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terça-feira, 8 de março de 2011

O princípio de Peter



O princípio é muito simples, e foi enunciado por Laurence J. Peter, professor universitário, num livro que acabou por se tornar um clássico na gestão empresarial:


Num sistema hierárquico, todo o funcionário tende a ser promovido até ao seu nível de incompetência.
Esta máxima significa basicamente o seguinte: Um bom funcionário, geralmente o melhor de cada serviço ou estrutura, é normalmente escolhido para ser promovido a um grau superior, onde se torna incompetente. Vamos a um exemplo prático:

O melhor mecânico de uma oficina, a razão pela qual muitos clientes preferem aquela empresa em relação a todas as outras, é escolhido para suceder ao chefe de oficina, que entretanto se reformou. Era a sua ambição, e como tal, o mecânico fica contente e considera que naquela promoção está a sua realização pessoal. O problema é que ele não tem capacidades de gestão de pessoal, distribuição de tarefas, delegação de competências. De cada vez que aparece um carro com um problema mais complicado, demora o tempo necessário, como fazia no seu tempo de mecânico, a encontrar e solucionar a avaria. Entretanto, o motorista a quem havia sido distribuído aquele trabalho está parado, e o mesmo acontece a todos os outros que entretanto terminaram as suas tarefas e aguardam pacientemente que o seu chefe lhes dê trabalho. O mecânico muito competente tornou-se um chefe incompetente, contestado e gerador de situações problemáticas.

E assim sucessivamente: O melhor vendedor, detentor de capacidades ímpares de empatia com os clientes não é o melhor candidato a chefe de vendas, um lugar de escritório, de competências organizacionais. O melhor professor, criador de laços com os seus alunos e transmissor de conhecimentos, dará um péssimo director de escola, onde tem de gerir equipas, horários e instalações. O melhor cientista, investigador nato, capaz de descobertas extraordinárias dará um péssimo Ministro da Ciência, etc., etc….

Não se trata de inteligência, mas sim de adequar a cada lugar a pessoa com as competências mais indicadas para o lugar. Cada ser humano devia ser capaz de encontrar aquilo que sabe fazer melhor e dedicar a sua vida a fazê-lo, em vez de ser consecutivamente promovido ou colocado em lugares de chefia nos quais será incompetente porque não possui as aptidões necessárias.

É óbvio que todos conhecemos pessoas que se julgam infinitamente mais inteligentes que todos os outros, e portanto, capazes de desempenhar qualquer função com a mesma qualidade. Estes “pavões” já atingiram o seu Princípio de Peter. A preocupação em demonstrar como são insubstituíveis e importantes desvia-os do seu verdadeiro trabalho, ao qual dedicam apenas o mínimo de tempo indispensável. Tornaram-se incompetentes.

Significa isto que devemos deixar de ser ambiciosos e que cada um de nós tem um limite a partir do qual não pode caminhar? Não. Apenas que as ambições devem ser redireccionadas.

Se cada um de nós se ocupar a fazer aquilo que faz realmente bem, toda a estrutura social funcionará melhor, e ser o melhor naquilo que fazemos deve ser a nossa ambição. É claro que toda a gente gosta de ver reconhecido o seu trabalho, e como tal, todos os funcionários devem ser valorizados e premiados pelo seu bom desempenho. A diferença de salários não deveria ter por base a categoria da função desempenhada, mas sim a qualidade do desempenho. O melhor operário deveria ter uma remuneração idêntica à do seu chefe, uma vez que é dele que depende a execução operacional das tarefas.

Mas isto ainda é apenas teoria… E convenhamos, as elites não têm grande interesse em ver divulgado este princípio.

                           

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