segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

O regresso

Ei-los que voltam. Ressacados das meias-noites ou com os olhos inchados das horas dormidas a mais. O calendário marca o regresso à vida normal e o fim da euforia programada do Ano Novo. Há muito que ficou para trás a solidariedade e a lista de compras do Natal, repenicada de beijinhos de circunstância.

É Janeiro e estão de volta. Tudo recomeça. As rotinas e as pressas, os “tempos livres” com hora e local marcados, as aulas, os alunos, os horários, as reuniões, os relatórios, os chefes, as injustiças, os lambe-botas, as pequenas alegrias e vitórias do dia-a-dia, as escadas, o cansaço, o cansaço, o cansaço...

Que tal de Ano Novo? Igual ao Ano Velho.
                    

3 comentários:

  1. mais ou menos parecido... ando a comemorar o ano com chá.

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  2. O que há em mim é sobretudo cansaço

    O que há em mim é sobretudo cansaço
    Não disto nem daquilo,
    Nem sequer de tudo ou de nada:
    Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
    Cansaço.

    A subtileza das sensações inúteis,
    As paixões violentas por coisa nenhuma,
    Os amores intensos por o suposto alguém.
    Essas coisas todas -
    Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
    Tudo isso faz um cansaço,
    Este cansaço,
    Cansaço.

    Há sem dúvida quem ame o infinito,
    Há sem dúvida quem deseje o impossível,
    Há sem dúvida quem não queira nada -
    Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
    Porque eu amo infinitamente o finito,
    Porque eu desejo impossivelmente o possível,
    Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
    Ou até se não puder ser...

    E o resultado?
    Para eles a vida vivida ou sonhada,
    Para eles o sonho sonhado ou vivido,
    Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
    Para mim só um grande, um profundo,
    E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
    Um supremíssimo cansaço.
    Íssimo, íssimo. íssimo,
    Cansaço...

    Álvaro de Campos

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