sábado, 6 de fevereiro de 2010

Ler devia ser proibido

2 comentários:

  1. Ler, cantar, rir, "levantar a voz qunado é suposto baixar os olhos"... tudo isso devia ser proibido para manter o povo sereno e obediente. A passividade do nosso país perante a falta de credibilidade das instituições, a corrupção, as ditaduras camufladas de democracias, a lei da selva, o vingar do chico-espertismo, não é mais que a consequência da ausência de cultura de um povo.
    A leitura faz-nos questionar tudo aquilo que nos rodeia. Pela minha parte, prefiro viver consciente e desiludida com a triste realidade que na feliz ignorância dos enganados.
    Hoje voltei a olhar para as palavras escritas naquela dedicatória, nos dias em que a distante inocência da infância não me permitia ainda ver o quanto de verdade havia nelas... "A leitura é um bem. Pratica-o. Aprenderás a escrever e a ler melhor e adquirirás cultura..."
    Sei que assumi, desde esse dia, essa responsabilidade, embora a leitura já fosse, nesses tempos, um desentediado prazer.
    Suponho que com a Zélia também tenham existido os tais "clicks" que nos fazem tomar uma maior consciência da importância que a leitura terá ao longo de toda a nossa vida.
    E assim como a leitura, também a cantiga é uma arma...mas suponho que eram já estas as minhas canções de embalar. Daí que façam para mim mais sentido que aquela que começava assim... "Eu vi um sapo, a encher o papo...estava a papar um bom jantar"! Já nessa altura eu não gostava de sapos e pressentia que nunca teria muito estomâgo para os engolir...:)

    http://www.youtube.com/watch?v=UAyS8cP5NX8&feature=related

    Continuação de um bom domingo.
    Hoje também não fui à missa. Não preciso. Porque há mesmo uma grande parte de António Caeiro em mim... :)

    "Pensar em Deus é desobedecer a Deus,
    Porque Deus quis que o não conhecêssemos,
    Por isso se nos não mostrou...
    Sejamos simples e calmos,
    Como os regatos e as árvores,
    E Deus amar-nos-á fazendo de nós
    Belos como as árvores e os regatos,
    E dar-nos-á verdor na sua primavera,
    E um rio aonde ir ter quando acabemos!... (Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos)

    :)
    BB

    ResponderEliminar
  2. Errata: "Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos". Corrija-me, por favor, esta vergonhosa gafe Zélia, antes que o seu próximo post tenha o título "António, Alberto, é tudo a mesma coisa, começa por A, pá..."

    Das duas uma: ou tenho que deixar de dormir tanto ao domingo ou vou despedir o incompetente do assessor que meu deu as dicas para vir comentar nos blogs, fazendo-me passar por uma Brigitte minímamente culta... :)

    BB

    ResponderEliminar