Parabéns Rede de Bibliotecas Escolares!

A Rede de Bibliotecas Escolares completa 20 anos em 2016. Para celebrar a data, a própria Rede organiza hoje um importante Fórum na Fundação Calouste Gulbenkian, que - além do seu valor intrínseco - é o culminar de um ano de iniciativas descentralizadas mas agregadoras em torno desta efeméride.

Em minha opinião, a RBE aprendeu muito com a Rede de Bibliotecas Públicas. Implementou instrumentos descentralizados de verificação e avaliação permanentes, manteve sempre um princípio de orientação estratégica fundamental para que bibliotecas grandes e pequenas, do interior ou do litoral, do norte ou do sul, constituíssem um corpo coerente, consistente e sempre em movimento. Insistiu no trabalho colaborativo e em rede, premiou mérito, incentivou inovação. Hoje celebra esses resultados.

É claro que, como aconteceu com as bibliotecas públicas, o mais difícil está para vir. Agora é preciso prosseguir o caminho, mas para onde? Que metas se desenham, que estratégias são necessárias? É agora que a homogeneidade desejada e promovida terá que dar provas da sua consistência. Os primeiros sinais de desequilíbrio começam a manifestar-se: bibliotecas dinâmicas, verdadeiros motores de inovação nas suas escolas convivem (às vezes na mesma rede) com bibliotecas apáticas, verdadeiros depósitos de livros, onde ainda não se pode fazer barulho, onde os alunos só podem entrar no intervalo, ou que só abrem 2 dias por semana ou 2 horas por dia. O desafio é agora, sobretudo para as bibliotecas dinâmicas, que não podem parar à espera que as outras façam o seu caminho, nem podem distanciar-se de forma irreparável. Como resolver este problema, se todos os seminários, encontros, colóquios e formação contínua que a RBE promove continuamente para combater este desvio parecem insuficientes?

Para já, ocorre-me a possibilidade de um sistema de mobilidade. Há que aproveitar o facto de a entidade patronal ser a mesma para todos os professores bibliotecários. A troca de experiências e a interoperabilidade precisam de ultrapassar o patamar dos relatórios, fáceis de embelezar por natureza.

Depois, é necessário que a integração dos professores bibliotecários e das bibliotecas escolares no processo de construção do projecto educativo seja efectiva e não apenas o cumprimento de um requisito, quando a evidência das circulares enviadas pelo Ministério já não pode ser ignorada. Da mesma forma, a biblioteca escolar tem que ser efectivamente valorizada pelo corpo docente das escolas como um recurso de aprendizagem valioso, activo e dinâmico e nunca, mesmo nunca, ser o local para onde os alunos vão passar o tempo quando estão de castigo.

Espero que os colegas das bibliotecas escolares não interpretem mal esta brevíssima reflexão e é imprescindível que sublinhe que sou um mero agente externo à biblioteca escolar, que fala apenas do que vê do ponto de vista do bibliotecário público. Mas já vi este caminho ser percorrido e detestaria que a RBE, cujo percurso tem sido brilhante, cometesse erros que podem ser evitados.

No próximo ano*, também a Rede Nacional de Bibliotecas Públicas comemora um número redondo: passam 30 anos sobre a publicação do decreto-lei que a criou e que estabeleceu os princípios para a sua implementação. Mas aqui, está tudo bem.


*O que se comemora em 2016 é o despacho para a criação do Grupo de Trabalho que realizou o diagnóstico sobre a situação das bibliotecas em Portugal e que apresentou o plano estratégico para a implementação da Rede.

Comentários