segunda-feira, 7 de março de 2011

Como se fabrica um D. Sebastião

Pedro Passos Coelho ainda não foi chamado a formar governo, porque o PSD ainda não venceu as eleições, porque estas ainda não se realizaram, porque o governo ainda não caiu. E no entanto, já há pessoas que admitem  aceitar o convite para o cargo de ministros.

O quê, ainda ninguém se tinha lembrado dele? Mas o que é que isso interessa? Uma reportagem aqui, um artigo de opinião ali, uma demonstração de carácter e força de vontade acolá, tudo salpicado com uns laivos de modéstia. "Ah, e tal, já me convidaram, mas eu não quis aceitar...". Mas antes que as listas fechem, convém pôr-se a jeito, lembrar os elogios constantemente recebidos, e se ainda houver tempo, dar uma ou duas negas, fazer-se díficil. "Tenho outros projectos, a minha vida não é isto...".  As técnicas são velhas e conhecidas, mas continuam sempre a resultar.
                              

5 comentários:

  1. "Quem vai para o mar prepara-se em terra".

    ResponderEliminar
  2. ... Zélia, acho que com o exemplo que foi buscar (Carrapatoso), deixe-me usar uma expressão caleira, "c@#ou o pé todo"
    Carrapatoso, é gestor de uma empresa onde o estado não tem golden share nem tem lá um tostão. Há uns anos atrás, com a concorrência desleal e feroz da PT e TMN montou um projecto, pô-lo de pé, valorizou-o, vendeu-o e os novos donos quiseram que ele continuasse na gestão ...
    ... lembra-se duma coisa chamada Telecel? que passou mais tarde a chamar-se Telecel Vodafone e agora chama-se Vodafone?...
    ... Carrapatoso, tem perfil para ser ministro num qualquer governo de um qualquer partido ... não está desempregado, nem precisa dos jobs for the boys...
    ... contudo percebo o seu post, o exemplo escolhido, a meu ver é que nao foi o melhor...

    LT

    ResponderEliminar
  3. LT

    Olá. Lembro-me disso tudo e não discuto a competência do senhor. Mas considero infeliz que uma pessoa se ofereça, pronto, eu corrijo, se mostre disponível desta maneira.

    O LT tem consciência desse lambe-botismo que rodeia quem está no poder, ou quem tem a expectativa de vir a estar. Histórias destas todos conhecemos, em todos os partidos, se é a isso que se refere quando diz que eu "sujei" o pé. Mas acredite que estava a referir-me ao caso concreto e não a fazer dele exemplo. Já me devia conhecer melhor, costumo chamar os bois (e os boys) pelos nomes.

    Relativamente ao caso em concreto, gostava de lhe lembrar o princípio de Peter (vou redigir um post sobre o assunto, que é muito interessante). O senhor em causa tem um currículo exemplar, mais valia não o estragar. E a primeira nódoa já lá está, com esta intervenção infeliz.

    ResponderEliminar
  4. A normalidade continua...!

    ResponderEliminar
  5. É apenas o preparar da próxima fornada.

    ResponderEliminar

Nenhum homem é uma ilha.

No momento em que passam quatro anos sobre aqueles dias loucos e felizes da minha transferência para Évora, apercebo-me do impacto que a...