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A mostrar mensagens de 2017

Para conseguir seguir em frente

Diz o ditado que às vezes, é preciso dar um passo atrás para poder dar dois para a frente.

Não sei quando ou quantos passos poderei dar em frente.  Sei que agora preciso de dar vários passos atrás,  em vários quadrantes. Reduzir tudo ao essencial, repensar, reavaliar. Perceber o que posso, devo ou quero fazer. Escolher. Ser útil. Fazer sentido.

Recomeça...
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcançares
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
E vendo
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

[Miguel Torga, Diário XIII]


A mente que se abre a uma nova ideia, jamais volta ao seu tamanho original *

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A compor-se

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Como as peças de um puzzle,  tudo vai tomando o seu lugar.  Faltam 7 dias.

Cultura para todos. Ou talvez não.

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O Orçamento Participativo Portugal premiou hoje os 38 projectos que obtiveram maior votação. Entre eles está o projecto Cultura para todos, que contempla 3 medidas com um orçamento de 200.000 euros para um tempo de concretização de 18 meses.

Medida 1: Criação de um programa que incentive a doação de livros em boas condições por parte de pessoas singulares a bibliotecas públicas. Os doadores em troca e por incentivo recebem um vale para a compra de um livro numa livraria. Assim, é incentivada a leitura e compra de livros, bem como a doação de obras às bibliotecas.

Medida 2: Oferta de um cheque cultura a todos os jovens que completassem 18 anos que lhes permita o acesso gratuito a museus e espaços culturais durante um ano. Esta medida é complementada com vales de compra de livros em parceria com as associações locais.

Medida 3. Criação de uma uma base de dados online e gratuita onde reúna livros em suporte digital, em braille e em suporte audio adaptada para cidadãos portadores de defi…

Oh Captain, my captain

Quantas vezes, em resposta ao desafio do Botas "Adrien...", gritei e tornei a gritar "Silva!", cachecóis levantados ao alto, celebrando golos decisivos. Todos sabíamos que queria outros voos, mas o número 23 nunca deixou de ser um dos mais aplaudidos a entrar ou a sair de campo, porque todos os desejos são legítimos e o que conta é o que fica em campo.
Obrigada, Capitão. Muita sorte!

Fartura de amor

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As letras já mal se percebem, mas há anos que este amor está declarado ali, quase a chegar a Montemor-o-Novo. "Amo-te há farta", com erro ortográfico e tudo. Ah, valente!

Corzinha de verão

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Vêm todos bronzeados, a corzinha a denotar o que já lá vai. Dizem que as férias foram boas, curtas, assim-assim. E eu ando confusa, incrédula perante os dias que teimam em ficar mais curtos, perante as resistências em regressar ao trabalho.

O cansaço já mal me deixa pensar, mas tenho a certeza absoluta de que o verão ainda está no início, que os dias longos ainda estão para chegar e que daqui a um mês ainda vou a tempo de seguir o conselho que um leitor me deu há uns dias: "A senhora directora está a precisar de ir à praia". Vá-se lá saber porquê...

23 anos de biblioteca pública

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Comemorar 23 anos de trabalho como bibliotecária a organizar o novo Pólo de Leitura na Azaruja - Freguesia de São Bento do Mato, que será inaugurado no próximo sábado, 9 de setembro.










Será porque deixámos de saber escrever português?

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Escreve-se "Por que devemos...". Mas nem uma única alma reparou. Autor, família, amigos, editor, revisor, impressor, ninguém. Sete edições disto e ninguém repara.

Quando os fins não justificam os meios

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Em ano de eleições autárquicas,  a discussão política transferiu-se para paginas anónimas, alimentadas pela má-fé,  pela manipulação desenvergonhada da informação, pelo ataque pessoal, infame e vil. Todas elas, apesar de "anónimas", declaram o seu apoio a esta ou aquela candidatura e - o que é mais estranho - nenhum dos candidatos apoiados por essas páginas,  muito mais sujas que os caixotes do lixo que insistentemente fotografam, veio a público demarcar-se daquele lodo. Pelo contrário, incentivam (nalguns casos chegam ao ponto de as gerir e alimentar), são coniventes ou mantêm um silêncio cúmplice com aquelas fossas sanitárias a céu aberto. Mesmo assim, acham que merecem o nosso voto.

