A RTP1 passou hoje uma reportagem sobre o encerramento dos centros de saúde no nordeste transmontano. Apesar de terem o direito fundamental, num Estado que se quer moderno e de primeiro mundo, a ter cuidados de saúde básicos e vitais, os entrevistados (julgo que responsáveis políticos) já nem punham isso em causa, mas chamavam a atenção para o gelo acumulado nas estradas nesta altura do ano, impedindo as deslocações de doentes até Bragança. E o que faz esta gente, fica a morrer em casa? A tutela diz que o serviço é caro, e que a média da sua utilização é baixa, logo, há que fechar. A estatística comanda.
A desertificação do interior, esse chavão que aprendemos nas aulas de Geografia e que ouvimos repetidamente pela vida fora nos discursos políticos, não é obra do Acaso. Resulta de escolhas, péssimas escolhas feitas pelos nossos governantes dos últimos 35 anos.
Primeiro retiraram-nos a mobilidade. Quilómetros e quilómetros de linha de comboio que os Regeneradores tanto se esforçaram por construir, completamente votados ao abandono. Os edifícios onde funcionavam as estações estão completamente arruinados, vítimas da estupidez da CP e da REFER, que se recusam a ceder as casas para outros fins, e por isso preferem vê-las destruídas. Populações envelhecidas, sem condições de mobilidade autónoma, privadas da liberdade de movimentos, só podiam ir à cidade na ambulância, quando estavam doentes. Iam, mas agora vão ficar doentes em casa, porque não vão ter condições para pagar o serviço.
Os jovens já cá não estão. Os primeiros foram com o comboio, outros com os autocarros que supostamente substituiriam o serviço. Outros, forçados a prosseguir os estudos longe de casa, nunca mais voltaram. Preferem o conforto, preferem ter acesso a serviços de saúde, a transportes, a escolas para os filhos. Mesmo que quisessem, não poderiam voltar. A profissão que escolheram já não tem vagas no interior. Os poucos lugares que restam estão ocupados com gente à espera da idade de reforma, depois extinguem-se.
São cada vez menos: Professores e Educadores, Médicos e Enfermeiros, Bombeiros e Polícias. Não há empresários, não há indústria, porque não há vias de comunicação, não há turismo porque ninguém quer ver terras moribundas. Não há comércio, porque não há clientes. Não há famílias. Não há gente.
Fomos esquecidos pelo governo central, que prefere rir-se às nossas custas. Investimento para o deserto, jamais! Os governos locais, que deveriam lutar pelas suas terras e reivindicar os direitos das populações que os elegeram, não podem contrariar as indicações que vêm “de cima”. Um dia, deixará de haver gente suficiente para os eleger, porque quem comanda é a estatística. E onde não há votantes, não há palhaços.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
A Igreja sempre esteve perto dos pobres
«A viagem do papa ao Reino Unido em Setembro do ano passado foi em parte financiada por fundos públicos de ajuda ao desenvolvimento de países pobres, de acordo com um relatório parlamentar publicado hoje, quinta-feira.
Um porta-voz do departamento explicou que a atribuição de fundos à visita do papa, cerca de 2,2 milhões de euros, foi "um reconhecimento do papel da igreja católica como um contribuidor importante nos serviços de saúde e educação dos países em vias de desenvolvimento".
A visita de quatro dias de Bento XVI ao Reino Unido custou cerca de 11 milhões de euros aos contribuintes britânicos»
Um porta-voz do departamento explicou que a atribuição de fundos à visita do papa, cerca de 2,2 milhões de euros, foi "um reconhecimento do papel da igreja católica como um contribuidor importante nos serviços de saúde e educação dos países em vias de desenvolvimento".
A visita de quatro dias de Bento XVI ao Reino Unido custou cerca de 11 milhões de euros aos contribuintes britânicos»
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Spam
A caixa de spam do meu e-mail está outra vez a negrito. Enquanto clico no botão para eliminar as mensagens e remetê-las para o lixo, os meus olhos ainda enviam alguma informação para o cérebro, que ele faz o favor de processar.
