É tudo uma questão de perspectiva

Acabei de ouvir o Sr. Ministro da Administração Interna no Jornal da Tarde, sobre a dimensão da área ardida este ano em Portugal.
  1. O Sr. Ministro diz que não é momento de tirar conclusões, porque a época de fogos ainda não acabou. Como dizia alguém (peço desculpa por não me lembrar exactamente quem), anunciar o início da época de fogos soa como uma espécie de convite ao incêndio, ou melhor, à ignição.
  2. Não obstante, o Sr. Ministro, porque é Ministro, está já em condições de concluir que a área ardida é inferior à de 2003, "no período homólogo" (muito mais pomposo do que "no mesmo período").
  3. Com base na sua conclusão, o Sr. Ministro congratula-se pelo facto referido.
Com base no que ouvi, lamento que o Sr. Ministro se congratule. Eu no seu lugar, lamentaria, nem que tivesse ardido apenas um quintal. E continuaria a lamentar, mesmo que para apagar o fogo desse quintal não tivesse morrido ninguém.

Mas isso sou eu.
 
 

Comentários

  1. Pode se ler os números como pretenderem, mesmo comparando com os anos mais trágicos de incêndios, mas existe uma realidade incontornável, ardeu mais este ano que em 2008 e 2009.

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  2. Com uma violência assustadora, a contrastar com a tranquilidade forçada de quem nos assegura constantemente que está tudo controlado.

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  3. ... ZP, gostei do seu post...

    LT

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