sexta-feira, 27 de junho de 2014

Amanhã, às 18h30, na BPE!


Apresentação do autor e do livro a cargo de Mário Rufino (jornalista do Público) e José Russo (actor).




"E assim nasce um excelente escritor.

“Mal Nascer” (Casa das Letras) confirma a capacidade de Carlos Campaniço (Safara; 1973) em criar personagens marcantes e ambientes envolventes. A possibilidade de “Os Demónios de Álvaro Cobra” ser um sucesso irrepetível é negada por “Mal Nascer”. Não há realismo mágico, nesta obra, mas existe o mesmo labor na escrita, igual complexidade psicológica das personagens, um ambiente sugestivo e um enredo capaz de seduzir o leitor.

Em tempos de contenda entre liberais e absolutistas, o Doutor Santiago Barcelos regressa à aldeia onde passou a sua dura infância. Vindo de Lisboa, o médico foge de ameaças de morte e da obsessão de uma mulher. Na aldeia, onde lhe semearam ódios, não há espaço para nada além da sobrevivência. O pouco de dignidade existente é património dos mais abastados, personificados por Albano Chagas, e da igreja. Os outros sofrem devido à fome e obedecem aos que ostentam riqueza.

Com início no regresso do médico Santiago Barcelos, que substituiu o apelido paterno de Bento por o apelido do padrinho Barcelos, Carlos Campaniço constrói a narrativa em dois tempos intercalados (infância/juventude e idade adulta). O passado mais remoto é um afluente da acção principal. O autor alentejano conta a causa para exponenciar os efeitos dramáticos da consequência. A razão de Bento em se manter escondido noutro nome reside em acontecimentos dramáticos acontecidos na sua infância. O todo-poderoso Albano Chagas impõe que  Santiago e os seus amigos assumam uma culpa inexistente devido a um acidente que vitimou o seu primogénito.

O leitor assiste tanto à evolução do problema (passado) como da resolução (presente).
Apesar de já terem passado muitos anos após a sua partida, Santiago reconhece o ambiente inabitável da sua infância, onde a inocência morreu perante a violência doméstica. A sua ingenuidade infantil deu lugar às dores dos dias de trabalho, e o riso das brincadeiras foi trocado pelos seus lamentos de criança num hostil mundo de adultos embrutecidos.

“Não posso impedi-lo, nem sei se a minha mãe sobreviverá a mais esta bestialidade. A última vez que lhe supliquei para que não lhe batesse arriou-me como nunca, com mais força ainda com que lhe batia a ela. Levo as lágrimas postas num rosto de infortúnio e parece não ser curiosidade para ninguém, porque não há um único que me pergunte sobre o sucedido” Pág. 61

Ele foi obrigado a crescer demasiado depressa. O ódio foi aumentando dentro do seu peito. Mas, ao contrário de Álvaro Cobra, personagem do anterior romance de Carlos Campaniço, o protagonista suplanta a pobreza e a miséria moral. Ao tornar-se médico, é aceite pela mesma classe social que mantém a maioria da população na pobreza.

Os habitantes não reconhecem no médico a criança pobre que ele fora. É tempo de ajustar contas com o passado. Mas apesar de tudo o que não fizeram por ele e pela sua mãe, Santiago cura as pessoas das respectivas doenças. E se não o fizeram é porque a dor de muitos deles não era menor. A culpa pesa como uma cruz nas costas de um povo condenado a viver com a perda e a solidão.

O enredo montado possibilita diversos desenvolvimentos da acção e aprofundamentos na caracterização psicológica das personagens secundárias. No entanto, Carlos Campaniço opta por não desenvolver tanto quanto poderia. A narração numa primeira pessoa possibilita o conhecimento mais aprofundado da psique dos intervenientes principais, mas impõe limitações no progresso dos “subenredos”. Em consequência, a perspectiva do leitor é mantida no essencial à condição de logro e de dominado pelo ódio em que se encontra o Dr. Santiago Barcelos.
De certa forma, Santiago é cativo daquela aldeia: o ódio prende-o ao passado e o amor por Sebastiana, sua assistente no consultório, prende-o ao presente. Ele terá de escolher um caminho.

Carlos Campaniço continua a demonstrar a qualidade já presente em “Os Demónios de Álvaro Cobra”. A sua temática tem-se construído, até agora, assente em assuntos como a luta entre classes sociais, a pobreza como influência decisiva na formação do ser humano e sobre o poder do Clero na Moral e nos costumes.

A prosa de “Mal Nascer” e de “Os Demónios de Álvaro Cobra” tem o humanismo de Ferreira de Castro.

“Mal Nascer” , finalista do Prémio Leya, é mais uma importante obra no surgimento de um autor com muita qualidade na Literatura Portuguesa: Carlos Campaniço.

Mário Rufino"

terça-feira, 17 de junho de 2014

Simples

"Futebol: Terra a enlouquecer"
 Opinião de um menino de 8 anos 
(in Deus é amigo do homem-aranha, de Maria Inês Almeida, p.167)

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Campeões! Outra vez!