….14 de Fevereiro…. Delete? Ok.
….Xanax… Delete? Ok.
Desculpem, mas não é coincidência. Para aguentar o fingimento do primeiro, só com doses preventivas do segundo. É que não há pachorra!
Aí vêm os ursinhos de peluche (encarnados e brancos) e as almofadas em forma de coração (encarnadas), e as caixas de bombons com muitos laços (encarnados) e umas amostras de chocolate lá dentro, e toda uma colecção de outras inutilidades (encarnadas) para assinalar este dia.
E o resto do ano? Desgostamos de quem amamos neste dia? Agredimos aqueles a quem fazemos festas nesta data? Insultamos os mesmos a quem agora dedicamos os poemas? Exigimos a mesa posta e a comida no prato daqueles a quem levamos a jantar fora nesta noite?
Há 365 dias no ano. Não gastem os afectos todos neste. Não esbanjem as poupanças em prendas caras que não apagam a ausência dos outros dias. Não sejam tolos, isto é só um golpe publicitário, nada mais… e ainda por cima, é tudo encarnado!
….14 de Fevereiro…. Delete? Ok.
….Xanax… Delete? Ok.
Desculpem, mas não é coincidência. Para aguentar o fingimento do primeiro, só com doses preventivas do segundo. É que não há pachorra!
Aí vêm os ursinhos de peluche (encarnados e brancos) e as almofadas em forma de coração (encarnadas), e as caixas de bombons com muitos laços (encarnados) e umas amostras de chocolate lá dentro, e toda uma colecção de outras inutilidades (encarnadas) para assinalar este dia.
E o resto do ano? Desgostamos de quem amamos neste dia? Agredimos aqueles a quem fazemos festas nesta data? Insultamos os mesmos a quem agora dedicamos os poemas? Exigimos a mesa posta e a comida no prato daqueles a quem levamos a jantar fora nesta noite?
Há 365 dias no ano. Não gastem os afectos todos neste. Não esbanjem as poupanças em prendas caras que não apagam a ausência dos outros dias. Não sejam tolos, isto é só um golpe publicitário, nada mais… e ainda por cima, é tudo encarnado!
Não havia necessidade...
Na verdade, estava farto de a aturar. É certo que se tinha casado com ela, mas lá por isso não era obrigado a suportá-la até ao fim da vida. Como não tinha instintos assassinos, resolveu utilizar a arma mais poderosa que possuía. Não era um saca-rolhas, mas sim a password de acesso à lista de potenciais terroristas impedidos de entrar na Grã-Bretanha.
Primeiro, mandou-a dar uma volta para visitar familiares e depois, aproveitando a sua condição de funcionário dos serviços de imigração britânicos, colocou a mulher na lista de potenciais terroristas, "para se ver livre dela". No regresso da viagem, a mulher, paquistanesa, foi impedida de entrar pelas autoridades inglesas.
A pobre ainda telefonou ao marido (estou a imaginá-la a pegar no telefone, ameaçando usar as suas influências), e ele prometeu "ver o que se passava", mas deixou-a retida no Paquistão durante 3 anos. Sim, 3 anos.
Acabou por ser descoberto porque concorreu a uma promoção para a qual se requeria um nível de segurança muito elevado, sem qualquer registo de incidentes. Infelizmente para ele, o facto de a mulher estar incluída na "lista de potenciais terroristas", acendeu a luz vermelha. Tentando salvar o emprego, apressou-se a confessar ter sido ele o autor da proeza. Acabou despedido. E certamente, divorciado. Ou talvez não, porque isso seria um alívio.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
...
Dói-me a cabeça. Tenho a casa toda esburacada graças à competência da espécie rara de canalizador que fez a obra de recuperação na minha casa, antes de eu a comprar. As roturas parecem grãos de milho no micro-ondas. Pop, pop, pop.
