domingo, 6 de abril de 2014

A "animação" nas Bibliotecas Públicas

Pergunto muitas vezes a mim própria se, na ânsia de chamar gente à Biblioteca, não estamos a transformá-la num gigantesco ATL. E, desses participantes entusiastas que gastam material que não temos dinheiro para comprar, quantos se tornam leitores?

Algures, há um risco que separa a promoção da leitura e a disponibilização do acesso ao conhecimento da "festivaleirice". Convinha procurá-lo.

Adenda: A conselho da Manuela Barreto Nunes, aqui deixo um artigo para todos lermos: http://bid.ub.edu/02comell.htm

 

4 comentários:

  1. Todas as armas são úteis, Zélia. Num mundo cada vez mais virtual é de louvar iniciativas que chamem o público à leitura!

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    1. A questão é se essas actividades chamam de facto o público à leitura. Quantos leitores resultam dessas actividades? Que impacto têm nas estatísticas de consulta local ou de empréstimo domiciliário? Que impacto têm nos hábitos de leitura dos utilizadores?
      Ou são apenas para "distrair o povo"?

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    2. Não se podem fazer as contas assim, a cru. Não basta pegar na calculadora e esperar resultados no dia seguinte! São apostas feitas, investimentos de tempo (e dinheiro) que só a longo prazo poderá ter algum retorno.

      Tomando o exemplo desta Feira do Livro 2014, com a sua nova "casa" nos Pavilhões de Exposição. Houve mais público? Não, não fiquei com essa ideia. No entanto o público habitual, o tal fiel e que compra livros, foi lá! A venda de livros, se não estou em erro, manteve-se (até Domingo de manhã tinham sido vendidos um pouco mais de 2200 livros). A aposta foi ganha? O ano que vem veremos!

      Houve workshops. música, teatro, espaço para as crianças brincarem enquanto os pais dão a voltinha pela Feira e, imagina lá, até um mercado houve! Tudo isso é uma forma dinamizar e cativar a população. São as armas que se utilizam e que são, na minha opinião, válidas. Isso e o TU (ou LIVROBUS como alguém tentou que se chamasse) que teve um trajecto especial até aos Pavilhões durante o período da Feira do Livro foram as tentativas de impulsionar este evento. Há uns anos atrás o SM criticou no blog o facto de na Feira do Livro de Lisboa a editora Leya fazer daquilo um "supermercado" desvirtuando a filosofia da Feira. Mas vendem-se livros ou não? Há leitores? Sim! Há negócio? Bem, para isso se vendem os livros...

      Abraços,
      AMC

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  2. Então concorda comigo. Este é o género de animação que importa fazer. Este forma leitores. Cria-os a partir de quase nada. Foi um longo caminho até chegar a este dia em que as pessoas se deslocam para ir ao pavilhão de feiras comprar livros. Acredite, eu sei. Mas não foi feito com sessões de animação sem critério nem princípio! Foi feito, por exemplo, com muita poesia, primeiro com 3 pessoas a assitir, depois com 10, depois com 70, depois com 150.

    Vejo às vezes fotografias de bibliotecas que algures, no esforço da animação, perderam o contacto com o livro, com a leitura. Não se pode dizer isso de uma feira do livro! Estão cheias, com frequência, mas fazem o papel de centro de dia, de ATL. É isso que se pretende? É essa a nossa missão? Não tenho dúvidas quanto à resposta: Não!.

    Informação, conhecimento, leitura, cultura. Acesso democrático e gratuito para todos. É isto que andamos a fazer. e não é pouco.

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