É uma candidatura ÇDS

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Azul para os meninos, cor-de-rosa para as meninas

Por que não? Acho que andamos a perder demasiado tempo indignados com a igualdade de géneros que são efectivamente diferentes, quando o que nos devia mover era a igualdade de direitos entre géneros.

Isto inclui a liberdade de escolher azul ou cor-de rosa, dinossauros ou bonecas, mas também inclui o direito a salário igual para trabalho igual, igualdade de oportunidades  no acesso a qualquer posto profissional ou político (em vez das quotas obrigatórias) e até o direito simples e inalienável de uma rapariga andar sozinha na rua sem ter que ouvir piadinhas de mau gosto.

Além do mais, a minha cor preferida é o verde. E tenho direito a escolhê-la.

(Adenda: Senhor Ministro que "aconselhou" a retirada dos livros do mercado:  não se esqueça de "aconselhar" o cancelamento da educação sexual nas escolas, não vão as crianças perceber que os rapazes são diferentes das raparigas!)

Entretanto, na Biblioteca Pública de Évora...

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... rezamos para que, apesar da seca, o inverno não venha chuvoso, sob pena de o telhado e tudo o que ele cobre não chegarem a ver a Primavera.


A grande notícia do verão em matéria cultural foi anunciada na Biblioteca da Ajuda pelos ministros da Cultura e dos Negócios Estrangeiros. Portugal foi o país convidado da Feira do Livro de Guadalajara, segunda cidade do México, em 2018. Manuela Júdice, militante do Partido Socialista e ex-diretora da Casa Fernando Pessoa, já aceitou o convite para comissariar tal iniciativa e vai procurar gerir um orçamento de dois milhões e meio de euros. Não vai ser fácil fazê-lo, adiantou. A Itália, convidada em 2008, gastou três milhões. Portugal fica reduzido a urna verba inferior, o que em si mesmo é um problema, pois há tanta coisa para mostrar.
Não só os livros, mas também a música e todas as artes. Um autêntico festival, a pretexto do livro! Porém, mesmo contando com os sacrifícios impostos por uma verba aparentemente modesta, valerá a pena apertar o…

IFLA World Map

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E eis que, quando falta um mês e oito dias, e estás a rever os textos, conferir referências bibliográficas e verificar os dados recolhidos em 2010 pela IFLA, em 2013/15 pela EBLIDA e em 2014 pela Public Libraries 2020, sobre o número de bibliotecas existentes em cada um dos países estudados, a IFLA lança o seu novíssimo IFLA Map of the World e tens que refazer essa parte toda. Lindo.


(Duas Bibliotecas Nacionais em Portugal? Estão a contar com Évora? Mas depois não nos contabilizam os leitores inscritos nem os empréstimos domiciliários... algo está mal.)

Vida simples

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Nas tardes de Domingo, quando a RTP nos brindava com filmes que o cinema, lá longe, não nos deixava ver, havia sempre Jerry Lewis. As minhas irmãs gémeas ainda não teriam nascido, ou eram ainda pequeninas, pelo que lá estávamos, eu e a Marta, a lanchar o bolo que a nossa mãe teria acabado de tirar do forno, na modorra do domingo à tarde.


(Queria ter encontrado a cena em que ele fazia sumo de laranja para o pequeno-almoço, com um espremedor que quis comprar durante muito tempo, mas não foi possível...)

Ser ou não ser, eis a questão.

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De vez em quando, lá salta uma notícia para a comunicação social. Há uma cabine telefónica, uma gaiola, um caixote transformado em mini-biblioteca, na rua.

A razão pela qual um conjunto de livros abandonados à sua sorte é notícia e o trabalho meritório desenvolvido por tantos bibliotecários por esse país fora - em projectos de literacia, de verdadeira acção social associada à leitura e ao conhecimento, de formação de leitores - passa despercebido, ou é sistematicamente ignorado, é algo que escapa ao meu entendimento.