Lavei a louça em alguidares dentro da banheira, porque os senhores que andam aqui a trabalhar fazem todos os dias uma série de truques, antes de saírem, para vedar a água onde há rotura mas permitir que ela passe livre para a casa de banho. Os pratos é que devem ter estranhado, em vez de serem enxaguados com aquele fio preguiçoso que sai da torneira da cozinha, foram submetidos a um duche enérgico de água quase a ferver.
Também conseguem deixar-me a canalização da máquina da roupa desimpedida. Primeiro perguntaram se me fazia falta, mas como eu estava de frente para eles, antes que a minha boca se abrisse para dizer "sim, por favor", o pânico de ver o cesto da roupa suja a vomitar por todos os lados tomou conta de mim, e os meus olhos esbugalhados fizeram o resto. "Esteja descansada, nós deixamos-lhe a máquina pronta a funcionar". Abençoados.
Está mais que certo que vou ter de substituir o chão. Há buracos em todo o lado. Eu sei que tinha esse projecto em mente, mas eu não me importava de esperar mais uns tempos, a sério! Estou habituada a esperar, não sei porque é que o Destino me faz estas coisas. Decide por mim, atravessa-se no meu caminho e prega-me rasteiras a torto e a direito. Sobretudo quando eu tenho a infeliz idéia de dizer em voz alta que a minha vida já vai entrando nos eixos outra vez. É o pior que posso fazer, já reparei.
É por isso que estou a escrever esta ladaínha toda. Para me lamentar. Para ver se o destino tem pena de mim, que sou tão desgraçadinha, e me faz uma surpresa boa. Só para variar...
Já disse que me dói a cabeça?
Lavei a louça em alguidares dentro da banheira, porque os senhores que andam aqui a trabalhar fazem todos os dias uma série de truques, antes de saírem, para vedar a água onde há rotura mas permitir que ela passe livre para a casa de banho. Os pratos é que devem ter estranhado, em vez de serem enxaguados com aquele fio preguiçoso que sai da torneira da cozinha, foram submetidos a um duche enérgico de água quase a ferver.
Também conseguem deixar-me a canalização da máquina da roupa desimpedida. Primeiro perguntaram se me fazia falta, mas como eu estava de frente para eles, antes que a minha boca se abrisse para dizer "sim, por favor", o pânico de ver o cesto da roupa suja a vomitar por todos os lados tomou conta de mim, e os meus olhos esbugalhados fizeram o resto. "Esteja descansada, nós deixamos-lhe a máquina pronta a funcionar". Abençoados.
Está mais que certo que vou ter de substituir o chão. Há buracos em todo o lado. Eu sei que tinha esse projecto em mente, mas eu não me importava de esperar mais uns tempos, a sério! Estou habituada a esperar, não sei porque é que o Destino me faz estas coisas. Decide por mim, atravessa-se no meu caminho e prega-me rasteiras a torto e a direito. Sobretudo quando eu tenho a infeliz idéia de dizer em voz alta que a minha vida já vai entrando nos eixos outra vez. É o pior que posso fazer, já reparei.
É por isso que estou a escrever esta ladaínha toda. Para me lamentar. Para ver se o destino tem pena de mim, que sou tão desgraçadinha, e me faz uma surpresa boa. Só para variar...
Já disse que me dói a cabeça?
Leitores para a vida
O folheto explicativo do projecto está disponível em todas as Bibliotecas do Concelho, e também aqui.
Entretanto, terá início já este mês o programa de formação contínua (gratuita e aberta a todos os que a queiram frequentar), e já estão abertas as inscrições para as primeiras acções.
Mais esclarecimentos e ficha de inscrição aqui.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
BIBLIOTECAS: ESTAMOS DISPONÍVEIS
No dia em que as bibliotecas de todo o país podem voltar a reabrir ao público, mais de 100 mais de 400 personalidades de vários sect...
