Na caverna


Os acontecimentos deixaram de ser notícia, a não ser o que o Marcelo fale neles. O Público e o Sapo fazem manchete com o que "o Marcelo diz". Deixamos de viver a realidade para viver na caverna do Platão e as sombras são as baboseiradas que o Marcelo deixa cair.

Marcelo diz que grupos angolanos querem media portugueses ao serviço das suas estratégias.


Comentários

  1. As notícias são um mito urbano. É sempre a caverna e nós de costas a ver as sombras e as sombras são a realidade. A crescente proliferação de comentaristas em vez de jornalistas é, para mim, sinal de que queremos quem nos dê as sombras, a realidade refletida, toda tratadinha e explicadinha. Depois é só escolher no que queremos tomar como realidade, e podemos apresentá-la como descoberta nossa no café do bairro. Aliás, esta tendência de andarmos todos a discutir temas tão complexos como cimeiras europeias, história económica internacional, relações diplomáticas europa-estados unidos, financiamento internacional e outros tais que necessitariam para qualquer abordagem mediana umas quantas licenciaturas ou mesmo teses de mestrado, demonstra este acreditar que as sonbras são a realidade. Não pensar. Só o não pensar, não desconstruir, não refletir, não procurar as entrelinhas, não mudar de perspetiva, permite chegar aqui. Chegar ao ponto de ouvir este traz e leva recados - "fulano disse-me que sicrano tinha dito" -, e tomá-lo como realidade. O Marcelo compreende tão bem a caverna e os seus habitantes.

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