género "forte com os fracos e fraco com os fortes". Tanto por onde pegar no futebol português e vai multar uma mascote porque deu um abraço a um jogador da sua equipa. Hilariante. Ou será ridículo?

Entretanto, uma enorme onde de solidariedade tomou conta das mascotes do futebol e das redes sociais
#freejubas
#jubassemcadastro

BIBLIOTECAS: ESTAMOS DISPONÍVEIS

No dia em que as bibliotecas de todo o país podem voltar a reabrir ao público, mais de 100 mais de 400 personalidades de vários sect...