quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A mais bonita de todas as músicas de Rui Veloso

Tem de se aprender a gostar, mas é extraordinária.



Porque sou o cavaleiro andante
Que mora no teu livro de aventuras
Podes vir chorar no meu peito
As mágoas e as desventuras

Sempre que o vento te ralhe
E a chuva de maio te molhe
Sempre que o teu barco encalhe
E a vida passe e não te olhe

Porque sou o cavaleiro andante
Que o teu velho medo inventou
Podes vir chorar no meu peito
Pois sabes sempre onde estou

Sempre que a rádio diga
Que a américa roubou a lua
Ou que um louco te persiga
E te chame nomes na rua

Porque sou o que chega e conta
Mentiras que te fazem feliz
E tu vibras com histórias
De viagens que eu nunca fiz

Podes vir chorar no meu peito
Longe de tudo o que é mau
Que eu vou estar sempre ao teu lado
No meu cavalo de pau

4 comentários:

  1. Quando me vieres "ouver", prometo que ta canto, só para ti... ;)

    Beijo prima!

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  2. Acompanho ao de longe a carreira do Rui Veloso, mesmo antes de ele ter vindo actuar na sala d'Os Leões (sim em Moura).

    Ele tem uma cantiga que está no seu 2º LP no 10º lugar do alinhamento e que me deixa sempre uma sensação de revolta quando a oiço. Curiosamente tem um pouco a ver com o seu trabalho.

    Aqui fica a letra e vale a pena ouvir.

    A Gente Não Lê
    Carlos Tê / Rui Veloso

    Aí senhor das furnas
    Que escuro vai dentro de nós
    Rezar o terço ao fim da tarde
    Só para espantar a solidão
    Rogar a deus que nos guarde
    Confiar-lhe o destino na mão

    Que adianta saber as marés
    Os frutos e as sementeiras
    Tratar por tu os ofícios
    Entender o suão e os animais
    Falar o dialecto da terra
    Conhecer-lhe o corpo pelos sinais

    E do resto entender mal
    Soletrar assinar em cruz
    Não ver os vultos furtivos
    Que nos tramam por trás da luz

    Aí senhor das furnas
    Que escuro vai dentro de nós
    A gente morre logo ao nascer
    Com olhos rasos de lezítia
    De boca em boca passar o saber
    Com os provérbios que ficam na gíria

    De que nos vale esta pureza
    Sem ler fica-se pederneira
    Agita-se a solidão cá no fundo
    Fica-se sentado à soleiro
    A ouvir os ruídos do mundo
    E a entendê-los à nossa maneira

    Carregar a superstição
    De ser pequeno ser ninguém
    E nã quebrar a tradição
    Que dos nossos avós já vem.


    assina: Sound Shaper Two IC

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  3. Também actuou no velhinho cinema ao ar livre, ali na Rua S. João de Deus.
    Talvez porque esteja a ficar velha, conheço muito melhor essa fase do Rui Veloso do que a actual, por isso conheço bem a música a que se refere e agradeço muito o contributo.

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