quinta-feira, 25 de março de 2021

Biblioteca Pública de Évora: 216 anos

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Bom dia! Sejam bem-vindos à Biblioteca Pública de Évora!
 
Comemoramos hoje 216 anos de existência. Celebramos a vida da mais antiga Biblioteca Pública portuguesa, a primeira que abriu com a intenção de partilhar e divulgar conhecimento para toda a comunidade, para todos os que nela procuram crescer, evoluir, melhorar.
 
É um aniversário singular, celebrado num contexto pandémico que não nos deixa festejar em conjunto, ver, tocar e percorrer os labirínticos comboios de livros, descobrir maravilhas e conversar sobre livros, leituras e pessoas. Mas é-o também porque fecha um ciclo difícil de dois anos em que foi necessário encerrar ao público, para realização das obras de reabilitação do edifício, resultado de um investimento inédito nesta Casa.
 
Foi um processo verdadeiramente penoso. Vários meses envoltos numa nuvem de pó, a retirar livros das estantes, encaixotar e selar caixas, empilhar e vê-las sair do edifício: 3247 caixas de livros.
Na Biblioteca permaneceram apenas os documentos da Casa Forte, onde não houve intervenção, e os livros do serviço de empréstimo domiciliário, do qual nunca pensámos abdicar. Mas também esses livros (aproximadamente 70.000) tiveram de ser movidos, do lugar onde se encontravam para o piso intermédio do depósito da Sala Filipe Simões. Foram centenas de vezes em que todo o pessoal foi convocado para “fazer comboio”, passando de mão em mão sacos de supermercado carregados de livros, sempre pela mesma ordem, da estante de origem à estante de destino, para garantir que encontraríamos os livros que os nossos leitores nos pedissem.
 
Durante a obra, em cenário quase digno de um filme de guerra, voltámos a carregar sacos por entre os andaimes, com as reservas pedidas pelos leitores e com as devoluções de cada dia. Nada lamentamos, antes pelo contrário. Foi um orgulho, para todos, termos conseguido assegurar o serviço.
 
Em maio de 2020 iniciámos o trabalho de re-arrumação. Antes de voltar a receber e abrir caixas, limpar os livros e colocá-los no sítio, foi também necessário pensar a Biblioteca, redistribuir espaços, conseguir criar condições para guardar tudo o que temos e trazer de volta à BPE a documentação acumulada nos antigos celeiros da EPAC – entretanto totalmente esvaziados – e deixar espaço livre para mais uns anos de funcionamento.
 
Este processo, que ainda está em curso, porque implica que várias condições estejam preenchidas, irá prolongar-se ao longo de vários anos: não basta arrumar, é preciso catalogar. Se não estiverem pesquisáveis, os nossos livros não existem para os utilizadores. Esse é um verdadeiro “buraco negro” que precisamos colmatar.
 
Para que a reabertura fosse possível, tivemos que nos focar nos espaços públicos, como as salas de leitura e os espaços de circulação. Mas a máquina continua a trabalhar no interior, devolvendo os livros aos seus lugares, já devidamente catalogados, revistos, cotados, em suma: disponíveis. Tudo isto graças ao trabalho incansável de uma equipa reduzida, mas de um empenho e dedicação absolutamente notáveis, a quem deixo o meu reconhecimento e gratidão.
 
Dadas as circunstâncias, este aniversário assinala também um recomeço. Retomamos o funcionamento, reiniciamos as atividades, planificamos o futuro.
 
Por isso, decidimos dedicar este dia a esse futuro, próximo, que estamos a construir. Durante as próximas horas daremos conhecimento de atividades, processos de trabalho interno, formas de relacionamento com o público, que estamos a lançar ou a retomar. Daremos também voz e rosto às pessoas que fazem esta Biblioteca, do lado de cá.
 
Fique connosco, acompanhe-nos neste dia e conheça o que estamos a preparar para si. Não esqueça que a peça mais importante da Biblioteca são as pessoas, os seus utilizadores. Tudo isto que fazemos só terá sentido consigo, com a sua presença, com a utilização dos serviços, a exigência para que possamos melhorar continuamente. 
 
Juntos, poderemos transformar a mais antiga Biblioteca Pública Portuguesa na Melhor Biblioteca do mundo!
 
Longa vida à BPE!
 
Évora, 25 de março de 2021
Zélia Parreira
Diretora da BPE
 

quinta-feira, 11 de março de 2021

Planeamento estratégico

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Tudo é pensado com antecedência, mas feito de forma a dar o ar de ter sido “por acaso”. “Calhou”. “Foi uma oportunidade que surgiu”. Mas desenganem-se. Há estratégia nisto.
 
