Prémio Camões 2010



O poeta e dramaturgo brasileiro Ferreira Gullar, venceu o Prémio Camões 2010, segundo anunciou na passada segunda-feira em Lisboa a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, acompanhada pelos membros do júri.

Ao júri pertencem Helena Buescu (presidente), professora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, José Carlos Seabra Pereira, professor associado da Universidade de Coimbra, Inocência Mata, professora santomense de Literaturas Africanas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e professora convidada em várias universidades brasileiras e norte-americanas, Luís Carlos Patraquim, escritor e jornalista moçambicano, António Carlos Secchin, escritor e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e ainda a escritora brasileira Edla van Steen.

No ano passado, foi galardoado o escritor cabo-verdiano Arménio Vieira, e nos anos anteriores o brasileiro João Ubaldo Ribeiro (2008) e o português António Lobo Antunes (2007).

O Prémio Camões foi criado por Portugal e pelo Brasil em 1989 e é o prémio de maior prestígio da língua portuguesa. O objectivo é distinguir um escritor cuja obra contribua para a projecção e o reconhecimento da língua portuguesa.


Nascido em São Luis do Maranhão, em 1930, Ferreira Gullar, procurou transmitir na sua obra a problemática da vida política e social do homem brasileiro.

De uma forma precisa e profundamente poética traçou rumos e participou activamente nas mudanças políticas e sociais brasileiras, o que o levou à prisão juntamente com Paulo Francis, Caetano Veloso e Gilberto Gil em 1968 e posteriormente ao exílio em 1971.

Poeta, crítico, teatrólogo e intelectual, Ferreira Gullar entra para a história da literatura como um dos maiores expoentes e influenciadores de toda uma geração de artistas dos mais diversos segmentos das artes brasileiras.

TRADUZIR-SE


Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?

Comentários

  1. Confesso que descobri agora o autor, mas a avaliar pela qualidade do poema, "Que adorei", vou ficar leitor do grande poeta e activista. Pergunto se há livros dele na Biblioteca?

    O Leitor

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  2. Infelizmente não. Mas estamos a tentar arranjar.

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