Este devia ter sido o post número mil.
Já esteve escrito, e foi apagado. Era um post de despedida, não do Açúcar, mas da minha vida profissional. Durante as últimas semanas atravessei mais um daqueles momentos decisivos, em que chegamos a uma encruzilhada e temos de escolher a direcção que vamos tomar.
Ao desafio que me foi proposto de assumir funções noutra biblioteca, com uma dinâmica, dimensão e impacto completamente diferentes da "minha" biblioteca, contrapunha-se a necessidade de acompanhar de perto os meus filhos, o investimento feito no projecto da minha vida que é a Biblioteca Municipal de Moura e os custos associados a uma deslocação diária de várias dezenas de quilómetros. É certo que sempre esteve em cima da mesa a possibilidade de ter de sair daqui, especialmente se os meus filhos optarem por estudar fora. A nossa casa será onde eles estiverem. Mas agora, uma mudança implicava custos dificeis de contabilizar e suportar.
E no entanto, a minha decisão acabou por ser a de aceitar o desafio. Uma oportunidade única de experimentar uma realidade profissional completamente diferente e a necessidade de mudança que me tem vindo a sufocar nos últimos anos impuseram-se e levaram-me à única escolha possível.
E depois, já em tempo de compensação, eis que as circunstâncias se alteram, e só há um caminho a seguir. É o caminho de continuar a investir na Biblioteca de Moura e dar-lhe condições para que continue a afirmar-se como uma instituição aberta a todos, promotora de acesso livre e democrático à informação, à cultura e ao lazer. É o caminho de continuar a lutar, ao lado dos homens e mulheres que constituem a fantástica equipa da Biblioteca, para a prestação de mais e melhores serviços à população. É o caminho de continuar a defender os interesses da Biblioteca e de todos os seus utilizadores. É o caminho de continuar a projectar o futuro.
Por isso, em vez de assinalar o post número 1000, que fecha um ciclo, prefiro assinalar este. Mil e um. Recomeçamos a contagem.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
domingo, 3 de abril de 2011
Se houvesse banda sonora oficial da Feira do Livro, seria esta.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já foi coberto de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía
Nota: Por incrível que pareça, não consegui encontrar um único vídeo desta música que não tivesse erros. Desculpem lá os "mudan-se"!
Onde é que está a notícia?
O Sol faz manchete com a notícia de 2 divórcios gay.
Desculpem? Mas qual é a notícia?
Havia alguma cláusula, escrita em letra pequena na legislação, a dizer que duas pessoas que optam por casar, pelo facto de serem do mesmo sexo, já não se podem divorciar? Poupem-me!
Desculpem? Mas qual é a notícia?
Havia alguma cláusula, escrita em letra pequena na legislação, a dizer que duas pessoas que optam por casar, pelo facto de serem do mesmo sexo, já não se podem divorciar? Poupem-me!
Falta de imaginação
A 23 de março escrevi aqui isto. Era uma piada, achei que estava a inventar. Mas devia ter-me lembrado que não costumo ter muita imaginação, e as notícias que agora vêm a público confirmam isso mesmo.
Entre 22 e 23 de março, o Governo fez 156 nomeações - 85 novos membros e 71 promoções. Grande parte destes nomeados serão demitidos após as eleições de 5 de Junho, mas até lá, são 3 meses a ganhar uns trocos. É o ordenado para andarem em campanha...
Entre 22 e 23 de março, o Governo fez 156 nomeações - 85 novos membros e 71 promoções. Grande parte destes nomeados serão demitidos após as eleições de 5 de Junho, mas até lá, são 3 meses a ganhar uns trocos. É o ordenado para andarem em campanha...
sábado, 2 de abril de 2011
2 de Abril
Em 2 de Abril assinala-se o Dia Internacional do Livro Infantil. A data foi escolhida por ser o aniversário de Hans Christian Andersen, o magnífico contador de histórias dinamarquês. Nascido em 1805, de origem humilde, filho de um sapateiro, Andersen instalou-se em Copenhaga em 1819 onde, graças à ajuda de generosos protectores, estudou canto e dança. Mas na realidade a sua formação foi autodidacta, alimentada por abundantes leituras. A partir de 1833 começou a publicar obras dramáticas, diários, apontamentos de viagens e alguns romances.
Mas a obra que o torna célebre em todo o mundo é uma série de Contos, traduzidos para uma infinidade de idiomas. Entre 1835 e 1872 publicou 156 contos, alguns dos quais fazem parte do imaginário de todas as crianças: O soldadinho de chumbo, A pequena sereia, A menina dos fósforos, O patinho feio, e aquele de que mais gosto: O fato novo do Imperador (também conhecido por O rei vai nú), entre outros.
Todos os anos, o IBBY (International Board on Books for Young People) divulga uma mensagem de apelo à promoção da leitura para crianças e jovens. A minha preferida, de todas estas mensagens, continua a ser a de 2001, escrita pela húngara Éva Janikovszky:
Nos livros está tudo
Que haverá nos livros? - costumava perguntar a mim mesma quando tinha três ou quatro anos, sentada no meu banquinho, na livraria dos meus avós.
Atrás da caixa, sentava-se a avó. Do outro lado do balcão, a minha mãe esperava os clientes. Por detrás dela, as estantes chegavam até ao tecto e, para se poder alcançar os livros das prateleiras de cima, uma grande escada, suspensa de uma barra de ferro por dois ganchos, deslizava da esquerda para a direita e da direita para a esquerda.
Não pensem que me aborrecia! Quando um cliente entrava na loja, eu punha-me a adivinhar: irá escolher um livro das estantes inferiores, ou interessar-se-á por algum colocado nas de cima? Jovem, ágil e inteligente, a minha mãe sabia onde se encontrava cada livro, subia a escada se necessário, descia com um livro de capa azul, vermelha ou dourada e colocava-o diante do comprador. Eu sentia-me orgulhosa da minha mãe e cada vez me interessava mais e mais pelo que pudesse existir nos livros. Nas filas de baixo, também os havia de capa azul, vermelha ou dourada, cheios de letras negras, pequeninas, mas nenhum tinha desenhos tão bonitos como os meus !
Em minha casa toda a gente lia. A minha mãe, o meu pai, os meus avós. Ao observar os seus rostos inclinados sobre um livro, ao ver que às vezes sorriam, que outras vezes se punham sérios, e que em certos momentos viravam a página com uma atenção tensa, interrogava-me: Por onde andarão? Se lhes falo, não me ouvem e, quando por fim me prestam atenção, parecem acabados de sair de algum lugar distante. Por que não me levam com eles? Que existe afinal nos livros? Qual é o segredo que não me querem contar?
Mais tarde aprendi a ler. E descobri, enfim, o segredo dos livros. Descobri que neles estava tudo. Não apenas fadas, gnomos, princesas e bruxas malvadas. Também lá estávamos tu e eu com todas as nossas alegrias, as nossas preocupações, os nossos desejos, as nossas tristezas; o bem e o mal, a verdade e a falsidade, a natureza, o universo. Tudo isso cabe nos livros.
Abre um livro! Ele partilhará contigo todos os seus segredos.
Pedro
Desde 31 de Março que não escrevo aqui nada. Há 13 anos, foi nessa noite que fui internada, e a manhã de hoje trouxe-me o Pedro. Parabéns, filho!
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BIBLIOTECAS: ESTAMOS DISPONÍVEIS
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