quinta-feira, 25 de março de 2021

Biblioteca Pública de Évora: 216 anos

 https://scontent.fopo2-2.fna.fbcdn.net/v/t1.0-0/p526x296/164606799_10159420488095746_1054009775542892851_o.jpg?_nc_cat=108&ccb=1-3&_nc_sid=730e14&_nc_eui2=AeGSIWKl21OAaEYewbe_rGjopG0ShM2m4jOkbRKEzabiM1k0aneuyK8XQl0OlCLvSaAWXZ_u2p7-oSbQK97eOJP7&_nc_ohc=ZhyAhGbiRw8AX8-PVN_&_nc_ht=scontent.fopo2-2.fna&tp=6&oh=bec066d86bc2eefbf2667c5b2a398bda&oe=60873425

Bom dia! Sejam bem-vindos à Biblioteca Pública de Évora!
 
Comemoramos hoje 216 anos de existência. Celebramos a vida da mais antiga Biblioteca Pública portuguesa, a primeira que abriu com a intenção de partilhar e divulgar conhecimento para toda a comunidade, para todos os que nela procuram crescer, evoluir, melhorar.
 
É um aniversário singular, celebrado num contexto pandémico que não nos deixa festejar em conjunto, ver, tocar e percorrer os labirínticos comboios de livros, descobrir maravilhas e conversar sobre livros, leituras e pessoas. Mas é-o também porque fecha um ciclo difícil de dois anos em que foi necessário encerrar ao público, para realização das obras de reabilitação do edifício, resultado de um investimento inédito nesta Casa.
 
Foi um processo verdadeiramente penoso. Vários meses envoltos numa nuvem de pó, a retirar livros das estantes, encaixotar e selar caixas, empilhar e vê-las sair do edifício: 3247 caixas de livros.
Na Biblioteca permaneceram apenas os documentos da Casa Forte, onde não houve intervenção, e os livros do serviço de empréstimo domiciliário, do qual nunca pensámos abdicar. Mas também esses livros (aproximadamente 70.000) tiveram de ser movidos, do lugar onde se encontravam para o piso intermédio do depósito da Sala Filipe Simões. Foram centenas de vezes em que todo o pessoal foi convocado para “fazer comboio”, passando de mão em mão sacos de supermercado carregados de livros, sempre pela mesma ordem, da estante de origem à estante de destino, para garantir que encontraríamos os livros que os nossos leitores nos pedissem.
 
Durante a obra, em cenário quase digno de um filme de guerra, voltámos a carregar sacos por entre os andaimes, com as reservas pedidas pelos leitores e com as devoluções de cada dia. Nada lamentamos, antes pelo contrário. Foi um orgulho, para todos, termos conseguido assegurar o serviço.
 
Em maio de 2020 iniciámos o trabalho de re-arrumação. Antes de voltar a receber e abrir caixas, limpar os livros e colocá-los no sítio, foi também necessário pensar a Biblioteca, redistribuir espaços, conseguir criar condições para guardar tudo o que temos e trazer de volta à BPE a documentação acumulada nos antigos celeiros da EPAC – entretanto totalmente esvaziados – e deixar espaço livre para mais uns anos de funcionamento.
 
Este processo, que ainda está em curso, porque implica que várias condições estejam preenchidas, irá prolongar-se ao longo de vários anos: não basta arrumar, é preciso catalogar. Se não estiverem pesquisáveis, os nossos livros não existem para os utilizadores. Esse é um verdadeiro “buraco negro” que precisamos colmatar.
 
Para que a reabertura fosse possível, tivemos que nos focar nos espaços públicos, como as salas de leitura e os espaços de circulação. Mas a máquina continua a trabalhar no interior, devolvendo os livros aos seus lugares, já devidamente catalogados, revistos, cotados, em suma: disponíveis. Tudo isto graças ao trabalho incansável de uma equipa reduzida, mas de um empenho e dedicação absolutamente notáveis, a quem deixo o meu reconhecimento e gratidão.
 
Dadas as circunstâncias, este aniversário assinala também um recomeço. Retomamos o funcionamento, reiniciamos as atividades, planificamos o futuro.
 
Por isso, decidimos dedicar este dia a esse futuro, próximo, que estamos a construir. Durante as próximas horas daremos conhecimento de atividades, processos de trabalho interno, formas de relacionamento com o público, que estamos a lançar ou a retomar. Daremos também voz e rosto às pessoas que fazem esta Biblioteca, do lado de cá.
 
Fique connosco, acompanhe-nos neste dia e conheça o que estamos a preparar para si. Não esqueça que a peça mais importante da Biblioteca são as pessoas, os seus utilizadores. Tudo isto que fazemos só terá sentido consigo, com a sua presença, com a utilização dos serviços, a exigência para que possamos melhorar continuamente. 
 
Juntos, poderemos transformar a mais antiga Biblioteca Pública Portuguesa na Melhor Biblioteca do mundo!
 
Longa vida à BPE!
 
