terça-feira, 30 de junho de 2009

Férias (por assim dizer)

Pois, isto tem estado difícil... Têm sido dias preenchidos, não há muito tempo para vir aqui, mas já tinha saudades.

Começaram as férias escolares e as inevitáveis festas de fim de ano. Já estou a acabar este ciclo, o próximo ano deve ser o último, mas já ando nestas andanças desde que a minha sobrinha Carolina entrou para o Jardim de Infância. Agora, quando o Pedro terminar o 2º ciclo, vamos ter uma pausa, até que a minha outra sobrinha, a Mafalda, mais conhecida por Bá, comece o seu percurso escolar.

A festa da EB 2,3 foi engraçada, gostei muito de ver o Pedro e a Mariana tocar e cantar com os amigos. Foi a última vez que a turma da Mariana esteve junta. Era um grupo muito unido, uma turma de gente cheia de energia (os professores exaustos que o digam), mas inteligentes e sobretudo, muito interessados. Tenho pena que esta turma se separe, mas é inevitável. Desejo a todos, e à minha filha em particular, as maiores felicidades para o futuro, nunca percam a determinação.

As férias já chegaram, mas as minhas são peculiares: estou a aproveitá-las para dar formação em bibliotecas escolares no Liceu Diogo Gouveia em Beja, a pessoal não-docente. É um grupo de 25 funcionários bastante interessados. É muito, muito cansativo, porque são muitas horas diárias, sempre a trabalhar intensivamente. Mas vale a pena, no próximo ano lectivo estas pessoas estarão mais motivadas e confiantes, e perceberão a razão de ser de muitos procedimentos "obrigatórios".

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Ser bibliotecário

É frequente perguntarem-me se gosto daquilo que faço. Sim, gosto muito. Confesso que vim aqui para por uma série de (felizes) coincidências, ou talvez fosse o destino, não sei. Mas se pudesse voltar atrás, e com conhecimento de causa, seria esta a profissão que escolheria.

Para eventuais descrentes, aqui fica um texto que me enviou há uns tempos, o meu professor Dr. José António Calixto, director da Biblioteca Pública de Évora:


Porque todos devem cair de joelhos
e adorar um(a) bibliotecário/a


OK. Pois. Todos temos as nossas ideias preconcebidas do que é ser bibliotecário e do que eles fazem o dia todo. Muitas pessoas pensam nos bibliotecários como funcionários públicos de estatuto menor, esgueirando-se por todo o lado, a fazer "ssssh" constantemente, para não falar de selar e carimbar coisas a torto e a direito.

Ora... pensem melhor!

Os Bibliotecários têm licenciaturas e pós-graduações em ciências da informação e, muitas vezes, mestrados em Sistemas de Dados e Interface Homem/Computador, gestão da informação, promoção da leitura, etc.

Os bibliotecários podem catalogar tudo o que existe entre um alho e a orelha de um cão. Podem catalogá-lo a si.

Os bibliotecários controlam poderes inimagináveis. Com um leve torcer do pulso a sua tese de doutoramento desaparece por trás de 50 anos de "Crónica Feminina", para nunca mais ser encontrada. Podem descobrir informação para o seu trabalho final que nem você sabia que existia. Podem até guiá-lo para novos e mais apropriados temas de investigação.

As pessoas tornam-se bibliotecários porque sabem demais. O seu conhecimento estende-se muito para além das meras categorias. Não podem ser confinados a meras disciplinas. Os bibliotecários sabem e conhecem tudo. Eles dão ordem ao caos. Dão cultura e sabedoria às massas. Preservam todos os aspectos do conhecimento humano.

Ser bibliotecário é fixe. E dão cabo do canastro a quem pense o contrário!


sábado, 13 de junho de 2009

Dias extraordinários

Domingo, 12 de Junho de 1994

São horas de almoço. Acabei de imprimir todos os anexos para as 3 cópias do relatório de estágio que tenho de entregar. Empacoto e escrevo o endereço dos Departamentos onde deverão ser entregues os dois exemplares destinados à Universidade de Évora e vou entregar pessoalmente o terceiro ao professor Joaquim Chaparro, meu orientador na Escola Secundária de Moura.