Mas, o mais surpreendente para mim, é o fascínio de tantas pessoas por estes caixotes de livros, chamando-lhes bibliotecas. Aquilo não é uma biblioteca, nem nunca será, da mesma forma que uma máquina de venda de snacks nunca será uma pastelaria.

Para ser uma biblioteca falta algo essencial: o trabalho de mediação do bibliotecário. Temos assim em tão pouca conta aquilo que fazemos que achamos que uma caixa de livros abandonados à sua sorte no meio da rua produz o mesmo efe…

Antes que o dia turístico comece

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E que pode uma biblioteca fazer?

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Isto. Ser uma fortaleza.




Para ler aqui.

O melhor de uma enxaqueca...

... é que, quando ela desaparece, somos praticamente invencíveis.

Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és

Enquanto nos Estados Unidos os senadores republicanos se recusam a estar presentes em talk shows porque não querem ser conotados com Donald Trump,  por cá há quem aproveite todo o lixo que lhe vai parar à porta para arranjar munições de guerra. Nem reparam nas nódoas que vão deixando na própria roupa.
Não vale tudo.

O mundo está cheio de génios

Saio da Biblioteca para ir à papelaria mais próxima buscar um artigo básico para o expediente geral: envelopes. O Largo está cheio de turistas. Quando é que não está? Desde que aqui trabalho, não me lembro de um único dia em que não haja turistas à volta do Templo.

Cruzo-me com uma família. O pai vem à frente, a reclamar: "Estas obras não eram para ser feitas nesta altura. Agora que estão cá os turistas é que se põem a fazer obras?" Como acho que sou um bocadinho anfitrã no Largo, ainda me viro para lhe explicar que tinha que ser agora, porque é uma medida urgente e, além disso, este género de obras tem obrigatoriamente de ser feito no verão. No Inverno seria apenas deitar dinheiro à rua. Mas pensei duas vezes e voltei ao meu rumo, calada.

Chego à papelaria, está uma mãe de primeira viagem a perguntar pelos livros do 1º ano do 1º ciclo. A funcionária, renitente, diz-lhe que o governo este ano oferece os livros, mas tem que pensar bem, porque depois o menino não pode escrever…

Do que vou vendo por aí

(... ) "Se uma ventura divina calha fazer-nos bons no que fazemos, e ainda conseguimos ser capazes de gentilezas, provas de amizade, manifestações de integridade, ainda termos sentido de humor, que anima jantares e alivia pressões... então o mundo será nosso... Nada mais errado. Pessoas assim correm os mesmos perigos dos animais em vias de extinção, e não há nada a fazer contra isso. A mediocridade é o mais perigoso dos caçadores furtivos, e não descansará, nunca, enquanto não eliminar o animal raro que lhe faz sombra, que não a deixa dormir, a mesquinhez baixinha e insegura é eternamente agitada porque o animal raro, simplesmente, existe. Todos os outros pecados mortais, combinados, são uma brincadeira comparados com a inveja." (...)

Rodrigo Guedes de Carvalho, Pianista de hotel

A biblioteca imperfeita

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Vivemos tempos difíceis para as bibliotecas. O problema não é exclusivamente nacional. Desta vez não é consequência do nosso persistente atraso civilizacional, de que tanto gostamos de nos queixar. Nada disso.

Quer nos países que nos habituámos a seguir como modelos, quer em países com um nível de desenvolvimento mais lento do que o nosso, as bibliotecas atravessam momentos difíceis e são confrontadas ciclicamente com a falta de financiamento, a consecutiva descida nas listas de prioridades dos executivos governamentais ou locais e a desvalorização do trabalho desempenhado, face à ilusória facilidade de acesso proporcionada pelas novas tecnologias.

O ambiente generalizado é de desânimo. Do Reino Unido, dos Estados Unidos ou do Canadá, mas também da nossa vizinha Espanha ou do país-irmão Brasil chegam-nos com frequência informações sobre o encerramento de bibliotecas, quer temporariamente, quer a título definitivo. Nesses momentos, incrédulos perante a aparente desvalorização do ser…