A conta gotas, os trabalhadores da Biblioteca Municipal Urbano Tavares Rodrigues, em Moura, foram sendo deslocados. As suas qualidades e competências faziam falta noutros sítios. Que tinham qualidades e competências, já eu sabia, era por essa razão que estavam na Biblioteca, a desenvolver um trabalho de qualidade, que várias vezes colocou Moura no mapa.
 
Mas enfim, são prioridades. Calmamente, ficámos à espera de ver quem vinha para os substituir.
Da primeira vez, ninguém. Mau…
Da segunda, também não. Ai, tu queres ver...?
Nem da terceira, nem da quarta, nem de nenhuma. Dos catorze que lá deixei, restam 8. Cinco estão nos pólos que ainda não fecharam, entregues a si próprios, e 3 em Moura. 
 
O pólo da Póvoa de S. Miguel está fechado. Enfim, deixo à vossa consideração a elaboração de justificações. O pólo de Santo Aleixo já fechou e já reabriu, mas a funcionária que lá está nunca recebeu qualquer formação. Também para quê, não é? Dizem que trabalhar numa biblioteca é estar p’ra ali sentado, a ler livros o dia todo. A rapariga a esta hora, certamente cheia de boa vontade, já os deve ter lido todos.
 
Isto de ler os livros todos faz-me lembrar um Presidente de Câmara a quem o Bibliotecário apresentou uma proposta de aquisição de livros novos, para actualizar o fundo documental, e que respondeu: “Mas porquê? Já leram aqueles todos?”. Bem, em Moura, nem esse argumento resulta. Não há livros novos porque não há dinheiro. Mesmo o dinheiro que sobrou da Feira do Livro que não se fez, da Biblioteca que não se faz, por decisão assumida do Executivo, do gasóleo que não se gasta na carrinha Semeando Leituras, do desinvestimento total na cultura, mesmo esse, não dá para comprar livros.
De um concelho que constituía um exemplo raro de envolvimento de toda a comunidade na criação de leitores, concretizado na iniciativa Padrinhos de Leitura, nada resta. Tudo em branco, não é só a Biblioteca. Concertos? Em branco. Teatro? Em branco. Espectáculos diversificados, para diferentes públicos? Em branco. Exposições? Em branco. Conferências, colóquios, debates? em branco. Uma longa noite em branco.
 
Antes, pelo menos, assumia-se que era uma opção de gestão. Agora, a pandemia serve de desculpa para tudo. Até para ter a Biblioteca fechada. Na semana em que todos voltámos ao contacto com os nossos leitores, em que o Governo deu autorização de abertura a Bibliotecas e Arquivos por serem considerados de interesse prioritário (tal como no primeiro confinamento), Moura continua a atender ao postigo, sob marcação. Nunca mais reabriu, desde Março de 2020. Mas não é por causa da pandemia. É porque já quase não há quem abra a porta, quem assegure os turnos para cobrir o horário de funcionamento e quem continue o trabalho interno que precisa de ser feito.
 
Portanto, querida pandemia, lá está tu a encobrir o desinvestimento estratégico, a alienação estratégica de recursos humanos e o apagamento estratégico da Biblioteca e das iniciativas que desenvolveu ao longo de quase vinte anos. Por tua causa, só por tua causa, a Biblioteca não reabre. Nem é porque não tem pessoal, nem é porque não há livros novos, nem é porque se quer apagar da memória a Feira do Livro, os Padrinhos de Leitura, o Semeando Leituras, a pioneira Rede Concelhia de Bibliotecas, com o que foi o primeiro catálogo colectivo concelhio do país, não é por nada. É só por causa da pandemia.
 
Legenda da foto (retirada da página de facebook da Biblioteca Municipal de Moura): A Biblioteca a que temos direito hoje.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

#cretinices

"Mãe, eles não querem brincar comigo!"

https://observador.pt/2021/01/29/autarquicas-ventura-acusa-psd-e-cds-de-bullying-politico-e-ameaca-romper-acordo-nos-acores/


#cretinices

Ainda há dois factores que nos permitem ter uma expectativa menos sombria em relação ao cretino e respectivo séquito:

1. Aquilo parece-se muito pouco com um partido. A ambição individual de cada um é incompatível com a do vizinho. Hoje demitiu-se o polémico (adjectivo quase redundante) líder da distrital do Porto. São muitos ratos a abandonar o navio, muitas pistolas apontadas e muitos dedos à espera de premir o gatilho. 

2. O cretino já perdeu a noção da realidade. A birra de hoje é reveladora da sua megalomania. Imaginem a Catarina Martins a vociferar porque o PCP e o PS faziam um acordo para as autárquicas (eu sei, também me estou a rir com essa possibilidade) e deixavam o BE de fora. Ridículo e delirante,  não era? Pois é.

Tenhamos esperança,  cidadãos!