Segunda-feira, 13 de Junho de 1994

São 01:50. Ruptura da bolsa, entro em trabalho de parto.
Já saí de casa, lembro-me que vou passar várias horas sem comer e volto para trás. Corto uma fatia de pão enorme, barro com Nutella e vou avisar os meus pais que vou a caminho do hospital. Levo "a mala" e os relatórios de estágio para entregar.

Chego a Évora por volta das 3 e pouco da madrugada. Vou ao Largo da Sé, explicar onde fica o Departamento de Psicologia e Pedagogia, e o Departamento de História, para que os meus relatórios sejam entregues no prazo. Finalmente vou para o Hospital do Espírito Santo.

Várias horas de soro, exames, e muitas assopradelas depois, por volta das 23:50 a dilatação está completa e sou transferida para a sala de partos. Acompanha-me um médico estagiário, timorense, a quem tenho de dizer que não estou nada nervosa (nada, nada!), pelo que não precisa de se preocupar. O Dr. Bugalho (meu médico) chega, e eu tenho a certeza que tudo vai correr muito bem.

Terça-feira, 14 de Junho de 1994

00:10 A Inês nasce. É a bebé mais linda que já vi. É perfeita e rosadinha. É um milagre. É uma vida que começa, e eu sou a mãe.

Passo toda a noite acordada, não consigo desviar os olhos dela. Dorme tranquila, 3680 Kg e 51 centímetros de gente.

A minha família vem vê-la. A minha sobrinha Carolina tem apenas 10 meses, está muito espantada com aquele bebé que veio do nada.

Quinta-feira, 16 de Junho de 1994

Com uma procuração assinada por mim e uma declaração sob compromisso de honra quanto à conclusão da licenciatura, a minha irmã Marta vai à Faculdade de Letras inscrever-me na pós-graduação em Ciências Documentais.

Sexta-feira, 17 de Junho de 1994

A minha classificação é atribuída, o meu curso está oficialmente concluído nesta data. O certificado é emitido.
Temos alta do hospital. Regresso a casa, com o curso terminado e a minha primeira filha ao colo.

Há dias extraordinários...

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Ainda as eleições europeias

Duas notas relativas às eleições de ontem:
  1. A vitória do PSD e de Manuela Ferreira Leite significa que não vão demitir o director de campanha/marketing, e que teremos mais cartazes da líder do PSD directamente saídos da produção da "família Adams".
  2. Todas as flores acabam por murchar um dia. Mesmo as de plástico.

sábado, 6 de junho de 2009

Os Caricas


Soube há poucos dias que um grupo de amigos de Moura concorreu a uma iniciativa designada Street Football. Hoje, neste preciso momento, estão em campo com as maiores estrelas do nosso futebol, como o Luís Figo e o Pauleta.

A brincar, a brincar, lá temos o nome de Moura na televisão, a ser falado em todo o país. Parabéns aos Caricas!

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Eleições - Parte 3

Sexta-feira, úlimo dia de campanha eleitoral para as eleições europeias.

Entro na pastelaria e peço um gelado. Está um folheto de um partido político em cima do balcão e a conversa vai para as eleições de domingo.

Apelo ao voto, mesmo que seja em branco. Peço às pessoas que não fiquem em casa. Há uma senhora que participa na conversa e me chama, para me fazer uma pergunta:

- Olhe lá, estas eleições de agora são para escolher o quê?

Tento disfarçar, mas fico estarrecida. Tantos milhões de euros gastos em propaganda, tantos quilómetros de papel impresso em rosa, azul, laranja e vermelho, tantos almoços, tantos autocarros cheios de gente, tantos pavilhões e tantas feiras, tantas bandeiras e tantos balões, e as pessoas nem sabem para que são as eleições.

Eleições - Parte 2

Como parece que há pessoas com dificuldade em entender a importância do voto, e sobretudo, em entender que não votar é deixar os outros decidirem por nós, achei melhor "fazer um desenho".

