quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Sorte, sorte...

... é ter a campainha avariada na noite de 31 de Outubro. Mas que parvoíce é esta? Vão mas é para casa, 'arretalhar' as castanhas para assar amanhã. Isso sim, é tradição.

Sabem o que é isto? Falta de identidade cultural. Acabamos com os nossos feriados para importar os dos outros, de preferência com umas compras pelo meio. Somos tão parvos!


Carlos Campaniço

Um dos leitores mais "irreverentes" que esta biblioteca já teve vê agora o seu trabalho merecidamente reconhecido como escritor. Parabéns!





O romance original “Os demónios de Álvaro Cobra”, da autoria de Carlos Campaniço, venceu o Prémio Literário Cidade de Almada 2012. O galardão foi atribuído esta quinta-feira, 25 de outubro, no Fórum Municipal Romeu Correia – Auditório Fernando Lopes-Graça.
 Retirado de: Rádio Planície

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Porque hoje é dia de jogo

«O futebol não tem interesse só pelo jogo. Quando o Sporting perde não tem interesse nenhum»

Manuel António Pina (1943-2012)

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Francisco José Viegas

Francisco José Viegas sai do Governo.

Prefiro falar apenas do que sei. A fusão entre a Direcção-geral dos Arquivos e a Direcção-geral do Livro e das Bibliotecas não é o ideal e parece-me até um retrocesso no longo caminho da distinção de papeis. Porém, antes a fusão do que a mais que anunciada extinção.

Francisco José Viegas defendeu como pôde as bibliotecas. Poderá ter feito muito pouco ou nada para o seu crescimento e desenvolvimento, mas não contribuiu de forma nenhuma para a sua destruição, coisa que parece ser uma proeza para um membro deste governo. Só por isso, muito obrigada. Deu ao acordo ortográfico a importância que ele merecia - nenhuma - chegando mesmo a ridicularizar os papões da sua aplicação.

Discretamente, sem afrontar ninguém, demarca-se e sai do governo. É certo que quase ninguém ouvia falar dele, mas é preciso ver o contexto. Todos os coleguinhas fazem questão de aparecer regularmente a debitar asneiras, pelo que a sua opção pelo silêncio adquire para mim outro valor.

Posto isto, desejo-lhe a melhor recuperação possível, a nível físico e mental, porque estar metido no meio daquele "grupo" deve ser de doidos. Espero vê-lo de volta rapidamente por aqui.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Bem-vindo!


Experiência científica

Até gostava de falar sobre o novo plano maquiavélico (coitado do Maquiavel) do governo para retirar 10% ao subsídio de desemprego, mas cada vez que penso no assunto não consigo evitar a vontade de vomitar, por isso vou ficar por aqui.

Será que não fazemos parte de uma experiência científica qualquer, para testar os limites da paciência e da tolerância no ser humano? Só pode ser. Ninguém é tão absolutamente cruel, desprezível e estúpido como a maioria dos nossos governantes querem aparentar. Não é possível, de todo.
 

Rigor jornalístico 2

Ainda não se sabe se vai sair, a quem e onde vai sair, mas o jornalista garante que na sexta-feira há um 2º prémio para Portugal.

Desculpem, mas é o que está lá escrito!


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A regulamentação legal nas bibliotecas públicas

"A pedido de várias famílias" fica aqui a apresentação de apoio à minha comunicação no 11º Congresso BAD, que decorreu de 18 a 20 de Outubro na Fundação Calouste Gulbenkian.

Uma vez que a temporização era feita por mim à medida que ia expondo os conteúdos, aqui passa-se tudo de forma muito rápida...



Faltava este post


Até sempre. Obrigada pelas palavras, por todas as palavras.

Que farei com este Sporting?

Nada, na verdade. Esperar que a tormenta passe, na certeza da minha fé inabalável.



sábado, 20 de outubro de 2012

11º Congresso BAD

O que se diz depois de três dias como estes? O que se diz sobre um Congresso em que nada correu mal, em que a Organização se fez notar pela forma como tudo funcionou tranquilamente e sem sobressaltos? O que se diz sobre três dias de debate, conversa e intensa troca de ideias entre profissionais de uma mesma área, com objectivos comuns e um sentido de missão que, apesar de todos os condicionalismos externos, insiste em manter-se? O que dizer das aprendizagens, das descobertas, das partilhas? E claro, o que dizer das gargalhadas, das confidências, dos reencontros?