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Eu sei onde estava

 

Agora, que as redes sociais se enchem de indignados com pungentes gritos de revolta contra Lisboa e as sucessivas administrações centralizadas que optaram por excluir o interior em geral, e o Alentejo em particular, de todas as estratégias de desenvolvimento regional, pergunto:
 
Onde estavam quando a esquerda apresentou propostas e moções e organizou protestos e manifestações contra a extinção de freguesias? 
 
Onde estavam quando a esquerda apresentou propostas e moções e organizou protestos e manifestações contra a extinção de postos da GNR? 
 
Onde estavam quando a esquerda apresentou propostas e moções e organizou protestos e manifestações contra a extinção dos postos de CTT? 
 
Onde estavam quando a esquerda apresentou propostas e moções e organizou protestos e manifestações contra o encerramento de escolas? 
 
Onde estavam quando a esquerda apresentou propostas e moções e organizou protestos e manifestações contra o encerramento de postos de saúde e a falta de médicos? 
 
Onde estavam quando a esquerda apresentou propostas e moções e organizou protestos e manifestações contra a encerramento de redes de transportes, ou em reivindicação pela melhoria das existentes? 
 
Em casa, ou no local de trabalho, a criticar os manifestantes, não era? A rir, com escárnio, nas sessões das Assembleias Municipais ou nas reuniões de Câmara das respectivas autarquias.
 
Eu estava lá, nos protestos e nas manifestações, entre muitos companheiros de uma esquerda que presta atenção ao que a rodeia e viu esta nuvem a formar-se. Não ganhámos nada com isso e até perdemos o vencimento desses dias, mas protestámos e fizemos ouvir a nossa voz. 
 
Também apresentei, enquanto membro da Assembleia Municipal à qual pertenci, moções alertando para o abandono progressivo da região, reivindicando melhores condições de vida e de trabalho, alertando para os perigos deste abandono. Também votei favoravelmente muitas outras moções nesse sentido, viessem elas de que bancada viessem. Ajudei a escrever cartas e petições dirigidas às entidades competentes, para evitar o fecho de escolas e de outros serviços.
 
Nessa época, como agora, o importante era a defesa da região e das populações e não a fronteira partidária. Infelizmente, muitas propostas, moções e petições foram rejeitadas, porque a maioria encarava-as como ataques partidários ao partido no poder e concentrava-se nisso, ignorando o que a sua aprovação poderia ter representado para as populações que a elegera.
 
Lembro-me de tudo isso porque estive lá. Participei. Estava acordada. 
 
Mas fico feliz por terem visto a luz. Talvez agora possamos lutar todos juntos em defesa e afirmação de uma região que precisa de todos: dos políticos e dos cidadãos que, como eu, trabalham todos os dias para a comunidade, para melhorar o nível social, cultural e económico das populações que servimos, independentemente da área política em que acreditam. 
 
Quando houver um protesto, avaliem a sua justiça e adiram. 
Quando houver uma proposta, avaliem a sua justiça e subscrevam-na. 
Quando houver uma moção, avaliem a sua justiça e aprovem-na.
Não se deixem condicionar pelas directrizes partidárias. O Alentejo precisa de todos. 
 
(Bom, talvez não precise do José Carlos Malato 😉 )
 
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Foto de António Dimas
 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Ideologias ou a falta delas

 

Ainda é cedo, ainda está quente, mas o resultado eleitoral de ontem começa a ser um sinal do quase desaparecimento da ideologia política. 
 
1. Marcelo é a cara mais simpática dessa ausência de ideologia. Bem com Deus e a dar dois dedos de conversa ao diabo, não vá o dito cujo tecê-las. Eleito após anos e anos de homilia dominical, onde punha em prática este "pode ser, mas também pode não ser". Reeleito após 5 anos de selfies, muitas medalhas e presenças na primeira linha dos acontecimentos (muitas vezes a dificultar os trabalhos, mas a ele tudo se perdoa). 
 
2. Ana Gomes não merecia, pelo que já fez ao longo da sua vida, sobretudo no episódio de Timor, ter que andar a disputar votos com cretinos, mas eis que aí está. A colagem a Sócrates nunca mais a abandonará e pagará esse preço para sempre, fazendo esquecer o resto. Teve nesta campanha um acto de coragem admirável, que pouquíssimos ousariam ter: escolheu Paulo Pedroso para mandatário. Esquecido, apagado da história do PS, para sempre abandonado nas catacumbas mais negras do partido (ele sim, mas Ferro Rodrigues não), foi agora resgatado por alguém disposto a pagar o preço de mostrar solidariedade a um companheiro. Quantos o fariam, por mais que acreditassem na inocência do acusado? Bem poucos.
Queira o PS ou não, Ana Gomes era a legítima representante ideológica do partido, mas nem isso lhe valeu o apoio socialista. Liberdade de voto e um olho piscado a Marcelo. Para onde foi a ideologia do PS? Para parte desconhecida, no mesmo lugar onde se encontram os votos da maioria socialista do Alentejo. Se o PCP perdeu votação, que dizer do PS, completamente pulverizado? "Ah, mas o PS não tinha candidato próprio". Ter, tinha, mas a ausência de ideologia permitiu que se votasse com menos problemas de consciência no candidato apoiado oficialmente pelo CDS e pelo PSD do que na candidata ideologicamente socialista. 
 