É claro que ninguém pode ser obrigado a votar, mas depois não se queixem...



Encontrei esta relíquia aqui

Eleições - Parte 1

Se queremos ter uma palavra a dizer no nosso futuro...

quinta-feira, 4 de junho de 2009

4 de Junho de 1989

Os protestos da praça de Tiananmen consistiram numa série de manifestações entre 15 de Abril e 4 de Junho de 1989, lideradas por estudantes da República Popular da China.

O dia 4 de Junho foi o mais marcante do protesto, uma vez que um dos manifestantes arriscou a sua vida e foi deliberadamente para o centro da Praça com o objectivo de acabar com as acções de violência do Governo.O “Homem-tanque” (como assim ficou conhecido o protagonista) não foi atropelado, porque o condutor do primeiro tanque – também ele numa acção de imensa coragem, desobedecendo às ordens do Governo, – desviou-se do manifestante e procurou seguir por outras direcções, embora o manifestante teimasse em seguir todas as direcções do tanque; chegou mesmo a subir ao topo do tanque e dizer algumas palavras ao condutor.

Esta fotografia, apelidada de “The Unknown Rebel”, é da autoria de Jeff Widener e venceu vários prémios por todo o mundo.


Retirado daqui.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Avaliação de desempenho

Vejam aqui a classificação atribuída aos nossos ilustres deputados no Parlamento Europeu, no mandato que agora termina: http://www.parlorama.eu/en/european-deputies/0-0-0/

A classificação é atribuída tendo em conta o registo de presenças e a actividade desenvolvida, o que inclui número de propostas e relatórios apresentados, votações, a duração da actividade parlamentar, etc.

A quatro dias das eleições em que vamos renovar o mandato a alguns destes senhores e senhoras, vale a pena prestar um pouco de atenção a este assunto.

Só é pena que, à semelhança dos funcionários públicos, a classificação de serviço não influencie a progressão na carreira e consequentemente, o vencimento mensal destes deputados. Aliás, se o SIADAP se aplicasse aqui, bastariam duas classificações anuais inferiores a "3" para serem dispensados das suas funções.

É claro que os eleitores, no próximo dia 7, poderiam introduzir aqui alguma justiça, mas para isso seria necessário votar. E votar para quê?

Não vale a pena votar, a não ser...

A não ser que nos importemos com a educação, com a saúde, com a economia, com a sobrevivência de famílias inteiras, com o ambiente, com a cultura ou com o futuro dos nossos filhos. Nesse caso, e só nesse caso, vale a pena votar.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Ainda a Universidade

Esta conversa toda sobre Universidade e tempos de estudante fez-me lembrar os tempos que passei no Lar Académico Públia Hortênsia de Castro, em Évora. Este lar destina-se a hospedar filhas de militares da GNR, possibilitando assim a famílias com menos possibilidades económicas a frequência de estudos universitários a preços acessíveis. Para mim foi fundamental. Pude iniciar o percurso académico, que depois prossegui como trabalhadora-estudante, e consegui amizades que perduram até hoje.

Recentemente, durante a nossa Feira de Maio, encontrei a minha colega de quarto Cristina Bernardo, técnica da Câmara de Alvito. Obviamente relembrámos os bons velhos tempos e a forma como nos uníamos para lutar pelos nossos direitos e por aquilo em que acreditávamos. Como dizia o comentário de um dos posts abaixo, era o romantismo da juventude...

Já agora, deixem-me dar-vos uma informação: A Públia (que ainda consegue ter um nome mais feio que o meu) era nossa patrona por ter sido uma figura erudita do Renascimento português e grande oradora nascida em Vila Viçosa, e por se ter disfarçado de homem para conseguir frequentar a Universidade de Coimbra, tornando-se na primeira mulher diplomada em Portugal.

E aqui estão elas:


Nenhum homem é uma ilha.

No momento em que passam quatro anos sobre aqueles dias loucos e felizes da minha transferência para Évora, apercebo-me do impacto que a...