Um pouco de bom senso

A conferência de líderes decidiu hoje, por unanimidade, discutir e votar já na sexta-feira, dia 8, a petição que defende um referendo sobre o casamento homossexual entregue esta manhã na Assembleia da República.
Assim, a iniciativa popular irá ser discutida no mesmo dia das propostas do Governo, do BE e do partido ecologista Os Verdes para a consagração do casamento entre pessoas do mesmo sexo e do diploma do PSD para a instituição de uma união civil registada.
Desta forma, todos os partidos anuíram também em comprimir os prazos estabelecidos e o presidente da Assembleia da República irá solicitar à comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais que dê o seu parecer sobre a admissibilidade da iniciativa popular até sexta-feira.
A petição pró-referendo ao casamento homossexual, iniciativa da Plataforma Cidadania e Casamento, que foi esta manhã entregue na Assembleia da República, reúne mais de 90 mil assinaturas, recolhidas nas últimas três semanas.

Pelo menos evita-se a farsa de discutir um referendo depois de as propostas de lei sobre o tema já terem sido debatidas e votadas. Apesar de não concordar com a realização do referendo, acho que as 90 875 pessoas (ainda assim menos de 1% da população portuguesa) que fizeram questão de o requerer devem ser respeitadas e a sua proposta deve ser apreciada no mesmo momento em que se apreciam as propostas dos partidos.

Já dizia Voltaire: "Não concordo com uma única palavra do que dizeis, mas defenderei até à morte o vosso direito a dizê-las".

Comentários

  1. Dizê-las é uma coisa! O problema é que o resultado do referendo não se limita a "dizê-las". Significa também que se o contra ganhar há uma parte da população que é vedado alguns direitos. Nem que seja o direito a errar.

    Se eu fosse mãe de um homossexual que quisesse casar eu até o aconselharia a não casar, mas defenderia até à morte o seu direito de escolha.

    Há o direito a "dizê-las" mas há também o direito a "fazê-las" e neste caso o direito a "dizê-las" (e porque não querem só "dizê-las") pode anular o direito a "fazê-las".
    Não é só "Dizê-las"! (com ponto de exclamação para envenenar o lixo tóxico!!!!

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  2. Como sabe, concordo consigo. Mas o respeito que quero que tenham pela minha opinião obriga-me a ouvir e respeitar também as dos outros.
    Espero que o referendo não se realize, e que a democracia representativa exerça o seu papel. Caso contrário, de que serve eleger deputados se vão remeter para nós a tomada de decisões? E as decisões que nos remetem nem sequer são as que realmente importam para o futuro do país, são apenas estes festivais à volta da discussão deum valor básico da humanidade, que é a liberdade de escolha.
    As decisões importantes continuam a ser tomadas em gabinetes à porta fechada, sob sigilo e impostas sem discussão, debate ou informação.

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  3. ...E já que me meti neste assunto, noutro blog, e parece que a minha opinião não foi muito bem entendida, vou tentar explicar-me melhor:
    - Também discordo do Referendo. Para além de ser assunto que pretende manter-nos entretidos, só vai servir para gastar dinheiro e assistirmos a discussões sem sentido, sobretudo de posições extremistas de heterosexuais que não sabem do que falam nem têm o direito de interferir nas opções individuais de cada um;
    - Independentemente das minhas posições politicas notórias, não sou propriamente um robot programado para concordar com esta ou com aquela posição do Partdido X, Y ou Z. Ás vezes, quando me apetece, também penso por iniciativa própria (mas isto já era tema para outra conversa);
    - Pessoalmente é-me indiferente que os homossexuais casem ou deixem de casar, é uma opção deles. Quem são os da "normalidade instalada" que lhes pretendem vedar esse direito...!? Provavelmente alguns santos com pés de barro;
    - Independentemente de não me chocar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, existe uma sociedade onde nos encontramos inseridos, com pessoas de diferentes gerações e diferentes sensibilidades que, simplesmente, não conseguem encaixar este diferente conceito de casamento... Daí ter referido, que entendendo essas diferentes sensibilidades, se deveria começar por uma solução intermédia (e provisória) como a designação proposta pelo PSD. Provavelmente, a mim também me faria confusão, nos primeiros tempos, chamar chouriço a um pão, mesmo sabendo que aquilo era realmente um pão.

    Como não sou de maneira nenhuma homofóbica, termino com um vídeo, uma música e uma mensagem que cabe aqui na perfeição... Prefiro o "transformista" no final da actuação e de fones nos ouvidos. Acho que a masculinidade o favorece, mas esse é apenas o meu gosto pessoal.

    http://www.youtube.com/watch?v=8y85ajtPUAY

    BB

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  4. Os que se sentirem pouco à-vontade para encaixar, paciência...agora já só podem tentar digerir o resultado. Pessoalmente, fico satisfeita. Parabéns aos que deram a cara pela causa. Confesso que me surpreendeu a rapidez da decisão. Haverá já outro entretenimento agendado? É que o Circo já está montado.
    E agora que os professores conseguiram travar algumas medidas desfavoráveis à sua progressão na carreira, quando é que outros se mobilizam para fazer o mesmo? Já estou a imaginar alguns a bocejar e a pensar: Quem eu? Mobilizem-se por mim isso dá muito trabalho. Pois...

    BB

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