quarta-feira, 29 de setembro de 2010

País ao fundo

Depois de terminada a manifestação que hoje se realizou em Lisboa e no Porto, no âmbito do protesto europeu organizado pela Confederação Europeia de Sindicatos (CES) contra as medidas de austeridade recentemente adoptadas por vários Estados-membros da União Europeia, José Sócrates anunciou uma conferência de imprensa.

O título poderia ter sido "Protestem à vontade porque ganham as mesmas e agora tomem lá mais isto". E o que é "isto"? Simples:

Medidas para 2011:
  • Redução dos salários dos órgãos de soberania e da Administração Pública, incluindo institutos públicos, entidades reguladoras e empresas públicas. Esta redução é progressiva e abrangerá apenas as remunerações totais acima de 1500 euros por mês. Com a aplicação de um sistema progressivo de taxas de redução a partir daquele limiar, obter-se-á uma redução global de 5 por cento nas remunerações.
  • Congelamento das pensões;
  • Congelamento das promoções e progressões na função pública;
  • Redução dos encargos da ADSE;
  • Redução em 20 por cento das despesas com o Rendimento Social de Inserção;
  • Redução das transferências do Estado para o Ensino e sub-sectores da Administração: Autarquias e Regiões Autónomas, Serviços e Fundos Autónomos;
  • Redução das despesas no âmbito do Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC);
  • Redução das despesas com indemnizações compensatórias e subsídios às empresas;
  • Extinção ou fusão de organismos da Administração Pública directa e indirecta;
  • Reorganização e racionalização do Sector Empresarial do Estado reduzindo o número de entidades e o número de cargos dirigentes;
  • Redução em 20 por cento das despesas com a frota automóvel do Estado.
Medidas que começam já este ano:

  • Eliminar o aumento extraordinário de 25 por cento do abono de família nos 1º e 2º escalões e eliminar os 4º e 5º escalões desta prestação;
  • Reduzir as ajudas de custo, horas extraordinárias e acumulação de funções, eliminando a acumulação de vencimentos públicos com pensões do sistema público de aposentação;
  • Congelar as admissões e reduzir o número de contratados;
  • Reduzir as despesas de investimento;
  • Rduzir as despesas no âmbito do Serviço Nacional de Saúde, nomeadamente com medicamentos e meios complementares de diagnóstico.
Nem uma palavra para assumir as responsabilidades pelo estado a que chegámos. Nem uma linha para medidas de incentivo ao crescimento, à criação de emprego. Apenas cortes e mais cortes, lidos com uma voz condoída porque, segundo Almeida Santos, o Governo está a sofrer e o povo também tem de sofrer em solidariedade.

Tudo o que está a acontecer na Europa mostra e comprova que este caminho não resulta. Mas gritam-nos uma e outra vez, que é por aqui que temos de ir, que este é o único caminho e nós seguimos cabisbaixos, rumo ao abismo. Mas descansem, porque vamos pagar os submarinos.

            

5 comentários:

  1. É tudo tão mau que até parece que estamos a ter um pesadelo, mas depois acordamos e vemos que é a vida real...A vida dos portugueses, pq ñ são só os funcionários públicos a ser afectados (o aumento do IVA é para todos), está nas mãos destes senhores que nos afundam mais a cada dia que passa. Não basta reclamar, é preciso agir, ir para a rua e mostrar o descontentamento.

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  2. E a subida do IVA para os 23%.
    Espectacular. Continuem que a coisa vai bem encaminhada...E os 150 mil empregos são só para 2020? Ah não falam no desemprego nem nas medidas para o combater? Será que essas são as primeiras medidas para eliminar o excesso de população no planeta? É que ainda não conheço ninguém que consiga viver só com o ar que respira, pelo menos, no actual modelo de sociedade que nos impingiram...

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  3. É o país dos subsideos, rendimentos minimos.
    Sim esses que vivem á custa do trabalho dos outros, não lhe vai custar muito.
    Com tanto malandro, não há estado que aguente.

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  4. A Senhora Merkl acha que estas são as melhores opções, então os outros países também TÊM que achar que estas são as melhores medidas. E se não, lá vêm as ameaças das multas, as dificuldades de financiamento e as baixas nas confiança.
    Choca-me que sejam uma ou duas cabeças a sentenciar o destino de milhões e que os níveis de confiança, afinal, dependem de factores muito voláteis.
    beijinho, amiga

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  5. Fulano tal30/09/10, 11:28

    Eu sei o que é que ele podia fazer com os submarinos...

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