Évora, 25 de março de 2021
Zélia Parreira
Diretora da BPE
 

quinta-feira, 11 de março de 2021

Planeamento estratégico

 https://scontent.fopo2-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-0/p526x296/161699001_4234088779957751_1638310629727351217_n.jpg?_nc_cat=102&ccb=1-3&_nc_sid=730e14&_nc_eui2=AeFQKhCQbI1NTcNpF1SRLZoi-SYF5kd20TH5JgXmR3bRMR5_SGcvI7PKyatwfFQOR3A0OxcwFQ1vN8UhMSDWSv5w&_nc_ohc=pgBvNwuTqp0AX_H9qGt&_nc_ht=scontent.fopo2-1.fna&tp=6&oh=6d550a49c45d9b7d66610147f4dd9234&oe=60883E33

 

Tudo é pensado com antecedência, mas feito de forma a dar o ar de ter sido “por acaso”. “Calhou”. “Foi uma oportunidade que surgiu”. Mas desenganem-se. Há estratégia nisto.
 
A conta gotas, os trabalhadores da Biblioteca Municipal Urbano Tavares Rodrigues, em Moura, foram sendo deslocados. As suas qualidades e competências faziam falta noutros sítios. Que tinham qualidades e competências, já eu sabia, era por essa razão que estavam na Biblioteca, a desenvolver um trabalho de qualidade, que várias vezes colocou Moura no mapa.
 
Mas enfim, são prioridades. Calmamente, ficámos à espera de ver quem vinha para os substituir.
Da primeira vez, ninguém. Mau…
Da segunda, também não. Ai, tu queres ver...?
Nem da terceira, nem da quarta, nem de nenhuma. Dos catorze que lá deixei, restam 8. Cinco estão nos pólos que ainda não fecharam, entregues a si próprios, e 3 em Moura. 
 
O pólo da Póvoa de S. Miguel está fechado. Enfim, deixo à vossa consideração a elaboração de justificações. O pólo de Santo Aleixo já fechou e já reabriu, mas a funcionária que lá está nunca recebeu qualquer formação. Também para quê, não é? Dizem que trabalhar numa biblioteca é estar p’ra ali sentado, a ler livros o dia todo. A rapariga a esta hora, certamente cheia de boa vontade, já os deve ter lido todos.
 
Isto de ler os livros todos faz-me lembrar um Presidente de Câmara a quem o Bibliotecário apresentou uma proposta de aquisição de livros novos, para actualizar o fundo documental, e que respondeu: “Mas porquê? Já leram aqueles todos?”. Bem, em Moura, nem esse argumento resulta. Não há livros novos porque não há dinheiro. Mesmo o dinheiro que sobrou da Feira do Livro que não se fez, da Biblioteca que não se faz, por decisão assumida do Executivo, do gasóleo que não se gasta na carrinha Semeando Leituras, do desinvestimento total na cultura, mesmo esse, não dá para comprar livros.
De um concelho que constituía um exemplo raro de envolvimento de toda a comunidade na criação de leitores, concretizado na iniciativa Padrinhos de Leitura, nada resta. Tudo em branco, não é só a Biblioteca. Concertos? Em branco. Teatro? Em branco. Espectáculos diversificados, para diferentes públicos? Em branco. Exposições? Em branco. Conferências, colóquios, debates? em branco. Uma longa noite em branco.
 
Antes, pelo menos, assumia-se que era uma opção de gestão. Agora, a pandemia serve de desculpa para tudo. Até para ter a Biblioteca fechada. Na semana em que todos voltámos ao contacto com os nossos leitores, em que o Governo deu autorização de abertura a Bibliotecas e Arquivos por serem considerados de interesse prioritário (tal como no primeiro confinamento), Moura continua a atender ao postigo, sob marcação. Nunca mais reabriu, desde Março de 2020. Mas não é por causa da pandemia. É porque já quase não há quem abra a porta, quem assegure os turnos para cobrir o horário de funcionamento e quem continue o trabalho interno que precisa de ser feito.
 
Portanto, querida pandemia, lá está tu a encobrir o desinvestimento estratégico, a alienação estratégica de recursos humanos e o apagamento estratégico da Biblioteca e das iniciativas que desenvolveu ao longo de quase vinte anos. Por tua causa, só por tua causa, a Biblioteca não reabre. Nem é porque não tem pessoal, nem é porque não há livros novos, nem é porque se quer apagar da memória a Feira do Livro, os Padrinhos de Leitura, o Semeando Leituras, a pioneira Rede Concelhia de Bibliotecas, com o que foi o primeiro catálogo colectivo concelhio do país, não é por nada. É só por causa da pandemia.
 
Legenda da foto (retirada da página de facebook da Biblioteca Municipal de Moura): A Biblioteca a que temos direito hoje.

Biblioteca Pública de Évora: 216 anos

  Bom dia! Sejam bem-vindos à Biblioteca Pública de Évora!   Comemoramos hoje 216 anos de existência. Celebramos a vida da mais antiga Bibli...