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A mostrar mensagens de Agosto, 2015

Books change lives ou o alimento para a alma

Podia dizer aqui tanta coisa, a começar pelo facto de isto ser a prova de que uma biblioteca é o que "Faz" e não o que "É", mas vou deixar isto para outro dia.

No  meio do campo de refugiados em Calais nasceu uma biblioteca. E funciona. Não tem um edifício com projecto de arquitectura premiado nem estantes homologadas. Tem livros que nasceram de doações porque, e tomem bem atenção às palavras que se seguem, "a biblioteca é um dos serviços considerados essenciais que é prestado com base no voluntariado". Eu vou repetir para os mais desatentos: a biblioteca é um serviço essencial, mesmo numa situação limite como é um campo de refugiados.

A sua criadora, uma professora britânica, não precisou de um único cêntimo dos muitos milhões que já foram disponibilizados para construir muros que vão separar os europeus do resto do mundo. Precisou apenas de vontade para "começar algo que pudesse oferecer ajuda real e prática". Além do serviço de leitura, a bib…

Entre as brumas da memória

Se vivessemos num país a sério,  todos os portugueses saberiam o que se comemora hoje. Todos conheceriam a importância deste dia para a nossa História,  para a nossa cultura,  para tudo o que Portugal viveu e foi desde este mesmo dia, há 600 anos atrás.  Mas não vivemos num país a sério e o sentimento de orgulho que deveria encher-nos o peito hoje foi substituído por uma imensa e dolorosa vergonha pela ignorância,  insolência,  absoluto desrespeito e falta de sentido de Estado e até de patriotismo de quem nos governa.

Há 600 anos fomos maiores que o mar, maiores que o mundo que haveriamos de dar a conhecer e partimos para a construção de uma nova era. Há 600 anos engrandecemos Portugal e demos o primeiro passo na construção de um Império.  Há 600 anos, num dia como o de hoje, conquistámos Ceuta, a chave do Mediterrâneo.

Citando o jornal Público de hoje:

Na madrugada de 21 de Agosto de 1415, quando o sol começou a nascer, os habitantes de Ceuta podiam ver na linha do horizonte que se p…

Bibliotecária de plantão III

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Com direito a reportagem fotográfica e tudo!




Manual de (sobre)vivência para adultos

Nota prévia:
Este texto não é da minha autoria. Subscrevo e considero-o muito pertinente. Copiei-o daqui.


O que é importante ouvir nem sempre é agradável. Transmitimos-lhe 20 factos dos quais certamente será bom que se consciencialize mas que lhe deixarão um gosto amargo.

1. Os seus pais estarão cada vez mais distantes. Ainda quererão que você faça o que eles querem que faça. Está tudo bem, você não tem que o fazer. Você não é obrigado. Você acabará por chegar a um ponto em que, na verdade, saberá melhor que os seus pais – e não há nada de errado com isso. Acontece.

2. Não só o mundo já não gira à sua volta – como nunca girou.

3. Haverá pessoas que irão ver o seu desconforto ou dor e não se irão importar, e pensarão que você merece, e sentir-se-ão divertidas ou excitadas com isso.

4. As pessoas não lhe devem a sua ajuda.

5. Você não está sob qualquer obrigação de permanecer numa relação com alguém que o tenha prejudicado, mesmo que seja um dos seus pais ou companheiro, ou mesmo que sej…

Bibliotecária de plantão II

Depois de registarmos os livros que vai requisitar, fica a falar comigo. Tem 6 anos e uma conversa que nunca mais acaba. Agradece o marcador de livros que lhe ofereço, diz que é uma grande ajuda porque "às vezes o pai chama para jantar" e ela ainda não acabou de ler.

Nem sei bem como, a conversa foi parar à Casa-forte de BPE. Explico-lhe o que é e digo-lhe que só eu tenho a chave e o código secreto. Não resisto e levo-a lá. Nem um metro de gente, ajuda-me a empurrar a porta pesada e mal entra, deixa escapar: "Este é o sítio mais fixe do mundo!".

Bibliotecária de plantão

Pelo terceiro dia, estou de serviço na portaria da Biblioteca. O reduzidíssimo quadro de pessoal e a necessidade de gozo de férias a isso obrigam. Não pensem que estou contrariada, muito pelo contrário. Estou até a considerar a hipótese de me mudar definitivamente para este posto. Ok, então só algumas manhãs ou tardes!

Há quem se surpreenda por me ver aqui. "Então, mas a bibliotecária é que está ao balcão?" ou "Não esperava nada encontrá-la aqui" estão entre as muitas reacções de surpresa destes dias, o que me tem feito pensar no que as pessoas esperam de um bibliotecário.

Na minha opinião, não se é melhor profissional por estar fechado no gabinete, afundado em reuniões e despachos. É aqui, no terreno, a meter as mãos na massa, que se aprende e se evolui. É aqui que tudo se passa e que verdadeiramente sentimos o pulsar da biblioteca. Atendemos os leitores, acolhemo-los na nossa casa e percebemos as suas preferências e as suas dificuldades. Estabelecemos laços, cria…

Da desilusão

Que fazer quando nos desiludimos? Quando percebemos os interesses ocultos por detrás de atitudes, gestos e palavras? Quando, depois de todo o investimento em tempo, emoções e sentimentos,  percebemos que era uma rua de sentido único?  Quando as palavras que são ditas à nossa frente com sorrisos contrariam as acções que os nossos olhos vêem praticar, ou pior ainda, que são praticadas longe dos nossos olhos?
E que fazer quando nos desiludimos connosco? Quando quebramos a promessa mil vezes feita? Quando cedemos ao que sabemos não ter pernas para andar e pior, quando deitamos orgulhosamente fora o que nos fazia tão felizes? 
Que fazemos com a desilusão?  Choramos a nossa,  encolhemos os ombros com a fatalidade da desilusão que causámos e seguimos em frente. Levamos a bagagem mais leve, porque ficam para trás aqueles em quem já não confiamos. 
Assim mesmo. Com crueldade e frieza. Dizem que se chama sobrevivência. Talvez seja só desumanidade, a desilusão da humanidade.