domingo, 30 de dezembro de 2012

Laura

Laura, como está?

Escrevo-lhe porque por mais que tente, não consigo dirigir-me àquele "coisinho" com quem casou. Pedro é um nome tão bonito, que o escolhi para o meu filho e agora não posso de forma nenhuma, designar um ser tão... "coisinho", pois.

Serve a presente carta para lhe dizer que os votos de festas felizes cá chegaram, mas a felicidade que enviou não compareceu. A sorte é que nós tínhamos aqui um bocadinho da nossa felicidade e lá se fez a festa. Usei os pratos que estão habituados à minha mesa, o serviço ainda é recente, não havia razão para comprar outros. A família coube toda na mesma mesa, mas foi preciso jeitinho, porque entre irmãs, pais e filhos já somos quase 20. A comida também não deu para esticar muito, porque já se sabe, o tempo não está para bifes. Enfim, arranjou-se qualquer coisita.

O problema é aquele aperto no coração que não me larga. Só penso em propinas e contas da EDP, facturas e prestações! Uma chatice. Só tenho um crédito bancário, que fiz quando achei que (presunção!) devia comprar uma casa para morar com os meus filhos, mas agora compreendo que sonhei acima das possibilidades.

Olhe querida, isso dos presentes simples e menores é que não pôde ser. Os meus filhos são muito poupadinhos e só quiseram ser sócios do Sporting Clube de Portugal. É um presente pequenino, o cartão de sócio é do tamanho de um cartão multibanco, mas representa a paixão de uma vida.

De forma que resolvi escrever-lhe este postalinho, para saber como é que me posso penitenciar. 3 prendas, um crédito à habitação e esta mania que temos cá em casa de estudar... Acha que isto vai com uns jejuns ou preciso ir de joelhos até Massamá?

Passe bem Laura, bom ano para si. Tenha coragem e veja-se livre do... coisinho.

Zélia

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