Realização profissional, motivação, criatividade, determinação, companheirismo e amizade. Três dias felizes, é o que posso dizer.
 


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Qual África, qual quê!!! Em Cabeço de vide é que é.

Será uma forma de nos chamarem primitivos? Gostei muito da expressão "estudos encomendados pela Junta de Freguesia (...) para perceber o modelo conceptual destas nascentes". Dá um ar mesmo intelectual...

Oh Sr. Relvas, esta freguesia também é para extinguir? É melhor não, que isto agora "vão vir charters" cheios de cientistas...

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Quando os números começam a ser pessoas

Em Loulé, a cabeça iluminada de uma directora de escola que supostamente estudou psicologia e pedagogia e cidadania e entende o significado de palavras como crise, fome, desespero, proibiu uma criança de cinco anos de almoçar e obrigou-a a ficar sentada ao lado dos colegas enquanto almoçavam, porque os pais não pagaram a mensalidade correspondente até ao dia 9 de Outubro.

Uma das auxiliares ofereceu-se para pagar a refeição do seu bolso, mas a 'Cruela' não autorizou.

Das duas uma. Ou a direcção da escola vive no mesmo universo paralelo onde vivem o Cavaco, o Passos, o Gaspar e o Portas, ou trata-se de um conjunto de seres inqualificáveis e indignos de lidar com crianças.

Parece que, não contentes com a gracinha, reportaram a situação à Comissão de Protecção de Crianças e Jovens. Acho bem, mas espero que os membros desta comissão tomem a atitude correcta e de bom senso: Uma recomendação ao Ministério da Educação para que estas pessoas nunca mais voltem a exercer qualquer profissão no ensino, ou já agora, que envolva o relacionamento com qualquer ser humano.


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Núcleo Sportinguista de Moura



O Núcleo Sportinguista de Moura tem o orgulho de inaugurar hoje, pelas 19h00, a sua Sede Provisória, na Praça Sacadura Cabral. Ao Núcleo, à sua Direcção e aos seus Associados, os votos de maior sucesso. E o Sporting é o nosso grande amor!


Em contagem decrescente





A minha participação mais activa acontece no Sábado, dia 20. Entre as 9h00 e as 10h30 estarei a moderar a sessão 20, subordinada ao tema Profissionais e Instituições, e depois, entre as 11h00 e as 12h30, apresentarei a comunicação "A regulamentação legal das bibliotecas públicas".

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Hoje

Uma boa oportunidade para comprar abaixo do preço habitual em muitos serviços online. A Loja Verde também aderiu ;)


Blá blá blá...



Reduzam o número de deputados, por favor, nós precisamos de mais dinheiro para comprar carros. Só pudemos comprar quatro!

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Para sair da crise: Alternativa 1

- Convém nesta altura avisar os portugueses de que terão de se preparar para pagar muitos impostos no próximo ano. Não concorda, Pedro?
- Oh Vítor, tem toda a razão, eu não diria melhor, muitos impostos... e não vemos outra solução, infelizmente. Não, não vemos outra solução.
- Oh Pedro, mas os portugueses não podem ser sujeitos a tantos sacrifícios, temos de arranjar uma solução.
- Sim, Vítor, mas qual é a solução que propõe?
- Bem, ainda estamos a gastar algum dinheiro com os funcionários públicos... Há muitos que, não só não foram despedidos, como ainda recebem dinheiro que lhes permite alguns luxos, como por exemplo adquirir comida!
- Bem, Vítor, isso é que não podemos permitir. O regabofe acabou. Acabou. Por esta via, ainda me vejo obrigado a dispensar um dos meus vários motoristas, ou pior, deixar de contar com a valiosa colaboração de um ou dois de entre as dezenas, ou mesmo centenas de assessores altamente especializados que enchem os nossos gabinetes, e isso seria uma perda irreparável. Avance com os cortes nos funcionários públicos! Além disso, ainda ficamos com a possibilidade de nomear mais assessores para desempenharem as funções que esses funcionários agora asseguram, o que é sempre uma mais-valia, não é?
- Ok, Pedro assim farei. Primeiro temos de salvar os portugueses, que são um povo tão bom, tão pacífico. Esses funcionários do Estado são uns malvados, é justo que paguem a crise.




