quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Uma questão de prioridades

Ontem, e na noite antes de ontem, houve sessão da Assembleia Municipal. O resumo virá como habitualmente, logo que tenha tempo de o concluir, mas hoje faço questão de deixar aqui duas notas pessoais, que aliás, já transmiti de viva voz aos próprios.

1.
Num momento em que todos os agentes ligados à informação e à cultura (escritores, artistas, professores, investigadores, jornalistas, bibliotecários e utilizadores de bibliotecas) do nosso país juntam esforços para tentar impedir a extinção da Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas, pelo prejuízo que irá trazer ao funcionamento das Bibliotecas Públicas em Portugal, apresentámos em Assembleia uma moção de protesto a enviar à Sra. Ministra da Cultura e ao Sr. Primeiro-Ministro.

Lamentavelmente, a bancada do PS ignorou todos os argumentos e fixou a sua atenção apenas num: a possibilidade de serem cancelados ou diminuídos os apoios financeiros às Câmaras Municipais para a expansão da Rede de Bibliotecas Públicas. Sobre este ponto, considerou que era possível que isso acontecesse, mas também era possível que não acontecesse, e como tal, absteve-se. A moção foi assim aprovada por maioria, com a abstenção dos elementos do Partido Socialista e do Presidente da Junta de Freguesia da Amareleja (que habitualmente acompanha o sentido de voto do PS).

O peso que a aprovação por unanimidade daria à moção fica assim anulado, não por convicções pessoais, não por oposição de ideias, mas apenas por pura oposição política, apenas porque não.

2.
A sessão desdobrou-se em duas reuniões. Lamento que tal tenha acontecido. Numa época de contenção, fazer arrastar desnecessariamente assuntos para provocar a necessidade de uma segunda reunião com o consequente pagamento de senhas de presença e de horas extraordinárias aos funcionários que têm de assegurar as questões logísticas é absurdo. Mesmo que todas as palavras ditas tivessem sido essenciais e que todos os minutos tivessem sido imprescindíveis – e sabemos que não o foram – a Assembleia ainda poderia ter decidido, desde que houvesse unanimidade dos presentes, ter continuado a sessão até terminar a Ordem de Trabalhos, evitando assim a realização de uma segunda reunião.

Lembro-me que na última sessão houve protestos por parte da bancada do PS relativamente aos gastos com a impressão/cópia de folhetos informativos à população e pergunto-me quantos folhetos poderíamos ter produzido com o dinheiro gasto ontem.
E em livros, quantos livros poderíamos ter comprado?
Ou talvez 3 ou 4 computadores para utilização pública na Biblioteca Municipal.
Ou…
           

1 comentário:

  1. Embora dentro da legalidade, é incompreensível que se arraste uma Assembleia para outro dia, gastando à conta disso, segundo sei mais de 2000 € (senhas de presença dos intervenientes, horas extraordinárias dos funcionários de apoio, luz etc.), para despachar tudo em pouco mais de 1h, na Assembleia seguinte. Pergunto eu, se não podia ter sido tudo esclarecido na mesma sessão, mesmo que isso implicasse, ultrapassar em 1 ou 2 horas, o horário previsto, penso que isso já foi feito em mandatos anteriores. Os senhores do PS em tempo de crise, não deveriam ter em conta esse facto? Se são tão preocupados com a poupança nas fotocópias e nos documentos recebidos, não foram sensíveis a estes gastos supérfluos? Ou terão apenas pensado em mais uma senha de presença? E como dava jeito para o Natal? Meus senhores é nestes pequenos gestos, que todos daremos o exemplo, ou se o Senhor Ventinhas fosse um pouca mais economizador em palavras desnecessárias, quem sabe se o tempo não daria…
    Quanto à não aprovação da Moção sobre a extinção da DGLB, por parte do PS e do Sr. Valadas, o que tenho a dizer, é que é “Lamentável” que esta gente vela a Cultura, e a Promoção da Leitura e dos Livros, como uma actividade Mercantil, resumindo isso a uma questão de dinheiro, é o sinal, que estão a dar, queremos pessoas formatadas ao pensamento dominante e não que se criem e sustentem condições para que todos tenhamos acesso aos Livros, à Informação e possamos moldar o nosso pensamento, segundo as nossas convicções.
    Lamento que o PS se vergue e substitua a Cultura pela Economia, apenas, como se de um produto descartável se tratasse. Relembro que esta Ministra da Educação, foi a impulsionadora do Plano Nacional de Leitura, e com ela, e o PS vamos assistir ao enterro de uma estrutura (DGLB), que era uma referência no mundo dos Livros e das Bibliotecas Públicas. Paz à sua Alma
    (Isabel Alçada e PS)

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