Na defesa da região

Ontem à noite houve reunião extraordinária da Assembleia da Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo, da qual faço parte.

Na ordem de trabalhos havia apenas 2 pontos: A apreciação e votação de uma declaração de apoio à candidatura do Cante Alentejano a Património Imaterial da Humanidade e a proposta de eleição da Mesa da Assembleia com base num sistema de rotatividade requerido por quem não sabe aceitar a existência de maiorias.

No que respeita ao segundo ponto, sobre o qual esperava polémica, tudo tranquilo. A Mesa da Assembleia em funções demitiu-se, fazendo a vontade a quem insistia em não calar a birra e procedeu-se à eleição de uma nova mesa. Levem lá a bicicleta, foi o que me apeteceu escrever no boletim de voto.

O espanto, e o motivo deste post, esteve na apreciação do primeiro ponto, aparentemente pacífico. Convenhamos, quem é o alentejano que não sente orgulho em ver o cante tradicional da sua região candidatar-se a Património Imaterial da Humanidade? Quem não fica contente com a exposição pública, a divulgação, a projecção mundial que esta candidatura vai trazer à nossa região, à nossa cultura e forma de estar na vida?

Aparentemente, a julgar pelos representantes eleitos naquela Assembleia, metade dos alentejanos está contra. "Não se sente confortável" para apoiar. "Não percebe o que há naquela candidatura para que possa ser aprovada", como se fosse ali, na sala onde reúnem os 45 elementos da Assembleia da Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo que se decidisse o destino final da Proposta de Candidatura.

Apenas por politiquices desprezíveis, ignorando o apoio já manifestado pelas mais altas entidades do nosso país, desprezando o contributo de inúmeras personalidades com qualificações na área, os ilustres eleitos do PS e do PSD na Assembleia da Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo recorrendo a meia dúzia de desculpas esfarrapadas e fechando os olhos à única coisa realmente importante - a valorização do cante alentejano - escusaram-se a uma coisa tão simples como a aprovação de uma declaração de apoio.

Quem os ouvisse pensaria que teriam de elaborar relatórios complexos e detalhados sobre o processo de candidatura, com base nos quais a UNESCO deliberaria de olhos fechados. Mas não, era uma simples declaração de apoio. E eles recusaram-se.
                     

Comentários

  1. Gostei do texto, apenas lhe ponho um "defeitozinho": deia ter colocado aui os nomes das "personalidades" que fazem parte da AI e que representam essa comunidade e quem elegeu os executivos com assento naquelas cadeiras, ou seja, o povo. Só assim se consegue apontar o dedo. A AI não é uma coisa inócua, tal como outros organismos, é feita por pessoas e essas pessoas têm (ou deveriam) prestar contas dos seus actos.

    Luís Amor

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    1. A Assembleia Intermunicipal é composta por representantes das Assembleias Municipais dos concelhos do distrito de Beja (à excepção de Odemira, que faz parte da Comunidade Intermunicipal do Alentejo Litoral).
      Estes representantes foram designados por eleição, no início do mandato, de entre os membros de cada uma das Assembleias Municipais, que por sua vez foram eleitos em sufrágio universal.
      Porém, algumas forças políticas (bem, na verdade foi apenas uma força política) constituíram-se como grupo no seio da Assembleia Intermunicipal e falam e votam a uma só voz, segundo o interesse partidário, ignorando a defesa dos interesses dos seus respectivos concelhos e das populações que legitimamente os elegeram.
      É um direito que lhes assiste...

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  2. A mim... parece-me "apenas" incompreensível!!

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    1. Fiquei indignada, mfc. Não só pela "abstenção violenta" mas sobretudo pelos não-argumentos apresentados e a postura das pessoas... confesso que não esperava.

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  3. Fulano Tal12/03/12, 11:54

    Não é de estranhar esta posição,estes senhores do PS e PSD nunca defenderam esta região também não o iriam fazer agora.
    São estes senhores que têm (des)governado o nosso país ao longo destes anos.

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  4. Uma abstenção tão violenta que deu direito a uma declaração de voto de 5 páginas!!! mais precisamente a leitura integral de algumas noticias que têm saído na comunicação social!!!! Logo de quem acusava a candidatura não reunir o apoio das associações regionais, nomeadamente da AMBAAL e da CIMBAL!!!Aguardo entusiaticamente as próximas assembleias em que estes eleitos farão apreciações de tanta profundidade em assuntos como apreciação das contas da CIMBAL, transferência do Museu Regional para a tutela da CIMBAL (há efectivamente politicos, que pensam que colocando os problemas noutras orbitas, eles desaparecem!!!!) ou quando for necessário reflectir sobre o futuro dos funcionários da AMBAAL no quadro da extinção desta associação uma vez que a CIMBAL de alguma forma a substitui!!!!

    Lá estaremos para ver...e ouvir!!!!

    MGantes

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  5. É caso para dizer que nem para ouvir cantar servem.

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