É mais ou menos isto.

De repente percebemos que vemos apenas as sombras na parede. Bom, talvez não tão de repente. Na realidade, sempre soubemos que tudo não era exactamente como parecia ser. Apenas preferimos acreditar.

Acreditamos nas pessoas, ignorando que têm as suas próprias agendas, interesses e planos. Acreditamos nas ideias, esquecendo que a sua existência decorre da imaginação, da fé e do querer das pessoas que supostamente se guiam por elas. Acreditamos no tempo e no destino, preferindo confiar-lhes as decisões difíceis que não temos coragem de tomar ou as palavras duras que não temos coragem de proferir. E esquecemos que com isso, estamos a traçar o nosso caminho. Não o caminho que queríamos ter, mas o que nos permitimos ter por falta de coragem e de amor-próprio.

E não se enganem aqueles que julgam ser os corajosos, que abrem a boca e deixam sair criticas a torto e a direito, ofensas mal disfarçadas de ironias, como se só eles soubessem o segredo para o caminho certo. Ainda têm um duplo trabalho pela frente, porque primeiro precisam de perceber que não passam, eles próprios, de sombras na parede. Julgam-se indestrutíveis, mas basta que a luz se acenda... desaparecem.
           

Comentários

  1. Ou mudam de sítio, as sombras. Tenho para mim que as verdadeiras pessoas-sombra são dotadas de um sensor de deteção imediata da direção da luz e rapidamente rodopiam sobre si próprias, pondo o corpo a jeito de voltar a ser sombra. (eu sei que é um conceito um pouco diferente do teu).

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