domingo, 10 de abril de 2011

Independência, Nobreza e afins

Como já devem ter percebido pelos posts aqui em baixo, o meu fim de semana foi muito melhor do que o do resto do país. Não segui as transmissões do congresso do PS, nem ouvi os lamentos dignos do melhor episódio do Calimero, não tive oportunidade de demonstrar a minha solidariedade com o partido que esteve seis anos no poder mas que só fez o que a oposição o obrigou a fazer (incluindo abandonar as Bibliotecas à sua sorte e extinguir a DGLB, nunca mais vos perdoo), nem me emocionei quando o grande líder foi aclamado ao som de uma música daquelas que fazem arrepiar.

Só hoje, mais precisamente agora, dei uma vista de olhos pelas gordas dos jornais online, e pelo órgão de informação mais isento que pode existir, e fiquei  a saber que o Sr. Fernando Nobre, o homem do povo que não aceitava ser integrado em nenhum partido, será cabeça de lista do PSD por Lisboa.

Mais à frente, leio que o homem independente que não aceita o jugo dos partidos, será indigitado para Presidente da Assembleia da República, caso o PSD vença as eleições. Ah! Está tudo explicado.

O senhor concorreu para Chefe de Estado e não venceu, não teve outro remédio a não ser concorrer para a segunda figura na hierarquia da nação: O Presidente da Assembleia da República. Não é culpa dele que o sistema não permita candidaturas independentes e que seja obrigatório dar a cara por um partido...

Para demonstrar a sua independência, depois de ter sido  mandatário nacional do Bloco de Esquerda nas europeias de Junho de 2005, e de ter recebido o apoio (pouco) discreto do PS (agora deve ler-se Partido da família Soares), candidata-se agora pelo PSD. Está realmente, muito acima das estruturas partidárias, como compete ao Presidente da Assembleia da República.

4 comentários:

  1. “Aqui nenhum partido quer dizer nada mesmo e podiam usar todos a mesma sigla: PPPPP, Partido Pela Predação do Patrimônio Público, porque tudo o que seus membros aqui almejam é abocanhar a parte deles”. Crónica no jornal O Globo de hoje, João Ubaldo Ribeiro.

    A cada canto um grande conselheiro,
    Que nos quer governar cabana e vinha,
    Não sabem governar sua cozinha,
    E podem governar o mundo inteiro.
    Gregório de Matos (1636-1695)

    Alguma semelhança?!
    Carlos - RJ

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  2. Muito certo o que disse, por mim só tenho um voto a dar em toda e qualquer eleição, UM VOTO EM BRANCO, e resta-me esperar (sentada de preferência)para que apareça alguém digno, justo, sincero.... e tudo aquilo que não vejo em nenhum político para que possa voltar a votar em alguém.

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  3. Infelizmente, muita gente se encontra nessa situação (a julgar pela abstenção, é a maioria da população).
    Não contabilizei, mas creio que é o meu voto mais frequente, o único que demonstra um protesto claro e inequívoco contra a qualidade dos protagonistas da nossa classe política. Se de repente, todas as pessoas que se abstêm resolvessem votar em branco, expressando o seu protesto, talvez alguns apanhassem um susto a sério.
    O problema é que a maioria dos nossos líderes partidários já conta com a colaboração da abstenção para vencer...

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