quarta-feira, 31 de maio de 2017

Delação premiada

Aqui há uns anos, a Dra. Manuela Ferreira Leite, a propósito de uma crise política, sugeriu  que o ideal seria suspender a democracia por seis meses. Eu confesso que achei piada à sugestão. Piada mesmo, daquelas piadas absurdas com que os humoristas nos fazem rir.

A minha quase obsessão por corrigir o que não funciona, parar imediatamente com procedimentos que já provaram não funcionar, fazer experiências até encontrar a melhor solução de funcionamento fizeram-me compreender aquele desabafo e rir perante o absurdo e o ridículo da proposta.

A delação premiada, que pelos vistos está em discussão no nosso país, é igual. Em teoria, a proposta era boa. Num instantinho se prendia a bandidagem toda, independentemente da cor do colarinho.

Mas, compreendam, a ideia é tão absurda e ridícula como a de suspender a democracia. Há limites que não se podem ignorar e muito menos ultrapassar. Eu não quero viver - e muito menos que os meus filhos vivam - numa sociedade que incentiva a denúncia fácil, cobarde e interesseira. E desta vez não tenho nenhuma vontade de rir.


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