Desde já e antecipadamente peço desculpa pela ousadia de assumir a minha condição de sócia e adepta do Sporting Clube de Portugal a todos os não-sportinguistas, a todos os intelectuais que acham que quem é adepto de um clube é um ignorante alienado da realidade, a todos os que enchem os murais do facebook com frases feitas de autoria duvidosa mas que não aguentam ouvir falar de futebol (ou futsal ou outra modalidade), aos comentadores da RTP que ainda devem estar em choque a estas horas, etc.

Então, com as devidas licenças e na esperança de me safar à fúria habitual nalguns comentários, aqui fica a fotografia do meu Sporting, bi-campeão de futsal.

"E o Sporting é o nosso grande amor!"


E já agora, um recadinho aos adeptos do Fundão: Nós também temos pavilhões. O vosso, por exemplo, também é nosso, porque sendo municipal (e cedido pontualmente ao vosso clube), é pago com o dinheiro de todos os contribuintes. 

domingo, 15 de junho de 2014

É a vida...

Passei pelo sector dos livros naquele grande supermercado que instala uma horta no centro de Lisboa. O filho choramingava e a mãe dizia "Só um! Lês mais devagar, não precisas de ler isso tudo a correr".

A minha filha mais velha ainda me atirou com um olhar de atravessado, mas ganhou as mesmas. "Na Biblioteca são de graça e pode trazer cinco de cada vez".



sexta-feira, 13 de junho de 2014

Inauguração amanhã, às 19h30, em Moura

Fotografia de Rui Ferreira (Moura)

Só para os mais distraídos, aqui fica a imagem deste edifício antes da intervenção:


quinta-feira, 12 de junho de 2014

Os polícias dos animais

Quando chegou à nossa casa, o Stromp devia ter dois meses e pouco. Agora já tem 4 anos e meio. É meigo, dedicado e absolutamente chanfrado. Salta, corre, vai e vem, não consegue conter a alegria quando lhe abrimos a porta do quintal e o deixamos entrar em casa.

Depois acalma. Estende-se no chão "à frango de churrasco", com as patas todas abertas e estendidas. Ultimamente adoptou uma nova posição preferida: cruza as patas da frente, muito atento enquanto as de trás ficam completamente estendidas.

Uma amiga encontrou-o na rua e trouxe-o para a nossa casa, de onde já não saiu. A veterinária diz-nos que lhe parece ser Épagneul Bretão traçado, mas não deixa de ser um cão de rua, sem pedigree, fiel, brincalhão, alegre e irreverente.

Ontem, como desde há coisa de 3 anos, deixámo-lo sair sozinho. Dá a sua voltinha e vem ver se estamos no mesmo sítio. Confirmada a nossa presença, volta a sair e dá o seu passeio. Quando lhe apetece, volta para casa. Já se demorou mais do que o habitual 2 ou 3 vezes, mas nunca falhou. Até ontem.

É que ontem, uma amiga dos animais com excesso de zelo deu por ele na rua e resolveu chamar a protecção civil, que accionou os serviços municipais para recolherem o cão. À hora a que chegou ao canil já a fotografia dele andava de facebook em facebook e nos sites de animais perdidos. Nós andávamos de rua em rua à procura dele.

Não pregámos olho a noite toda. Àquela hora já não contactámos o canil municipal, mas fizemo-lo hoje de manhã. Sim, havia um cão que correspondia à descrição. Só o consegui levantar ao início da tarde, mas tive de pagar uma taxa pelos serviços prestados.

Fiquei hoje a saber que é proibido deixar circular um cão sem trela. Triste mundo este, em que já nem os cães podem passear. A partir de agora cumprirei a lei, pois claro.

Entretanto, quero agradecer aos amigos dos animais que impediram o meu cão (com coleira e bem cuidado, como fazem questão de referir) de regressar a casa, obrigando-o a passar a noite num cubículo no canil. Agradeço também a noite em claro e o alívio na carteira.

Agora sem qualquer ponta de ironia, agradeço ao pessoal do Canil Municipal de Évora pelo trabalho que desenvolvem. Aqueles animais não têm mais ninguém. Obrigada.

Adenda: Há cerca de uma semana que, nesta mesma zona, anda um cão grande a vadiar. Está sujo e visivelmente triste. Curiosamente, ainda ninguém o mandou recolher.

O Stromp, "visivelmente perdido".





segunda-feira, 2 de junho de 2014

Oficina dos cadernos

Convido todos os meus amigos e amigas a gostarem desta página e a adquirirem cadernos, agendas e outras preciosidades. As mãos que fazem estes trabalhos têm ajudado imenso no reacondicionamento de muitos documentos que a Biblioteca Pública de Évora tem à sua guarda. O mais incrível é que esta perfeição de trabalho é feita diariamente na BPE a título voluntário!

Há pessoas espectaculares e esta jovem é uma delas.



Nenhum homem é uma ilha.

No momento em que passam quatro anos sobre aqueles dias loucos e felizes da minha transferência para Évora, apercebo-me do impacto que a...