terça-feira, 21 de setembro de 2010

"As evidências não precisam de resposta"

Foi o que Manuel Maria Carrilho respondeu aos jornalistas quando questionado sobre a sua demissão, da qual teve conhecimento pela comunicação social.

Por uma incrível e inexplicável coincidência, o governo decidiu ter-se esgotado o tempo de vida útil de Manuel Maria Carrilho como embaixador de Portugal na UNESCO, precisamente dois dias depois de este ter manifestado, em entrevista ao Expresso, a sua crítica  a projectos governamentais na área da educação, como o computador Magalhães e o programa Novas Oportunidades.

Esta atitude do governo relembra-me de um episódio ocorrido há uns anos, quando falei com um político em vésperas de hipotética reeleição. Perguntei-lhe que resultados esperava. "Vamos obviamente ganhar, e com maioria!", foi o que me respondeu. "Acha? - insisti eu - Olhe que há muitas pessoas descontentes." "Eu não acho, - retorquiu - todas as pessoas que falam comigo estão muito satisfeitas e confiantes". No entanto, perdeu.

Esta é a forma mais fácil de evitar comentários desagradáveis e críticas: deixar de os ouvir e rodearmo-nos apenas de pessoas que concordam sempre connosco. Quanto aos outros, aos que criticam, aos que põem o dedo na ferida, aos que levantam questões incómodas, não há que dar-lhes importância: ou são da oposição, ou são burros e não compreendem o alcance e a inteligência da nossa estratégia.

O problema é que o rei vai mesmo nu. E surdo.
           

3 comentários:

  1. O caso do manuel carrilho, é normal em politica.
    os militantes, e nomeados pelos partidos (governo neste caso), devem obediência ao partido e têm de seguir a sua linha de oriêntação.
    ou será que no pcp não é assim?
    é em todos.

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