3. João Ferreira viu desaparecer o voto de protesto. O voto de oposição, de reivindicação, de contra poder, fugiu para o cretino e ficou só um combinado algo estranho: o voto marcadamente ideológico que votará sempre nos candidatos da área da CDU; e o voto da esquerda que acompanhou a campanha e escolheu o candidato mais sereno do leque disponível (o mesmo se aplica a Mayan na direita) ou que, compreendendo as ordens do PS para não votar Ana Gomes não prescindiu de votar na esquerda. 
 
4. Também Marisa Matias perdeu o voto de protesto. Ideologicamente mais frágil, o eleitorado do BE evaporou-se para outras áreas. Não fosse a guerra do batom o resultado teria sido muito pior. Se o escrutínio fosse possível, apostaria numa larga maioria de eleitorado feminino entre os votantes de Marisa porque essa foi a única componente de protesto que se manteve. 
 
5. Tiago Mayan só conseguiu manter os votos ideológicos e de uma direita que não se revê em Marcelo. É, em espelho, o equivalente a João Ferreira. 
 
6. Vitorino Silva não tem, nem nunca terá, condições para ser Presidente da República. É a piada do sistema, mas é ele que se coloca nesse papel. Levá-lo a sério é penoso porque não tem ideologia nem programa. Se nisso é igual ao cretino, falta-lhe a facilidade de comunicação e o raciocínio rápido, aliado à ausência dos meios de comunicação social no intervalo entre eleições. 
 
7. O cretino beneficiou de tudo isto. Anos de exposição mediática a defender um clube de futebol deram-lhe um traquejo na comunicação social só comparável ao de Marcelo, mas em versão mal-educada. Acolheu os votos de protesto de milhares de cidadãos sem ideologia própria que votavam em quem se opunha ao Governo (encarnação do Estado) e capitalizou revoltas, angústias e cansaço de um interior abandonado à sua sorte, que vê o Estado/Governo fechar ou privatizar sucessivamente escolas, postos de saúde, postos de segurança, postos de CTT e redes de comunicações, com a desculpa de contenção de despesas e depois vê pessoas sem trabalho, a receber sem produzir. Não interessa que circunstâncias levaram essas pessoas so estatuto último e humilhante de beneficiários do RSI. Ninguém quer saber, porque também ninguém está verdadeiramente interessado em saber. Estão todos distraídos a cavar trincheiras dos lados de uma barricada que não existia. Compreender a política, o perfil social e económico das opções de esquerda e direita não é opção, dá demasiado trabalho e por isso foi tão fácil seguir, quais ratos de Hamelin, o flautista que lhes tocava música. 
 
8. Os partidos políticos que não apresentaram candidato bem podem colar-se à vitória de Marcelo, mas não pega. O CDS está completamente moribundo, mas a família decidiu não lhe contar ainda. O PSD segue o mesmo caminho e Rui Rio, ontem à noite, fez o favor de carregar no acelerador. Perder-se em congratulações com a perda de eleitorado comunista no Alentejo (deve ser a 18a vez que ouço dizer que o PCP perdeu o Alentejo em actos eleitorais, mas pelos vistos, volta sempre a recupera-lo, porque nas eleições seguintes volta a perde-lo outra vez), encarando os resultados de Marcelo como sendo do PSD... até o cretino se sentiu na obrigação de lhe explicar que os primeiros a ser engolidos serão eles.
É que o cretino estudou bem as lições de Trump e Bolsonaro e por isso sabe que lhe falta algo essencial: uma estrutura partidária a sério. O chega é um saco de gatos selvagens, interesses próprios de enriquecimento apressado e jamais conseguirá organizar-se de forma estável. Para isso, precisa do PSD, que será rapidamente colonizado, se assim o permitir. 
 
Resta saber se a esquerda saberá fazer-lhe frente, ou se se perderá em "liberdades de voto", preciosismos de "eu é que fui a autora da proposta" e outras idiotices pouco ideológicas.


Biblioteca Pública de Évora: 216 anos

  Bom dia! Sejam bem-vindos à Biblioteca Pública de Évora!   Comemoramos hoje 216 anos de existência. Celebramos a vida da mais antiga Bibli...