Para sair da crise: Alternativa 2



Ainda sobre os deputados

Quando se tornam públicas notícias deste género, é natural que as pessoas embarquem facilmente no populismo de querer ver extinta a única forma de representatividade democrática a nível do governo central.

A questão é que o problema não decorre da existência dos deputados, mas sim da gestão danosa dos dinheiros públicos feita por quem tem essa responsabilidade.
 

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Sobre a redução do número de deputados

Se fosse eu a dizer, era porque tinha a lição bem estudada e tal... mas afinal há tanta gente por aí a pensar o mesmo do que eu. Transcrevo o que diz André Couto no Delito de Opinião:


Vamos a factos porque o tema é delicado: "Portugal já tem hoje o menor número de deputados por habitante de todos os países da Europa Ocidental", como bem analisou o nosso Pedro Correia. O discurso desta redução tem duas fontes: a revolta dos cidadãos com os políticos, sendo os deputados o seu principal rosto, e os movimentos antipartidários e anarcas, que vêem nele uma forma fácil de granjear simpatias. O problema da democracia não está no excesso de deputados, está, quanto muito, no excesso de assessores, motoristas e afins, que ganham o mesmo e, em muitos casos, acrescentam pouco. Um razoável número de deputados garante representatividades às minorias, permitindo um melhor e mais variado debate e expressão de opiniões e sensibilidades não dominantes ou alinhadas. A generalidade dos que defendem a redução do número de deputados ignora que essa seria a melhor forma de perpetuar aquilo que querem combater com essa opinião.

O facto de o PS trazer esta questão a debate assusta-me. Uma medida destas não faz parte da sua espinha dorsal ideológica. O PS defende a pluralidade de opinião e o garante das diversas formas de expressão. Limitar o número de deputados é limitar a voz a outras forças políticas e evitar que novas possam surgir. É secar o debate político e a troca de ideias e fazer com que fique insuportavelmente redondo.
Quantas mais análises faço a qual terá sido o motivo desta iniciativa, pior. Se o objectivo foi o perpetuar do centrão no poder, numa fase em que PS e PSD se sentem ameaçados pelas ruas e pelas sondagens, é lamentável que se esteja a tentar contornar a previsível vontade popular desta forma. Se for uma jogada política para criar conflitos entre PSD e CDS, uma vez que é sabida a dissonância entre ambos quanto a esta questão, preocupa-me que a liderança do PS abdique do seu pensamento para gerar um arrufo, por tacticismo puro. Criar este novo sound bite, lançando este debate profundo na semana em que o Governo anunciou o maior assalto fiscal da história da democracia portuguesa, é um valente tiro nos pés. Nem votos renderá porque, nesta altura, as pessoas estão iradas com as medidas que não pensam em mais nada que não seja o combate às mesmas.
PS. Faria bem mais sentido que o PS desse cobertura ao sentimento popular abrindo a Assembleia da República à possibilidade de candidaturas de movimentos de cidadãos, algo expressamente vedado pela Constituição. Isso sim seria liderar a reforma da nossa democracia e abraçar a sensibilidade e a descrença das pessoas.

Repito o que disse há dias numa conversa de Facebook a este propósito: Experimentem eliminar os deputados todos. Nada como uma ditadurazita para se apreciar devidamente a democracia.
 

Em coma e outros estados menos conscientes

O meu Sporting anda a abusar na anestesia e eu já estou quase em coma. Vai daí, neste estado semi-letárgico e nebuloso que é a "quase inconsciência", ouvi falar do Presidente da República, que deve ser do Belenenses ou do Boavista, porque já está em estado pré-comatoso há imenso tempo.

Diz ele que está preocupado com a situação económica do país, que acha que os empresários vão passar um mau bocado e que o povo está descontente e até já se manifesta nas ruas.

