domingo, 5 de setembro de 2010

A vida no Facebook




Confesso que não sou fã do Facebook.

Eu sei que toda a gente tem, mas o que é que querem? Não percebo a "magia" de levar horas a clicar com o rato centímetro a centímetro do espaço que aparece no monitor para fazer aparecer um bocado de verdura onde antes só havia castanho a imitar a terra. E toda a gente a pedir-me arreios e pregos e a oferecer-me fertilizante, tira-me do sério. E senhoras e senhores, adultos supostamente responsáveis a publicarem frases do género "Estou tão, tão feliz! Consegui completar o meu estábulo! Obrigado amigos, sem vocês não teria sido possível!!!!!"

Eu também já disse frases como esta, graças a Deus acho que sei reconhecer quem me ajuda, mas têm a ver com alturas muito difíceis da minha vida, ou com o esforço que fiz para atingir determinados objectivos e que não teria conseguido sem o apoio da minha família. Agora porque acabo um estábulo numa "coisa" de desenhos animados, desculpem lá!

Também não percebo o que motiva pessoas a estarem horas de olho pregado no monitor, à espera que algum "amigo" publique uma daquelas frases redondas que querem dizer tudo sem no fim, dizerem nada.

E a bisbilhotice que isto gera? Toda a gente a publicar fotografias das vidas privadas, qual delas a mais estapafúrdia, a declararem aos quatro ventos os filmes de que gostam, os livros que já leram, as músicas que ouvem? E a declararem a torto e a direito, gosto, gosto, gosto. Gostam de tudo? Mas que mundo tão agradável em que vivemos... Todos temos centenas de amigos, todos gostamos de tudo, todos partilhamos grupos, todos apoiamos causas (estas servem para quê? Nunca dão em nada, pois não?). Se a vida real fosse assim, vivíamos no paraíso...

E a esta altura, dirão vocês: Se achas isto tudo, porque é que lá vais?

Ok, têm razão. Em primeiro lugar, agora vou com mais frequência porque já sei como bloquear aquelas aplicações das quintas, dos aquários, etc. Já ninguém me pede pregos (obrigada, professora Teresa).

Em segundo lugar, porque 20 anos depois, encontrei as minhas colegas do lar onde estive a fazer o 12º ano e o 1º ano da faculdade. Ontem foi a vez da Natália. Minha boa amiga Natália, 60% de honestidade e 40% de boa disposição. Zero por cento de hipocrisia, de falsidade, de cinismo. Têm muitos amigos assim? Eu tenho alguns, mas não me posso dar ao luxo de desperdiçar nenhum. Viva o Facebook!

Mas por via das dúvidas, não vão para lá contar a vossa vidinha...
                     

6 comentários:

  1. Fernando Pinto05/09/10, 15:56

    100% de acordo!

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  2. Bem me parecia que isto era um mea culpa de carga católica. Somos vitimas do pecado original. O FB não são só os jogos, eu por exemplo não estou em nenhum jogo e os amigos, esses, no FB, podemos desligá-los quando queremos.

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  3. Pois é prima, goste-se mais ou menos, o FB é hoje uma realidade quase incontornável. De facto tem coisas desagradáveis, mas como dizias, quem souber usar as ferramentas que o programa disponibiliza, em meia dúzia de dias consegues limpar grande parte do "lixo" que por lá anda.

    E descobrem-se coisas interessantes, e revê-se muita gente que de outra forma seria difícil. Com a quantidade de gente boa que vamos conhecendo ao longo dos anos, é practicamente impossível alimentar uma relação com todas elas. A internet tem essa capacidade, é verdade que não é a mesma coisa que uma jantarada ou uma ida a qualquer lado, mas pelo menos vamos mantendo o contacto e sabendo uns dos outros.

    E depois, claro está, para quem precisa de divulgar o seu trabalho, como é o meu caso, é uma ferramenta imprescindível. Confesso que foi isso que me fez lá chegar, embora já tenha tido outras boas surpresas, e feito centenas de bloqueios...

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  4. Como tudo na vida, a potencialidade de qualquer ferramenta está no uso que lhe destinamos. O ser humano é um ser social e, simultaneamente, individual e/ou individualista. As redes sociais satisfazem a sua necessidade de comunicação e exposição, ao mesmo tempo que, sem qualquer compromisso, se confirmam ou ignoram supostos amigos. Se isso é bom ou mau dependerá sempre da perspectiva que tenhamos de qualquer coisa. Além disso, se há quem encontre a felicidade em coisas pequenas como a de concluir um estábulo dos desenhos animados, numa perspectiva positiva, sempre podemos dizer que há pessoas que se recusam a abandonar a criança que há dentro delas. Mas isto sou eu a falar, quando gosto de fazer o papel de advogado do Diabo... e, às vezes, não é assim tão diabólico.

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  5. Minha querida Amiga, foram anos importantes e algumas pessoas marcaram-nos mais que outras. Tu, também foste daquelas que me marcou e por vezes lembrava-me. Pena não ter ficado com o contacto. Mas felizmente, graças ao facebook, que só incomoda quem quer ser incomodado, encontrei-te e fiquei feliz por isso. Desde já, prometo seguir este teu blog, que já li grande parte, e não te voltar a perder.
    E obrigada pela apreciação da minha pessoa, que continua na mesma.
    E já agora, vai voltar a ensinar-me aquela frase em barranquenho, daquele que vai comprar um maço de tabaco SG, lembras-te?
    bjs e saudades.

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  6. Olá!
    Não me consigo lembrar, sei que havia qualquer coisa, lembro-me mais ou menos como começava, mas amanhã vou perguntar e no tal almoço que temos combinado levo-te a história de certeza.

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