quinta-feira, 11 de junho de 2015

Prioridades

E se depois de uma visita guiada à Biblioteca, ao seu fundo patrimonial e à imensidão do fundo corrente daquela que é uma das 5 bibliotecas mais importantes do País (pelas minhas contas somos a 4ª) alguém que exerce a nobre função de Professor (e manda os alunos de castigo para a biblioteca) me diz: "Têm que pensar mas é em fazer uma biblioteca municipal com um bar", o que é que eu faço?

Ainda que não consiga perceber a importância da biblioteca, alguém acha razoável que, no estado em que isto está, se despreze uma biblioteca que recebe tudo - TUDO - o que é publicado em Portugal, que tem uma localização privilegiada e 210 anos de história para gastar o dinheiro que não temos a construir uma biblioteca municipal onde se tem que comprar tudo, incluindo os livros, só para dizer que temos um bar?





quarta-feira, 10 de junho de 2015

10 de Junho

Já houve um tempo em que quem nos governava era um farol inspirador.

É preciso manter a esperança,  mas também é preciso que cada um de nós cumpra a sua parte e não abdique de segurar o leme da nossa vida, com a nossa voz, o nosso voto, a nossa participação activa e cidadã.

Mostrengo

O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: “Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?”
E o homem do leme disse, tremendo:
“El-Rei D. João Segundo!”

“De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?”
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso,
“Quem vem poder o que eu só posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?”
E o homem do leme tremeu e disse:
“El-Rei D. João Segundo!”

Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
“Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!”




sábado, 6 de junho de 2015

Dra. Inês Parreira

Hoje a minha filha Inês queima a fita.

Foi um percurso muito difícil para ela, para mim, para os quatro. Há 14 anos, quando a nossa vida ficou virada do avesso, muita gente teve a enorme simpatia de me dizer “Nunca vais conseguir criar estes miúdos sozinha”, “Como é que tu podes pensar em pôr estes miúdos a estudar?” e outras pérolas do género.

Confesso que também me assustei. Fechei-me no quarto e chorei, chorei e chorei. Uma semana mais tarde e 11 quilos a menos, foi dessa escuridão que saí um dia para abrir a porta. Era a Professora Geninha, que tinha sido minha professora de português no secundário. Não quis entrar. Deu-me um pequeno ramo de flores e disse-me a palavra mágica: Coragem.

Nunca lhe consegui agradecer devidamente, porque cada vez que me lembro desse instante as lágrimas voltam, os dedos tremem e eu que nunca me calo, fico sem palavras. Obrigada Geninha. Obrigada, obrigada, obrigada.  Foi graças a essa palavra que no dia seguinte me levantei de manhã e fui trabalhar. Ainda hoje essa palavra é o meu norte.

Tal como em todos os dias da minha vida, os livros foram os meus melhores amigos. Cataloguei sem parar. Parar significava dar espaço à cabeça para pensar em coisas tristes e não o podia permitir. Compreendi nessa altura que criar os meus filhos, educá-los, ser a mãe deles todos os dias dependia do meu trabalho, da satisfação que tirava dele e do rendimento certo e constante que me permitia.

Lutei todos os dias, mas nunca lutei sozinha, porque desde esse dia estivemos sempre os quatro.
Foram muitas batalhas pequeninas, daquelas que ficam esquecidas na poeira dos dias. Aprendi a ultrapassar uma coisa de cada vez. Focar-me no imediato e tentar resolvê-lo, para poder passar à frente. Tenho, como poucas pessoas, uma necessidade quase sufocante de saber o terreno que piso para tentar reduzir ao mínimo o risco de imprevistos.

Chegámos aqui. Este é o dia da Inês, mas como todos os dias, é o dia em que olhamos para mais uma etapa por cima do ombro, porque ela ficou para trás e conseguimos vencê-la.

Agora, a minha menina, obrigada a crescer mais depressa do que os colegas da mesma idade, está uma mulher. Enche-me de orgulho todos os dias, na mesma medida em que me enchia de desespero quando era miúda e procurava a melhor maneira de lidar com ela, de a fazer tornar-se um ser humano digno, responsável e feliz. Sei que não fui uma mãe fácil. Sempre fui demasiado exigente, rigorosa e inflexível.

Mas Inês, olha para ti agora. Valeu a pena, não valeu?

Portanto, agora sou eu que te digo: Coragem filha! Vive a vida com alegria e esperança e lembra-te que estamos sempre aqui ao teu lado.

E p'ra Inês não vai nada, nada, nada? 
TUDO!

quinta-feira, 4 de junho de 2015

A "minha" Biblioteca



(Basta clicar na imagem para aceder ao vídeo. Imagens no ínício do programa e ao minuto 6:50 da primeira parte e 7:20 da segunda parte )

Nenhum homem é uma ilha.

No momento em que passam quatro anos sobre aqueles dias loucos e felizes da minha transferência para Évora, apercebo-me do impacto que a...