Ora, vê-se logo que o meu "quase coma" é muito mais recente, ou muito mais leve, porque apesar de ocupar algum tempo da minha vida a ouvir relatos de futebol, até eu - pobre ignorante que não é licenciada em economia -  tenho a consciência de que os empresários estão condenados (except the big ones), que o país está moribundo e que a população está sufocada há muito tempo e a dar sinais cada vez mais óbvios de uma revolta que acabará por estalar.

Talvez porque a minha formação de base seja História, parece-me - mas isto é só uma opinião insignificante - que as grandes crises só se ultrapassaram com:

  1. Mudanças estruturais no governo do país
  2. Investimento e produção 
Que Cavaco Silva nada tem de Mestre de Avis nem de Fontes Pereira de Melo (embora eu ache que ele se julga uma espécie de Marquês de Pombal, mas só com aquela parte da pose de Estado), já nós sabíamos há muito tempo. Prova-se agora, de cada vez que abre a boca, que também não se assemelha em nada ao Padre António Vieira.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O estado da Nação.


Esta é a mesma República cujo centenário foi celebrado há apenas 2 anos, com pompa, circunstância e muitos, muitos milhares de euros. Os mesmos que a enalteceram há apenas 731 dias, olham agora embevecidos para a bela porcaria que estão a fazer.

Há detalhes que dizem tudo, e há imagens que valem mais do que os milhões de palavras que têm sido ditas e escritas sobre o estado a que chegou este país: De pernas para o ar, e com os culpados todos a assistirem de camarote. Todos não.  Os mais covardes fugiram para Paris, ou para Bruxelas, ou para... (onde é que ele se escondeu hoje?) ah, pois, Bratislava. 
  

Sobre ontem. E hoje. E provavelmente Domingo.


Entra-me nestas alturas uma espécie de anestesia que não sei explicar. É inversamente proporcional à forma entusiasta (doentia, dirão alguns dos meus amigos) de acompanhar habitualmente o Sporting.

Ontem foi um dia cão, por razões não futebolísticas. Por isso, atrasei-me a ligar o telemóvel. Disse à amiga que estava comigo, "Vou mas é ouvir o meu Sporting, já está a jogar e eu hoje preciso de conforto". Pensei que não tinha ouvido bem. 2-0? Naaaa. É brincadeirinha dos senhores da Antena 1, só pode!

"Estes tipos não gramam o Sporting, estão a dizer que já devia estar a perder por 2-0..." Tentei sintonizar a Renascença, não se ouvia nada. TSF, nada. Voltei à Antena 1. 3-0. Desliguei o telemóvel.

"Então, não consegues ouvir?"

"Consigo, estamos a perder por 3-0 com um clube que tem nome de jogos de consola."

E pronto. Entrou a anestesia em acção. Já não temos o Sá Pinto. Tenho muita pena, aqui da minha insignificânica envio-lhe um abraço sentido e grato por tudo o que fez e continuará a fazer pelo Sporting. Um coração de leão não se apaga nunca, apenas se adormece às vezes, nem que seja anestesiado.


Ps: No Domingo prometo ligar o telemóvel a horas.
   

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

É já amanhã!


E eu vou estar lá a assistir! Ao vivo!

616.899

A CDU - Classificação Decimal Universal, que é a tabela de classificação mais utilizada pelas bibliotecas em quase todo o mundo, tem umas coisas muito engraçadas. Vejam só o que é incluído na classificação 616.899 :

(...)Percepção entorpecida (...) Débil mental. Imbecilidade. Idiotice. Cretinismo.

Se fosse a versão ilustrada, aposto que trazia uma fotografia do António Borges.
 

Muito estúpidos mesmo!

Não sou especialmente fã de Miguel Sousa Tavares  mas parece-me suficientemente bem explicado para que os génios da economia em Portugal possam entender.




