Coisas de que me lembro


Faz hoje 25 anos, o telefone entrou pela primeira vez na minha casa. Era creme e nós ficámos maravilhadas.

Ter telefone naquela altura era um privilégio. A seguir à máquina de lavar roupa e à televisão a cores, o telefone foi uma das aquisições mais importantes da minha infância e juventude. Os meus pais ainda conservam o mesmo número, desde aquele dia, há vinte e cinco anos. Nada dessas modernices de andar a mudar de número, a mudar de operador, a mudar, mudar, mudar...

Através daquela linha chegaram muitas boas notícias: Todos os nascimentos dos meus sobrinhos e dos meus filhos, muitos telefonemas de "Mãe, é só para dizer que já cheguei!", ou "Mãe, correu tudo bem"... Infelizmente, também chegaram notícias tristes, daquelas que nunca queremos ouvir, porque depois delas, há caras que nunca mais vamos ver, amigos ou familiares que já não vamos poder abraçar, vidas que já não vamos cruzar.

Por aquele telefone falámos com amigas (só depois das 21h00, quando as chamadas eram ligeiramente mais baratas, e mesmo assim, tudo muito rápido, porque não havia tarifários com chamadas grátis) e namorámos, primeiro disfarçando a conversa e depois, já com mais descontracção, quando o namoro se tornava oficial. Encurtámos a distância de familiares que moravam longe, mas nem pensar em telefonar para dar as boas-festas ou os parabéns... era muito caro. Para isso havia os postais dos CTT.

E o toque do telefone? Aquele TRRRRRIIIIIIIIMM imponente, que quebrava todos os silêncios e nunca se podia desligar. Agora tenho uma imitação desse toque no meu telemóvel. Chama-se Nostalgia. Faz sentido, porque tenho cada vez mais saudades desse tempo. É a isto que chamam "ficar velha", não é?

Comentários

  1. José Francisco02/08/10, 14:37

    Os telefones de roda são objectos que me fascinam,confesso, acho que têm estilo não são como estes agora com teclas.Lembro-me de uns que só havia em preto da "Olivetti" com um botão amarelo por baixo da roda.

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