Odisseia ao amanhacer

Os "aliados" invadiram a Líbia. A Líbia não invadiu ninguém, apenas tem um ditador execrável do qual os líbios estão a tentar ver-se livres. Mas os "aliados" resolveram ser heróis. Bombardearam e continuarão a bombardear indiscriminadamente sobre alvos militares e civis, ceifando vidas e destruindo o país como já fizeram como o Iraque e o Afeganistão.


Ditadores há muitos, mas uns têm petróleo por baixo e outros têm armamento tão potente como o dos "aliados", por isso continuam intocáveis. As pessoas que vivem sobre o solo que tem petróleo têm o direito de ser ajudadas, mesmo que não o peçam, mesmo que paguem a ajuda com a própria vida. Os outros, os que vivem sobre o chão que não tem petróleo, não podem ser ajudados, porque os "aliados" têm de respeitar a soberania dos países e dos seus governantes.

O Papa veio hoje de manhã pedir que a "segurança dos líbios seja salvaguardada". Como se isso adiantasse de grande coisa, como se as suas palavras impedissem que as bombas atingissem os milhares de inocentes que vão morrer na "longa guerra" que Kadhafi promete travar.

É nestas alturas que tenho pena de não termos mulheres nos mais altos cargos governativos do mundo. Nenhuma mulher (a senhora Merkel não conta, desculpem lá!) sentiria a necessidade de demonstrar o seu poder pela força, matando indistintamente apoiantes do ditador, militares obrigados pela ética e pelo dever a defendê-lo, e inocentes que apenas querem ser livres, com a mesma vontade e a mesma esperança que nós tivemos a 24 de Abril, esperando alcançar a mesma paz, serenidade e felicidade que nos trouxe o amanhecer daquele dia 25.
                   

Comentários

  1. Também existem ditadores sem petróleo por baixo, nem armamento em cima, por exemplo em África, mas desses ninguém quer saber, até se envia para lá algum material bélico excedente, e caso exista oposição armada, vende-se a ambos os lados, nada como evitar tomar partido na contenda quando ela não nos diz respeito. Será Kadhafi pior que Mugabe?

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