YALE, CAMPO DE OURIQUE
Miguel Sousa Tavares (in Expresso, 29/9/2012)

Quando o Governo subiu o IVA de 13 para 23% na restauração, António, temendo as consequências da subida de preços no seu pequeno restaurante de Campo de Ourique, resolveu encaixar ele o aumento, sem o repercutir no preço das refeições. Aguentou até poder, mas mesmo assim a clientela começou a baixar lentamente: parte dela, que lhe assegurava umas trinta refeições ao almoço e metade disso ao jantar, era composta por funcionários públicos, que trabalhavam ali ao lado e cujos salários e subsídios tinham diminuído, com a medida destinada a satisfazer as condições do "ajustamento" da economia.

Quando reparou que Bernardo, um cliente fiel e diário, tinha passado a frequentar os seus almoços apenas três vezes por semana, António tomou aquilo como sinal dos tempos que ai vinham: sem outra alternativa, despediu a ajudante de cozinha, ficando apenas ele e a mulher no serviço de balcão e mesas e, lá dentro, um cozinheiro sem ajudante. Mas a seguir notou que também Carolina e Deolinda, que vinham almoçar umas três vezes por semana, agora vinham apenas uma e pouco mais comiam do que saladas ou ovos mexidos. Em desespero, teve de subir os preços e Eduardo, um reformado cuja pensão tinha diminuído, desapareceu de vez. Foi forçado a cortar drasticamente nas compras a Francisco, o seu fornecedor de peixe, e a atrasar-lhe os pagamentos: com cinco outros restaurantes, seus clientes, na mesma situação, Francisco viu o seu lucro reduzido a zero e optou por fechar a sua pequena empresa e inscrever-se no Fundo de Desemprego.

Mais tarde, quando Gaspar, o ministro das Finanças, anunciou mais um aumento do IRS e declarou que o "ajustamento" não se faria através do consumo interno, também Bernardo desapareceu para sempre e, depois de três meses sentado na sala vazia, dando voltas a cabeça com a mulher e tendo ambos concluído que já era tarde para emigrarem, António tomou a decisão mais triste da sua vida, encerrando o restaurante Esperança de Campo de Ourique e indo os dois engrossar também o rol dos desempregados a conta do Estado.

Apesar de ter gasto parte, agora importante, das suas poupanças de anos a anunciar o trespasse, António não conseguiu que ninguém lhe ficasse com o estabelecimento e não lhe restou alternativa senão entrega-lo ao senhorio Henrique, para não ter de pagar mais rendas. Quando desabou, demolidor, o novo aumento do IMI, já Henrique tinha desistido de conseguir alugar o espaço ou mesmo vender o imóvel: não pagou e deixou que as Finanças lhe levassem o prédio.

Assim se concluiu, neste pequeno microcosmos económico de Campo de Ourique, o processo de "ajustamento" da economia portuguesa: vários trabalhadores reconvertidos a marmita, cinco outros desempregados, duas pequenas empresas encerradas e um senhorio desprovido da sua propriedade.

Nessa altura, Gaspar, Rufus e Selassie deram-se conta, com espanto, de várias coisas que não vinham nos livros: que, apesar de aumentarem sistematicamente a carga fiscal, podia acontecer que a receita do Estado diminuísse; que os sacrifícios sem sentido implicavam mais recessão e a recessão custava mais caro ao Estado, sob a forma de mais subsídios de desemprego a pagar; que uma e outra coisa juntas não tinham permitido, ao contrário das suas previsões, diminuir o défice ou a dívida do Estado; e que o que mantinha o país a funcionar não eram as grandes empresas e grupos económicos protegidos, nem sequer os 7% de empresas exportadoras, mas sim os 93% de empresas dirigidas ao mercado interno, que respondiam pela esmagadora maioria dos empregos e atendiam as necessidades da vida corrente das pessoas comuns.

E, passeando melancolicamente nos jardins de Yale, numa chuvosa manhã de Thanksgiving, Rufus e Selassie deram com um velho cartaz colado a uma parede, desde os tempos da primeira campanha eleitoral de Bill Clinton: "É a economia, estúpidos!".

Informação supostamente rigorosa


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Estrela da manhã

Numa qualquer manhã, um qualquer ser, vindo de qualquer pai, acorda e vai. Vai. Como se cumprisse um dever. Nas incógnitas mãos tran...