segunda-feira, 5 de junho de 2017

As contas da cultura, parte 2

Em apenas uma semana somos confrontados com duas atitudes de "vendilhão do templo" relativamente ao património cultural. Primeiro foram as máquinas eléctricas ou híbridas estacionadas ao lado dos belíssimos coches que constituem a magnífica colecção do Museu dos Coches. Agora, foi a fogueira e os danos causados pela realização de um filme no Convento de Cristo em Tomar.




Em ambas as situações, as respectivas directoras foram imediatamente crucificadas e até circula uma petição infame pedindo a demissão imediata da directora do Convento de Cristo, sem que sejam apuradas as devidas circunstâncias e responsabilidades. As redes sociais são a nova fogueira da Inquisição.

Ora, meus amigos, como diria o diácono Remédios, não havia nexexidade. Ou haveria? Ou tudo isto vem da enorme pressão que os serviços do património cultural recebem para aumentar a receita? Arranjar formas de angariar proveitos, é esta a política cultural do meu país?

Atenção, isto ainda é só a ponta do iceberg. Os efeitos não são imediatos e o que vemos hoje são os primeiros resultados de anos e anos de desinvestimento. Mas outras consequências se seguem resultando sempre no mesmo destino fatal: a perda irreparável de património.

Abram os olhos, senhores. É agora ou  nunca.

PS1: Não sei porquê, ninguém parece estar incomodado com o desvio das verbas. Se os valores forem da ordem dos que foram referidos na reportagem, estamos a falar de muito mais de 200 mil euros por ano (só na época alta), desviados da possibilidade de conservação do Convento para os bolsos dos funcionários. Um processo de anos e anos e anos e anos. Toda a gente acha isto normal?

PS2: A DGPC vai investigar o processo. Como deve se feito.

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